Coldplay e BTS mostram bastidores de “My Universe” em documentário

A obra mostra os dias de Chris Martin na Coreia do Sul e destaca o processo de composição e gravação que aproximou afetivamente os dois lados

26 setembro, 2021

Neste domingo (26), Coldplay e BTS disponibilizaram na internet o documentário “Inside My Universe” (Por dentro de ‘”My Universe”, em português). Com cerca de 13 minutos de duração, a obra mostra o primeiro encontro de Chris Martin com RM, Jimin, Suga, J-Hope, Jungkook, V e Jin, e passeia pelos bastidores da criação do single colaborativo lançado no dia 24 de setembro.

Logo no início do documentário, Chris Martin conta como foi difícil viajar para a Coréia do Sul em meio à pandemia, mas confessa que os dias lá estão entre os mais divertidos de todos os tempos (quando se trata de momentos em estúdio).

Ele explicou que a ideia de colaborar com o BTS surgiu 18 meses antes da viagem, quando recebeu uma mensagem que revelava o interesse do grupo em fazer uma parceria musical com o Coldplay. A princípio ele não entendeu como seria possível uma música entre os dois lados, mas não demorou a se empolgar. Ele, então, escreveu a parte em inglês e enviou uma demo de “My Universe” para o BTS.  

Chris Martin em sua viagem para a Coreia do Sul. Youtube/Reprodução

No documentário, percebemos a empolgação de Chris quando descobre que já tinha um rap, em coreano, escrito especialmente para integrar os versos de “My Universe”. A obra também mostra que na iminência de conhecer o BTS ele já sinalizou o interesse de cantar um pouco em coreano.

Chris Martin e BTS têm primeiro encontro. Youtube/Reprodução

O que também é empolgante, entre as imagens dos bastidores, é o registro do momento em que Chris conhece os meninos do BTS e é recebido com muita animação por todos. Os sete integrantes do grupo demonstraram muita admiração pelo vocalista do Coldplay e fizeram declarações como: “Para mim ele é o rei de shows em estádio”; “Ele teve uma grande influência em minha vida”; “Fiquei fascinado quando uma celebridade tão grande estava disposta a colaborar com a gente”; “Muitas das canções deles (Coldplay) se tornaram parte da cultura moderna”; “Na verdade, eu estava curioso sobre como seria o encontro com ele. Eu já tinha ouvido o quanto ele é humilde, pé no chão e puro de coração. Ele não parece carregar nenhum tipo de preconceito”; “Ele é simplesmente um cantor lendário, ele impacta as outras pessoas de maneira positiva através da sua mentalidade, ele é muito admirável”.

Do lado do BTS há uma grande celebração pela união dos dois mundos. “Essa música é sobre criarmos algo juntos, por isso valorizamos tanto que o Chris tenha vindo gravar ao nosso lado”, afirmam. A troca de elogios é constante e recíproca. Do lado do Coldplay, Martin afirma que gosta muito das músicas do BTS. “Primeiro porque elas têm uma produção incrível e geralmente estruturas e melodias bem diferentes de outras músicas que já ouvi”, confessa Chris, acrescentando que a canção “Mic Drop” seria um bom exemplo dessa inovação do BTS. “Não é algo que a gente poderia fazer, então eu admiro porque é uma habilidade totalmente diferente (…) Tem sido muito legal ver o grupo pessoalmente e conhecer a personalidade de cada um. É ótimo perceber como cada um é tão único individualmente e, mesmo assim, como ainda funcionam tão bem como um grupo”, comenta Chris.

O documentário mostra momentos em que trabalham para adicionar coreano na letra. YouTube/Reprodução

Com diversos momentos da gravação do single expostas no documentário, percebemos que as inseguranças de um primeiro contato somem à medida que os dois lados se conhecem mais. Em certo momento, Jungkook comenta que estar na presença do vocalista do Coldplay era como estar no estúdio pela primeira vez, pois Chris Martin estaria ali dirigindo a gravação e ele tinha medo de bagunçar tudo. Mas, ao assistir à gravação, Chris Martin ficou muito contente com o resultado e disse que ele é muito impressionante. Como resposta, ele ouviu um “obrigado” animado de Jungkook.

Por trás dos elogios ao BTS está o fato de que Martin valoriza muito o impacto cultural deles. O grupo realmente não é uma boy band tradicional e eles defendem isso no documentário. “Bandas de rock tradicionais usam instrumentos como parte de suas performances, mas a gente usa a dança”.

Com o desejo de misturar os dois mundos, Chris Martin sugeriu dividir os vocais do refrão com Jin e Jimin, o que também ganha destaque no documentário e revela um momento interessante em que os dois lados compõem e adicionam vozes no estúdio.

Registro de momentos de gravação de “My Universe”. Youtube/Reprodução

Ao longo dos quase 13 minutos de documentário, fragmentos das entrevistas com os integrantes do BTS nos contam como o Chris defendeu sua própria composição. O vídeo revela, por exemplo, que Martin escreveu a música pensando que Coldplay e BTS poderiam ser representantes (de diferentes partes) da Terra, mas com a esperança de mostrar que é possível se juntar para construir um ‘novo universo’ (com todo o amor e união que a os versos da música entregam). Para o vocalista do Coldplay foi importante construir tudo em conjunto, partindo de A e chegando a Z, para que tudo se juntasse da melhor maneira possível no final.

A produção audiovisual também revela que Chris disse ao BTS que é uma música muito pessoal para ele. Na época em que os dois lados estavam em estúdio, Martin se sentia, em parte, frustrado por não poder tocar ao vivo por conta da pandemia. Isso provocou no BTS uma reflexão de como eles gostariam de ter a oportunidade de reunir os Armys (como são chamados seus fãs) para cantar “My Universe”. A música, então, funciona como uma homenagem dedicada aos fãs do grupo – uma ligação que é celebrada no documentário.

Os dois lados trabalhando juntos no estúdio. YouTube/Reprodução

Outro momento feliz do documentário está nas imagens que mostram Chris e BTS gravando as vozes que integram o refrão de “My Universe”. Em um círculo, eles se divertem e mostram a harmonia entre as oito vozes. Enquanto Chris Martin usa um casaco com o texto “BTS Crew” (como se integrasse a equipe técnica do grupo), do lado do BTS eles usam os ‘love buttons’ e casacos da loja oficial do Coldplay. Há elogios sobre Chris cantar com o coração e com um sorriso no rosto e uma reflexão que aponta para a vontade de ambos os lados de se juntar para uma apresentação ao vivo. “Seria um ótimo momento para sacudir todo o estresse que a pandemia trouxe”.

Chris Martin e BTS gravam o refrão de “My Universe”. Youtube/Reprodução

Provando o quanto a colaboração é significativa para ele, Chris ainda fala sobre o impacto que o BTS tem na indústria. “Eu acho que é muito especial que os artistas mais populares do mundo cantam em coreano. Isso faz eu me sentir muito esperançoso e faz eu pensar no mundo como uma só família. Além disso, quando você vê como eles são como pessoa e escuta  a música do grupo, fica claro que há uma mensagem de união e um reforço do quanto é importante que as pessoas sejam elas mesmas. Todas as coisas com as quais eu concordo”, afirma Chris.

Chris Martin e BTS gravam o refrão de “My Universe”. Youtube/Reprodução

Em um dos momentos finais do documentário, o vocalista do Coldplay afirma que aquele momento representa um sonho realizado. “Eu imaginei isso na minha cabeça por mês e agora estamos aqui”, comemora, adicionando que o resultado da parceria mostra o poder do amor. “Essa música mostra como o poder do amor transcende todas as coisas, todas as fronteiras, regras, gêneros, raça e sexualidade. É sobre olhar para pessoas que estão separadas por fronteiras e/ou que não podem estar juntas, mas entender que nada pode impedir as pessoas de se amarem”, conclui.

Chris Martine BTS no estúdio. Youtube/Reprodução

O documentário “Inside My Universe”, que conta com imagens da performance de “Viva La Vida” gravada para o “Live in São Paulo”, marca uma das datas do cronograma de divulgação do single – que continua a todo vapor. Amanhã, dia 27 de setembro, às 20h (horário de Brasília), chega às plataformas digitais a versão acústica da colaboração com o BTS, além de um remix intitulado “Supernova 7”. Nos próximos dias, ainda será lançado um clipe dirigido por Dave Meyers.

Vitor Babilônia

Vitor Babilônia é Editor-Chefe do Viva Coldplay e Roteirista da Rede Globo. Sua formação passa por instituições como Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Vancouver Film School. Ele é fã da banda desde 2004.

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