Chris Martin conta que Beyoncé inspirou nova música do Coldplay

Em entrevista para a Entertainment Weekly, o vocalista se juntou ao baterista do Coldplay para falar sobre o processo que deu vida ao novo álbum galáctico da banda

12 outubro, 2021

Lá atrás, quando o Coldplay foi formado, o vocalista Chris Martin zombou da ideia de um dia trabalhar com um produtor de música pop como Max Martin. “Eu costumava falar: ‘nós nunca vamos trabalhar com alguém assim. De jeito nenhum’”, lembra o cantor durante uma tarde recente em que ele estava em Malibu e concedeu uma entrevista ao veículo Entertainment Weekly (EW). A seguir, o Viva Coldplay apresenta a tradução em português da entrevista.

A aproximação de Max Martin

O posicionamento do cantor parece um pouco difícil de acreditar, ainda mais se considerarmos a trajetória de uma banda como o Coldplay – que se apresentou no Super Bowl e vendeu mais de 100 milhões de discos em todo o mundo. O grupo é um dos poucos que pode esgotar ingressos de shows em estádios, indo de Seul a Chicago. Mas a banda viveu um período, antes de seu grande sucesso, em que funcionava apenas como alguns amigos fazendo um “indie rock” suave. Até mesmo em 2007, já uma banda multiplatinada, a ideia de trabalhar com Max Martin ainda parecia distante. “E então eu comecei a mudar de ideia gradualmente. Eu pensei ‘eu realmente gosto de ‘Hot N Cold’ (da Katy Perry) e eu gosto de ‘Shake It Off’ (da Taylor Swift)’. Então eu comecei a observar, com melhores olhos, as tantas músicas que ele produziu e co-escreveu”, contou Chris Martin.

Chris começou a ter uma relação com Max Martin quando eles se cruzaram em um show da Rihanna. “Ele foi o cara mais doce”, conta o vocalista do Coldplay sobre o encontro. O momento foi essencial para Chris convidar Max para produzir uma faixa do mais recente álbum do Coldplay indicado ao Grammy, “Everyday Life”, e a totalidade do Music of the Spheres. Sobre a escolha do produtor para assinar todas as faixas do álbum que a banda lançará em breve, Will Champion comentou: “todos os caminhos nos levaram a Max”.

Enquanto “Everyday Life” foi uma oportunidade da banda se despir dos sons radiofônicos que costuma lançar, o vindouro “Music of the Spheres” tem um escopo mais ampliado. “A ideia era começar a nos imaginar como outras bandas atuando através do universo”, explicou Chris. Na sequência, Will Champion também defendeu sua ideia do que o álbum é. “Nós estávamos tentando diminuir um pouco o zoom e, assim, usar o universo e o cosmos como uma metáfora para as dificuldades e maravilhas que coexistem aqui na Terra… Existe uma possibilidade infinita de variações quando se trata de vida. Por isso, nós pensamos: ‘Como seria se a nossa música se expandisse evoluísse a partir de um planeta diferente?’”, compartilhou Champion.

As harmonias de Jacob Collier

O espaço pode até ser o grande protagonista entre as esferas (que compõem o sistema solar fictício criado especialmente para o álbum “Music of the Spheres”), mas a narrativa do álbum ainda está alinhada com o disco “Everyday Life” (lançado pelo Coldplay em novembro de 2019). Isso quer dizer que as músicas ainda falam sobre encontrar alegria, navegar em um período em que o seu coração está quebrado, se apaixonar e mais. Isso coincide com as participações de We Are KING e Jacob Collier na faixa “Human Heart”, que explora as perspectivas masculina e feminina diante de estar amarrado às emoções.

“Eu mandei a demo para o Jacob e ele me mandou de volta cerca de 17 faixas, com harmonias incríveis”, conta Chris, acrescentando que ele só conseguia pensar que o material era tão bom que ele já poderia mostrar para Will Champion – que é conhecido como o membro mais ‘exigente’ do Coldplay. “Will achava que a primeira metade da música era ótima, mas não gostava da segunda. Então ele me disse: ‘Podemos apenas repetir a primeira metade, mas com uma perspectiva feminina?’”, revelou o vocalista, acrescentando que hoje o baterista define  “Human Heart” como o coração pulsante dentro do “Music of the Spheres”.

Embora o som do novo álbum da banda tenho tons interestelares, ele permanece baseado no som pop que Max Martin cultivou por mais de 25 anos, incluindo refrões brilhantes e uma sonoridade cativante (o produtor, como de costume, recusou ser entrevistado para a matéria do EW). “Nós não estamos tentando fazer um som complementar a Star Wars”, brinca Chris Martin, acrescentando que o produtor sueco fez a banda trabalhar arduamente. “Eu tive que fazer uma espécie de audição (como calouros em programas como o The Voice) para ele avaliar as minhas músicas”, revela Chris. “Claro que ele faz as músicas soarem muito melhor mesmo quando ele recebe apenas o esqueleto inicial delas. Ele simplesmente tem esse dom”, opina o vocalista do Coldplay.

Max Martin é apenas uma das várias estrelas pops que compõem a ficha técnica do novo álbum do Coldplay – que também conta com as participações de BTS e Selena Gomez.

O caminho em comum com o BTS

“A mensagem que chegou para mim inicialmente foi: ‘O que você acha sobre o BTS? Eu estava me perguntando se você poderia ter uma música ideal para colaborar com eles’”, relembra Chris, que pouco depois viajaria para a Coreia do Sul para trabalhar em uma parceria que logo no início demonstrou potencial para chegar no topo das paradas. Mas o vocalista do Coldplay admitiu à EW que, inicialmente, trabalhar com estrelas do K-pop provocou nele uma reação de ‘velha guarda’, a mesma coisa que ele sentiu antes de trabalhar com Max Martin. “O meu pequeno lado indie estava, lá dentro da minha cabeça, falando algo como: ‘Não trabalhe com boy bands’. Mas então eu pensei: ‘quem está falando comigo é o meu eu de 1998’. Eu quero dizer, hoje as coisas são diferentes e eu realmente gosto do grupo (BTS). O K-pop é muito diferente do que estamos acostumados, é algo que faz parte de um processo bem disciplinado. Mas, dentro desse processo, estão esses sete meninos que são realmente amigos e que são uma banda, assim como nós. Não é diferente”, defendeu Chris.

A inspiração em um show da Beyoncé

BTS não foi a única força do pop a contribuir com a criação do novo álbum da banda; Beyoncé acabou tendo uma influência indireta na agressiva “People of the Pride”. Isso aconteceu depois que Chris viu a estrela se apresentando no festival Global Citizen. “A abertura de ‘Pride’ veio originalmente de Beyoncé. Eu estava assistindo ao show dela e pensei: ‘meu Deus, que música ela vai cantar?’, e então ela simplesmente parou e emendou em outra canção. Depois do show eu perguntei a ela: ‘que música era aquela?’ e ela me respondeu: ‘Eu não sei, era apenas algum interlúdio’.”

Agora sabemos, portanto, que a 7ª faixa do álbum “Music of the Spheres” nasceu de um interlúdio de um show da Beyoncé – o que quer dizer que um pequeno trecho de uma música instrumental, que Beyoncé usou para preencher o espaço entre uma canção e outra, inspirou uma das faixas mais aguardadas do novo álbum do Coldplay.

Vitor Babilônia

Vitor Babilônia é Editor-Chefe do Viva Coldplay e Roteirista da Rede Globo. Sua formação passa por instituições como Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Vancouver Film School. Ele é fã da banda desde 2004.

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