Telescope Lens #2

04 fevereiro, 2011

Leia nessa edição do Telescope Lens a tradução do segundo e-zine (clique aqui para baixá-lo), que traz mais informações sobre o Make Trade Fair, o perfil do Jonny e uma entrevista com Jeff Dray. O Make Trade Fair (Comércio com Justiça) é uma campanha da Oxfam, organização internacional que luta por regras mais leais no comércio entre nações de primeiro e terceiro mundo. Jeff Dray, na época de publicação do e-zine 2 (maio de 2002) era tour manager da banda. Segundo uma matéria da IQ Magazine, quem tem feito este trabalho é Andy Franks.

Boa leitura!

Vocês devem ter notado o link para o MAKE TRADE FAIR na página inicial [do Coldplay.com], que dá acesso a uma seção de notícias dedicadas aos esforços da Oxfam e às suas últimas campanhas.

O Coldplay está envolvido na nova cruzada da Oxfam para o Make Trade Fair. Até o momento, o apoio incluiu uma visita de Chris ao Haiti e também uma participação em um evento na Trafalgar Square, onde ele cantou “Many Rivers To Cross”. O seu envolvimento vai continuar ao longo dos 3 anos de campanha.

A campanha foi lançada no momento em que 144 países da Organização Mundial do Comércio começam a trabalhar em um novo cronograma de negociações que determinarão o modo por que o comércio mundial será regulado no futuro. A Oxfam está clamando por uma mudança radical nas regras do comércio mundial nos padrões do primeiro mundo.

Existe um link no site [Coldplay.com] onde você pode encontrar mais informações e se unir a uma grande comunidade virtual e ao Big Noise. O Make Trade Fair está confrontando a União Européia e outros países ricos que estão ludibriando o mundo todo ao enriquecer 100 bilhões ao ano, através do estabelecimento de regras para o comércio global com vistas a proteger seus próprios mercados. A Oxfam diz que essa fraude em nível global enfraquece o impacto da ajuda do ocidente. “Para cada 1 dólar doado, 2 são roubados de países pobres através de práticas comerciais desleais. A tragédia é que o comércio mundial poderia tirar milhões de pessoas da pobreza. Mas as regras comerciais são projetadas e manipuladas para negarem às pessoas pobres a melhor saída para escapar da pobreza”, disse a diretora da Oxfam, Barbara Stocking. “O fosso entre ricos e pobres é o maior da história. A ira crescente entre as pessoas sendo deixadas para trás pela globalização ameaça a todos nós. Isso não pode continuar acontecendo desenfreadamente”.

Dez fatos sobre a globalização do comércio mundial e a distribuição da riqueza

  1. Entre 1988 e 1993, 5% dos países mais pobres do mundo perderam quase um quarto da sua renda. Durante o mesmo o período, 5% dos países mais ricos aumentaram a sua renda em 12%.
  2. Para cada 100 dólares gerados pelas exportações mundiais, $97 vão para os países de alta e média renda e apenas $3 vão para países de baixa renda.
  3. Para cada dólar doado a países pobres, dois dólares são perdidos em função da deslealdade das negociações e do comércio injusto. Isso quer dizer que, a cada ano, as nações mais pobres perdem $100 bilhões.
  4. Se a África, o Leste e o Sul da Ásia e a América Latina aumentassem sua participação nas exportações mundiais em apenas 1%,128 milhões de pessoas poderiam sair da pobreza.
  5. Um aumento de 1% na participação da África no comércio mundial geraria $70 bilhões, o que é cinco vezes mais do que é doado ao continente para reduzir a sua dívida.
  6. Mais de 40% da população mundial vive em países de baixa renda e, no entanto, essa parcela representa apenas 3% do comércio mundial.
  7. Os impostos sobre importações que os países ricos impõem aos países pobres são, em média, quatro vezes superiores aos impostos sobre importação pagos pelos países industrializados.
  8. A África perde o equivalente a 50 centavos para cada dólar que recebe em auxílio, por causa da queda dos preços pagos pelas suas commodities.
  9. Os preços pagos ao cafeicultores caíram 70% desde 1997, custando aos exportadores dos países pobres $8 bilhões.
  10. Os países ricos gastam $1 bilhão por dia em subsídios agrícolas. Os excedentes são exportados no mercado mundial. Isso provoca uma queda violenta nos preços, diminui o rendimento dos agricultores em países pobres, e causa a sua falência.

Perfil: Jon Buckland

Data de nascimento: 11 de setembro 1977 (Idade atual: 24)
Irmãos: 1 irmão.
Local de nascimento e além: Nasci em Londres e me mudei para norte do País de Gales aos quatro anos.
Equipe de futebol / rugby: Tottenham Hotspur.
Primeiro disco que comprou: Seven and the Ragged Tiger, do Duran Duran.
Instrumentos: Comecei a tocar guitarra com 11 anos.
Primeira banda de que fez parte: The Superkings, uma banda de rock psicodélico.
Heróis musicais: Kevin Shields, George Harrison, Bob Dylan, Gram Parsons, Keith Richards, Ian Brown, Aretha Franklin, Shaun Ryder, Nick Cave, Bjork.
Melhor show do Coldplay/show  preferido do Coldplay: Radio City, Nova Iorque, 2001.
Melhor música do Coldplay/música preferida do Coldplay: Chicago, em dezembro, ou o T in the Park ou o de Atlanta, no Tabernacle [casa de espetáculos].

Entrevista com o diretor de turnê JEFF DRAY

Na qualidade de tour manager [algo como diretor de turnê] de longa data do Coldplay, Jeff viaja por todo o mundo, mas ele não é tão glamuroso quanto podia parecer, apesar de, obviamente, ele poder contar vantagem.

Um Tour Manager trabalha arduamente nos bastidores, desde o estágio de preparação, antes de pôr o pé na estrada, para não mencionar a agenda agitada e as cansativas longas horas da turnê. Eu pus o papo em dia com o Jeff durante a sua folga para saber mais sobre o seu papel na equipe do Coldplay.

O que exatamente faz um tour manager?
Antes da turnê, eu organizo transporte e alojamento, discuto contratos, converso com promotores, estabeleço vínculos com gravadoras, empresários e agentes. Com a ajuda do meu gerente de produção [production manager], administro os afazeres da equipe, entro em contato com fornecedores – luzes, sistema de som, caminhões, bufê, organizo o itinerário, procuro garantir que toda a documentação, vistos, seguro, licenças, etc estejam em ordem e trabalho no orçamento. Durante uma turnê, a minha preocupação principal  é que a banda esteja satisfeita; também lido com as atividades de divulgação deles – entrevistas, etc. Tenho que garantir que tudo ocorra conforme agendado e orçamentado. Eu lido com todos os problemas cotidianos de uma turnê – sendo que as listas de convidados são a maior dor de cabeça de todas – e sou responsável pelo pagamento de taxas.

O quão diplomático você tem que ser para manter a compostura durante os picos de estresse?
Diplomacia é fundamental – não há razão nenhuma para incomodar as pessoas desnecessariamente, isso simplesmente deixaria a todos nervosos. Eu sempre me mantenho calmo e nunca me estresso – pergunta para a equipe!

As diferenças de fuso-horário e os vôos longos devem causar um belo estrago no seu relógio biológico. Como você mantém o ritmo?
Eu nunca tive um trabalho de expediente tradicional e que permitisse um padrão normal de sono – eu costumava ser um chefe de cozinha, antes de ser seduzido pelo Rock’n’Roll – então, a dica é se adaptar a qualquer fuso horário em que você esteja. A capacidade de dar uma cochilada em qualquer lugar e em qualquer hora ajuda, tanto quanto o consumo liberado de Red Bull.

É muito diferente fazer turnê nos Estados Unidos, considerando a distância a percorrer?
Quando estamos nos Estados Unidos, costumamos pegar muito mais vôos domésticos e tivemos de aprender a amar o nosso ônibus de turnê.

E a Austrália: como foi o Big Day Out?
O Big Day Out é um festival itinerante que vai para todas as principais cidades australianas – palco, sistema de som, luzes e tudo o mais ficam armados em uma única cidade pelo dia inteiro; em seguida, empacotamos tudo de novo, para deixar todo o equipamento pronto para a próxima apresentação. Este processo demora vários dias e é por isso que às vezes, ele é conhecido como “o grande dia de folga” [the big day off].

Todas as bandas se hospedam nos mesmos hotéis, viaja nos mesmos vôos e compartilha as mesma instalações dos bastidores, o que significa que você fica conhecendo as pessoas muito rapidamente. O fato de o Lilypad – um bando de DJs australianos muito loucos – darem festas com freqüência também ajuda bastante. O festival acontece em janeiro – no auge do verão australiano – quando todos estão na Inglaterra estão sofrendo com frio e umidade, predicados que, para mim, só servem para uma bebida. Tivemos um tempo fantástico no ano passado e mal podemos esperar para ir de novo no que vem.

Qual foi o seu maior desastre na estrada?
Meu maior desastre foi, depois de um show, sair festejando com 3 moças em Leeds [cidade inglesa] e voltar para o ônibus na hora em que eu pensei que tínhamos marcado, só para descobrir que já tinham ido embora – parabéns, campeão! A bateria do meu celular tinha acabado completamente, boa parte do meu dinheiro tinha acabado, os meus cartões de crédito estavam na minha bolsa no ônibus e eu tive que ficar me de Leeds para Dudley [cidade inglesa] às 3 da manhã.

Há alguma data ou show particularmente memorável
Estar na Sicília ao receber a notícia de que Parachutes tinha ido para o topo das paradas. O Big Day Out e o V Festival de 2000, quando todos foram ver a banda no segundo palco, havia tantas pessoas quanto era possível conceber, todos cantando junto com a música; eu me senti como se o Coldplay tinha finalmente chegado lá – havia lágrimas nos meus olhos.

O Coldplay não tem a reputação estereotipada de uma banda de rock’n’roll, então isso deve querer dizer que o seu trabalho não deve incluir nada muito excessivo.
Nada além de fretar aviões intercontinentais para levar o Will e o Chris para partidas de críquete, manter o fornecimento infinito de eletrônicos do Guy e, é claro, há o fetiche do Jonny…

Você consegue pelo menos dar um passeio pela cidade ou é só trabalho?
A maioria dos passeios que conseguimos fazer é quando o show termina – isso quer dizer que eu consigo te guiar pela maioria dos bares e restaurante que ficam abertos de madrugada, em qualquer cidade em que eu já estive.

Do que você sente mais falta durante a turnê?
Dos amigos e da irresponsabilidade.

E qual é a primeira coisa que você faz quando volta para casa?
Pôr a chave na porta!

Obrigada ao Jeff pelo tempo da entrevista!

Telescope Lens #1

Não dissemos na edição anterior, mas os e-zines são redigidos por Debs Wild.

Confira aqui os demais e-zines.
Download de todos os e-zines: 
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See you soon

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