Jon Hopkins fala sobre o trabalho com o Coldplay

17 julho, 2010

Em junho, o fã-site italiano Coldplayzone publicou uma entrevista exclusiva que fez com Jon Hopkins, músico que já trabalhou com o Coldplay. Confira a tradução em “leia mais”.

A incrível disposição que Jon Hopkins estendeu ao Coldplayzone tornou essa entrevista especial desde o seu começo. Nos sentimos muito orgulhosos e honrados por termos tido contato com ele e por ter mais uma prova de sua grandiosidade e relevância artística. Muito obrigado, Jon!

Olá, Jon! É uma grande honra e um grande prazer por o Coldplayzone poder te entrevistar. Tudo bem?
Olá. Muito obrigado. Estou bem. Estou voltando de um show que acabei de fazer em Montreal e que foi muito divertido.

Os fãs do Coldplay têm uma grande dívida com você, pelo microcosmo de ideias que você desenvolveu durante a produção do ‘Viva La Vida Or Death And All His Friends’. Seu principal gênero musical – música eletrônica – não estava relacionado com as ideias da banda no começo da carreira dela. Até que ponto o relacionamento com o Brian Eno e a confiança da banda em suas habilidades muisicais influenciaram na fusão de sonoridades tão diferentes?
Acho que a banda e o Brian estavam tentando expandir os horizontes musicais com que eles acabaram se acostumando nos outros álbuns. Eles estavam interessandos em explorar novas maneiras de trabalhar e, particularmente, na ideia de trabalhar com novos músicos, quebrar a rotina daquilo com que eles acabaram se acostumando.

Durantes as sessões de gravação, como a música eletrônica entrou em jogo nos primeiros passos da elaboração das músicas? Como esse processo de fusão afeta os dois estilos musicais?
Nossa colaboração começou comigo tocando teclado e coisas do tipo enquanto a banda ia tocando as músicas, as quais, àquela altura, estavam apenas parcialmente prontas. É difícil dizer o quanto isso influenciou na composição posterior, mas foi legal ver que partes com que eu havia contribuído acabaram sobrevivendo até o final da produção.

Em ‘Viva’, a sua contribuição e trabalho podem ser sentidos em mais aspectos do que aqueles relatados no encarte do CD. Na introdução de ‘Life In Technicolor’ e na parte principal de ‘The Escapist’, o seu estilo pode ser identificado muito claramente, mas a maioria das pessoas não sabe que a introdução de ‘Violet Hill’ é sua (você trabalhou nela junto com o Davide Rossi), bem como algumas notas de órgão e teclado. Qual foi a parte mais difícil de você trabalhar?
Nenhum elemento particular foi mais difícil do que o outro, mas eu tive diferentes graus de responsabilidade em cada música e, por isso, eu devo ter sentido diferentes graus de pressão correspondentes. Prospekt’s March em particular, uma das músicas que eu co-produzi, foi, em grande medida, responsabilidade minha, em termos de sons e arranjos, então eu lembro de ter ficado trabalhando até tarde nela.

Você poderia nos falar mais sobre a introdução de ‘Violet Hill’? Como ela nasceu? Mas, mais do que isso, o que o Brian Eno pensou ao ouvi-la, considerando que os elementos sonoros desses 34 segundos estão vinculados a música ambiente, uma especialidade dele no passado?
Ela surgiu quando o Davide Rossi e eu estávamos improvisando juntos no estúdio e, apesar de a gente não ter sabido disso na hora, o Chris e o Rik [Simpson] estavam ouvindo e gravando o que a gente estava fazendo. Voltamos para a sala de controle e demos de cara com eles realmente empolgados com a sonoridade final. Eu nunca conversei com o Brian sobre isso, ele não estava lá na hora.Eu não sei o que ele pensa a respeito.

O encarte oficial do álbum fala de um aspecto de que você foi particularmente responsável: as cores [the ‘colouring’]. O que é isso exatamente?
Essa foi a palavra com que o Chris e eu usamos para descrever os elementos com que eu contribuí e que não podem ser muito facilmente descritos com uma palavra comum. Eram elementos de atmosfera ou processos que eu acrescentei aos instrumentos que a banda estava tocando, coisas do tipo.

O Coldplay deu a oportunidade para as pessoas escutarem a sua música, te chamando para abrir os shows, umas 15 vezes, no mínimo. Qual dessas apresentações foi a mais incrível para você? E que tipo de atmosfera você sentiu antes e depois do show?
Acho que foi bem mais do que isso. Eu toquei em duas turnês nos Estados Unidos, uma no Japão e em toda a turnê pelo Reino Unido. Acho que a turnê japonesa foi  a mais agradável. Eu nunca tinha estado lá e sempre fui fascinado por diferenças culturais. Além do mais, o Davide Rossi acompanhou a gente nessa turnê e subiu no palco comigo.

Com o pingue-pongue, as centelhas, o playstation e os botões para costurar os uniformes, os bastidores devem ter sido marcados pelo caos e pela correria. Você se lembra de algum episódio em particular que chamou a sua atenção?
Na verdade, não, já que eu passava boa parte do tempo nervoso e tentando me concentrar antes do shows – e, depois do meu show, eu tinha que tocar como DJ antes de a banda subir no palco. E, depois, eu só ficava assistindo o show. Apesar de os bastidores estarem sempre movimentados, com as pessoas correndo para todo lado, o camarim da banda estava sempre calmo.

Por meio dessa experiência feliz, você conheceu um grande colega de trabalho, o Davide Rossi. O que você pode falar dele, na qualidade de músico e de amigo? Como a sua abordagem mudou quando vocês trabalham juntos e sozinhos?
É muito divertido trabalhar com o Dav. Eu conheço pouquíssimas pessoas que trabalha tão duro e em tão alto nível. Trabalhamos juntos em alguns projetos desde então e ele me acompanha no palco sempre que possível. Quando estamos trabalhando no mesmo projeto, a gente costuma trabalhar em lugares diferentes, mas sempre mostramos nossos trabalhos um para o outro. Em geral, parece que a gente se comunica intuitivamente por meio da música.

Dê um adjetivo para descrever Chris, Jon, Will and Guy…
Eles são caras muito legais e é ótimo trabalhar e se divertir com eles.

Sabemos que você gosta de ‘Politik’. Além da primeira faixa de ‘A Rush Of Blood To The Head’, quais outras três músicas do Coldplay que fazem parte da sua lista de preferidas?
Provavelmente Death And All His Friends, Glass Of Water e Yellow.

Vamos falar de você, agora. O Jon Hopkins se tornou um músico oficialmente aos 5 anos, quando você começou a brincar com o piano. Mais tarde, você estudou na ‘Royal College Of Music’, em Londres. Depois disso, as suas esperiências de aprendizagem começaram a mudar. Como você migrou de sua educação “clássica” e acadêmica para a música eletrônica?
As duas coisas se desenvolveram independentemente, mas ao mesmo tempo – comecei a me interessar bastante por música eletrônica na mesma época em que estava estudando piano e acabei largando as aulas de piano para enfocar nas composições com música eletrônica.

Todo artista tem suas influências. Quais são as suas?
Acho que a mais óbvia é o Brian. Sou fã dele já faz bastante tempo. E também incluiria artistas da música eletrônica, como Plaid, Four Tet, Nathan Fake, coisas do tipo.

Quando você começou a se dar conta que as coisas estavam mudando no seu trabalho, passando de uma carreira incerta e prematura para o sucesso que você está vivenciando agora?
Acho que algo que me fez perceber que as coisas estavam mudando foi quando eu passei uma semana trabalhando no Viva em Los Angeles, só com o Chris. Nós trabalhamos no lado eletrônico de Prospekt’s March e de The Escapist. Foi apenas algumas semanas depois de eu ter começado a trabalhar coma banda, então a sensação foi de algo novo e de estranheza. Antes disso, eu estava acostumado a trabalhar em estúdios pequenos, sozinho – e, do nada, eu estava trabalhando em Los Angeles, junto com uma das maiores bandas do mundo. Foi surreal, mas incrível.

Como você se sente quando está compondo as suas músicas?
Em geral, bastante empolgado. Pouquíssimas coisas superam a sensação de quando você sabe que alcançou alguma coisa em uma música nova.

Alguns de seus álbuns alcançaram um grande sucesso no âmbido da música eletrônica. Qual deles você acha que representa melhor o seu trabalho até o momento?
Insides, definitivamente. Na minha opinião, ele tem muito mais profundidade e contraste que os dois álbuns anteriores.

O que você acha da Itália e da receptividade dos italianos?
Adoro tocar na Itália. Tive bastante sorte por poder ter tocado aí diversas vezes nos últimos meses. Sempre achei o público italiano muito caloroso e receptivo. Estou sempre ansioso por voltar.

Faz pouco tempo, você fez perfil no Facebook e no Twitter. Você acha que as redes sociais virtuais podem ajudar a perceber melhor o apoio dos fãs ao redor do mundo? Um deles até postou um vídeo no YouTube com um remix de ‘Light Trough The Veins’, ‘Life In Technicolor’, ‘Life In Technicolor ii’ e ‘The Escapist’…
Sim, eu acho que o Facebook é uma maneira muito fácil de se comunicar diretamente com as pessoas interessadas em música. Não ouvi o remix, mas vou dar uma conferida.

Você colaborou com grandes artistas, como Coldplay, Brian Eno, David Holmes, Imogen Heap, e King Creosote, além de ter remixado Four Tet, Wild Beasts, Frou Frou e muitos outros. Você pode falar um pouco dos seus projetos futuros? E você vai estar creditado no quinto álbum do Coldplay?
Acabei de finalizar a primeira trilha sonora que fiz sozinho. Foi para um filme chamado ‘Monsters’, que vai estreiar daqui a alguns meses. Estou muito empolgado. É um filme incrível. Além disso, estou tentando começar o meu quarto álbum solo. O Chris me pediu para trabalhar no próximo álbum, mas ainda não sei quando isso vai acontecer.

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