Arthistory #1 e #2

15 julho, 2010

No dia 10 de junho, o Coldplay.com começou a publicar uma série de entrevistas especiais com os artistas responsáveis pelas capas dos álbuns e EPs da banda. A série se denomina Arthistory. Confira abaixo as entrevistas já lançadas no site, as duas com John Hilton (capas de Safety e Brothers and Sisters).

Art history #1 (Safety EP)
10 de junho de 2010

Bem-vindos à primeira edição de uma nova série de entrevistas aqui no Coldplay.com, em que conversaremos com os designers por trás das capas dos singles e álbuns da banda, tentando descobrir a história por trás delas.

Começamos com o primeiríssimo lançamento do Coldplay, que foi financiado por eles mesmos, o EP Safety. Somente 500 cópias dele foram lançadas, o que aconteceu em maio de 1998. Sua capa foi projetada por um amigo da banda, John Hilton. Leia o que ele tem a dizer logo abaixo dessa bela e ampla imagem da capa…

Olá, John. Foi você quem desenhou as primeiras duas capas do Coldplay.
Pois é. A do Safety e a do Brothers and Sisters.

Como você conheceu eles?
Eu era amigo do Jonny na escola. A gente tinha uma banda junto no colegial. Quando ele se mudou para Londres para fazer faculdade, eu me mudei para Birmingham para fazer uma curso de arte. Eles começaram a banda e, às vezes, eu aparecia lá, para fazer uma visita nos dormitórios. Naquela época, eu estava fazendo fotografia, então eu ficava tirando um monte de fotos deles quando eles começaram.

E como foi que você acabou fazendo a capa do EP Safety?
O curso que eu estava fazendo era um curso de arte comercial, então eu perguntei se podia fazer a capa de um disco para um dos meus projetos. E eles ficaram felizes em aceitar. Naquela época, ninguém pensou que eles chegariam em algum lugar, então ninguém ficou muito preocupad0!

Do que se trata a fotografia?
É só uma foto que eu tirei do Chris. É só uma foto muito, muito borrada. E a parte em que está ‘Safety’ simplesmente veio do que já estava escrito no filme. Eu não fiz nada além de usar o negativo na impressão.

É daí que vem o título?
É, acho que sim. Eles ficaram contentes em deixar o ‘Safey’ bem ali. Ou seja, o nome veio da foto.

Onde foi tirada essa foto do Chris?
Provavelmente em uma apresentação no Laurel Tree, em Londres.

Ela é borrada assim intencionalmente?
Bom, tinha um monte de fotos, todas em preto e branco. Tinha as borradas e as boas, mas essa ficou esquisita de um jeito legal. Acho que, na hora, a minha justificativa era fotografar ele se mexendo freneticamente de um lado para o outro no palco. Além disso, a foto combinava com aquele estilo sombrio, meio Radiohead, que todo mundo estava curtindo naquela época.

Você também criou o logo do Coldplay?
Eu não me lembro muito bem quem foi, mas pode ter sido eu, sim.

Você tinha outras ideias para a capa?
Eu acho que tem um caderno de rascunhos, cheio de outras ideias. Tinha ainda mais ideias para o Brothers and Sisters. Em algum lugar, tem um caderno inteiro em que Chris e os caras escreveram comentários sobre cada imagem, dizendo “Não, eu não gosto dessa; é assustadora demais” e coisas do tipo. E, no fim, eu fui filtrando até chegar em uma que eles gostassem.

Naquela época, eles já levavam a banda a sério?
Com certeza. Já naquela época eu achava que eles iam fazer um grande sucesso. E eu falei sobre eles para todos os meus colegas de faculdade. Lembro que, quando eles começaram a fazer sucesso de verdade, eu ficava falando “Tá vendo? Eu disse!”. Parecia que, onde quer que eles fossem, eu iria atrás deles para por cartazes no In The City ou em qualquer lugar do gênero. Era óbvio que eles eram muito bons, mas se eles teriam aquele lance de sorte ou não era outra história. Com sorte, eles tiveram.

Eles foram muito exigentes com a capa do Safety?
Não, eles foram bem tranquilos com essa. Com a segunda, foi um pouco mais difícil.

O Safety vale um bom bocado de dinheiro agora.
É. E adivinha só: eu mesmo não tenho nenhum! Naquela época, o meu pai ficava me falando para pedir várias cópias, mas eu achei que seria falta de educação! Mas eu costumava ter algumas cópias no meu portfólio quando eu estava tentando arranjar um emprego de designer gráfico. Ao mesmo tempo, eles estavam começando a ficar grandes, então foi uma boa chance de conseguir empregos na área de design. É claro que as minhas duas capas não são as mais maravilhosas do mundo, mas elas realmente me ajudaram a conseguir uns empregos! Mas, como consequência, eu acabei quebrando a caixinha de todos os meus CDs e os CDs eles mesmos se perderam em lugares diferentes, então eu acabei sem nenhum.

Comprar outro vai te custar um bom preço.
É o que parece. Ouvi dizer que eles custam £800 no eBay.

Mas você não tem orgulho da capa?
Na verdade, eu gosto da capa do Safety. Não é uma foto brilhante de jeito nenhum, mas eu gosto dela porque é uma foto tirada por um cara na faculdade de outras caras na faculdade, que se tornariam uma grande banda. É nesse sentido que eu estou muito contente com ela.

Art history #2 (Brothers & Sisters)
6 de julho de 2010

Seguimos agora com a nossa série de entrevistas com os designers por trás das capas dos singles e álbuns do Coldplay. Nessa edição, ficamos com o segundo lançamento da banda, Brothers & Sisters cuja capa, tal como a do primeiro single da banda, foi desenhada por seu amigo John Hilton.

Olá, John. Depois que você fez o projeto de arte do EP Safety, o Coldplay conseguiu um contrato com a Fierce Panda e pediram para você fazer a capa seguinte também.
É isso mesmo.

Qual é o raciocínio por detrás dessa?
Foi mais como um projeto de verdade da faculdade. Eu me comportei como se eles fossem clientes de verdade. Naquela época, eles estavam curtindo muito o Radiohead, então a capa ficou meio no estilo Radiohead. Trabalhei em um monte de ideias em um caderno de esboços e no Photoshop. E isso quando o Photoshop ainda era uma novidade.

O que é isso na capa?
Bom, é só a imagem de alguns desenhos, rascunhos de pessoas. Eles até gostara, mas estava meio entendiante. Eu tinha uma foto do jardim da parte de trás do meu dormitório em Birmingham. Eu lembro que tinha um pitbul branco no jardim da casa ao lado, que ficava latindo sem parar, o que me deixava completamente louco. Então é uma foto meio que tirada com uma fúria adolescente. A ideia era retratar um lugar não muito bom de se estar. Acho que era fúria de classe média.

Essa foto foi tirada da janela do seu dormitório?
Isso mesmo. Dos fundos do meu dormitório. É o negativo de uma versão solarizada dela. Dá para ver uma cerca, uns sacos de lixo e aquele cachorro que estava sempre latindo. E no plano da frente, um desenho do Coldplay.

A essa altura, o Coldplay estava começando a ficar importante. Você foi submetido a mais pressão para fazer essa capa?
Não. Lembro que foi muito legal. Eu era muito amigo do Jonny – ainda sou -, então eu ia lá toda hora para ver eles na universidade. E eu acompanhava eles até a Fierce Panda. Parecia que eu fazia parte do time. Eles eram muito bons em fazer as pessoas se sentirem em casa. Eu estava bastante envolvido quando eles começaram a fazer gravações, assim como todos no nosso grupo de amigos. Todos estavam sempre por perto. Eu estava nos estúdios da Fierce Panda trabalhando no projeto de arte e decidindo onde o texto e o logo iam ficar. A sensação era que eu estava ajudando eles e vice-versa.

Você tem um cópia desse?
Tenho. Mas ela está meio acabadinha. Foi muito usada.

Quais são as suas memórias dessa capa?
Na época, eu achei que estava boa, mas, agora, parece um monte de lixo de faculdade!

Tem um certo charme. Não é sofisticada demais.
Com certeza, não! Esse é o momento em que eles ainda pareciam estudantes universitários nerdes. Não tinha nada de sofisticado nisso.

E assim que eles assinaram contrato com a Parlophone, o seu papel como artista chegou ao fim?
É. Foi nesse ponto que começou a competição de verdade. Mas tudo bem. Eu acho mesmo que eu tinha capas melhores para o Brohters & Sisters – apesar de, olhando para trás, elas todas parecem um lixo também -, mas foi essa que eles escolheram.

Você consegue lembrar quais eram as outras opções?
Deve ter um monte delas em algum lugar. Eu tinha inúmeras opções e saídas, mas eu não acho que eles queria alguma coisa grande, astronômica. Acho que eles só pensaram: dane-se, não importa. E não importa mesmo. O que determinou o sucesso foi o fato de ser um grande primeiro single de uma banda nova e é até mais legal que tenha esse lixo de capa.

Lixo é duro demais. Você desenhou outras capas desde então?
Só para bandas que eu estava envolvido. Mas eu aposentei o Photoshop, sério.

Você ainda conta para as pessoas que você fez capas para o Coldplay?
Eu costumava. Agora, eu só dou uma comentada ocasional.

É um bom trabalho para ter no currículo.
É, é muito legal, mas eu fico mais orgulhoso é dais milhares de fotos que eu tirei deles ensaiando no apartamento.

Você tem alguns planos para essas fotos?
Eles estão em uma grande caixa em Camden, no meu armário. Talvez um dia eu desenterre elas. Mas nunca me pareceu correto tirar proveito desse tipo de coisa.

E você ainda mantém contato com eles?
Aham. O Jonny foi o meu padrinho de casamento, junto com o Gav, um amigo meu. A gente se vê toda hora.

Eles têm feito um bom trabalho.
É. Excelente. Eu fico muito, muito orgulhoso.

Você ainda tem uma banda?
Tenho, sim. Eu estive em algumas bandas ao longo dos anos – Bettina Motive and Grand Transmitter. A que eu estou agora é a The Complete Short Stories. É uma banda com sete integrantes; o vocal é feminino. A gente acabou de gravar um álbum com a Pointy Records, que é subsidiária da Fierce Panda. Está tudo indo bem agora.

Muito obrigado ao John pelas conversas. Clique aqui para acessar a página do The Complete Short Stories no MySpace.

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