“Buenos Aires nos maravilhou com suas cores”

29 novembro, 2008

Guy e Will foram entrevistados antes do show na Bank Atlantic Center, em Miami por site argentino Si!. A matéria dá ênfase à influência latino-americana no quarto disco, tema recorrente no que diz respeito à sua composição.

A Si! viajou para Miami para acompanhar um show da nova turnê do Coldplay e entrevistar a banda mais popular do momento. Qual é a fórmula para estar no topo?

O primeiro som que preenche a arena de Miami como prelúdio do show é Danúbio Azul, talvez a valsa mais famosa de casamentos e festas de debutantes. E as pessoas vão cantarolando-a enquanto localizam seus assentos, salgadinhos e hanbúrgueres em suas mãos, bem como copos cheios de cerveja e vodka (aqui, as bebidas são permitidas). Porém, assim que as luzes do Bank Atlantic Center se apagam, o público que o lotou (quinze mil pessoas) levanta, grita e vai ao delírio.

Acaba de entrar em cena a banda mais famosa dos últimos tempos, a que bate recordes de vendas e leva multidões às arenas de shows. São sombras que se deixam mirar através de uma cortina translúcida, tocando a instrumental Life in Technicolor. Assim que chega, o palco se revela em sua totalidade; ao fundo, o quadro que ilustra Viva La Vida, A Liberdade Guiando o Povo, de Eugène Delacroix. O mesmo pintor foi eleito para a capa do EP Prospekt’s March, ‘sucessor’ de Viva.

“Tentamos explorar outras áreas; compramos um monte de livros sobre arte só para ter alguma inspiração. Uma das idéias por trás do álbum é a do povo tentando invadir o palácio. As imagens maravilhosas do quadro, conjugadas com Viva La Vida, adquirem um sentido diferente”, conta Will Champion durante a entrevista que ele e Guy Berryman concederam ao Si!, em Miami, antes do show. O título do disco também é da autoria de uma artista: é o nome de uma composição com melancias, de Frida Kahlo. “O México nos encantou. Fomos a um museu dedicado a ela e conhecemos aspectos de sua vida”, acrescenta Will.

Vocês sempre falam da influência que a turnê latino-americana teve sobre o disco… O que levaram da Argentina?
WILL – As empanadas. Hehe. Quando estivemos em Buenos Aires… Bom, a Argentina, como um todo sofreu diversas dificuldades ao longo de sua história, mas, quando estivemos lá, era como se a cidade tivesse renascido, cultural e arquitetonicamente. Todo Buenos Aires parece vivo, incrivelmente vibrante e excitante. Foi genial, nos encheram de cor e de boa música.

Escutaram música argentina? Rock?
WILL – Fomos a um show de tango. Foi fantástico. Gostei do fato de dançarem na rua, a céu aberto… Para nós, é algo muito bonito, Creio que os ingleses em geral não gostamos muito de demonstrações pública de afeto, de modo que presenciar pessoas simplesmente se divertindo nas praças nso fez pensar em coisas como “Relaxe e abra os olhos: não temos de ser ingleses tímidos”.

Quando estiveram no país, os quatro aproveitaram para passar por San Telmo (“Adoramos as galerias, cheias de antigüidades”), ir a restaurantes e “nadar no Faena”. Foi em fevereiro do ano passado, quando tocaram no Gran Rex, em três dias de casa cheia: o Coldplay foi ovacionado (É certo que eles voltarão ano que vem para tocar em algum estádio? Eles não sabem). A mesma aclamação eles recebem agora, em Miami. O som está impecável e cativante. Ademais, globos suspensos projetam imagens do show, uma cascata iridescente de borboletas e uma súbita mudança que faz o Coldplay aparecer no meio da audiência para uma sessão acústica (tal qual o palco B da Zoo TV).

Ao largo, passam os clichês que muitas vezes recaem sobre o Coldplay. Hoje, não importam as letras ribombantes, os arranjos afetados, o excesso de falsete. Não importa porque o Coldplay nasceu para os grandes shows: uma crítica do The Guardian assinalava que a apresentação na Brixton Academy se destacava graças ao fato de perfórmance ao vivo do Coldplay estar em seu auge. É verdade. Para eles, isso também está relacionado ao modo como encaram seu trabalho: “A questão é que nosso trabalho não é interrompido há muito. Só tivemos poucas semanas de férias nos últimos dez anos”, indica Berryman. Sim, mas também em função de seus grandes sucessos, como Yellow, Viva la vida, The Scientist e a bela e triste Fix You. De qualquer forma, as críticas continuam pesadas (Johnny Rotten os tachou como “uma pequena corja de pervertidos”).

Como vocês lidam com as críticas negativas?
GUY –  Às vezes, você tem de rir porque afirmam coisas que simplesmente não são verdade. Então, as escutamos e tentamos fazer com que se tornem positivas.

Antes do show, o Coldplay vai conhecer os ganhadores de várias nacionalidades de uma promoção. Entre eles, o da Si!, Tomás Moore. Chris Martin está com cara de sono; ele se desculpa pelas feições cansadas e a barba não feita: “Tenho de me arrumar para o show”. Desde sempre, o vocalista tenta se resguardar da superexposição, mas a tarefa não é fácil. Ele é casado com Gwyneth Paltrow, uma das atrizes mais famosas (e belas) de Hollywood.

Mudou alguma coisa na banda desde o célebre casamento de Chris?
GUY – É… Mudou. Na verdade, só começamos a pensar que deveríamos cuidar mais de nós mesmos.

Vocês têm algo em comum, como o vegetarianismo?
GUY – Na realidade, ontem mesmo tracei um bife gigantesco. Logo…

Na Internet, há uma nota de vocês em relação à vitória de Obama, dizendo “que grande hora para estar nos Estados Unidos”. Vocês acham realmente que as coisas vão mudar?
GUY –  Sim. O melhor é que, após muitos anos, finalmente há alguém com valores positivos, alguém que tem mesmo a intenção de mudar o país.
WILL: Acompanhamos a eleição pela tevê. Foi emocionante. Estávamos em Nova Iorque e, nesse dia, não havia show. Bom, teria sido insano planejar um show para esse dia.

Uma das últimas polêmicas que o Coldplay protagonizou foi o suposto plágio de Viva La Vida. O Creaky Boards afirmou que a inspiração foi a música deles The Songs I Didn’t Write.

Escutaram a fusão que fizeram e que está no YouTube?
GUY & WILL –  Não… Qual?
A do Creaky Boards.
GUY & WILL –  Hahaha! Creaky Boards! Não escutamos. Deveríamos?

Fonte: Si! (matéria de 14/novembro/2008)