Em entrevista para a Apple Music, Chris Martin fala sobre “Higher Power” e turnê eco-friendly

O vocalista refletiu sobre as mudanças estimuladas pela pandemia e comentou a aproximação da banda com o pop

08 maio, 2021

Chris Martin falou sobre o lançamento do single “Higher Power” e discutiu os próximos passos do Coldplay em uma entrevista divulgada na última sexta-feira (7) pela Apple Music. O papo de pouco mais de 30 minutos foi guiado por Zane Lowe e ainda abordou o processo criativo por trás do single lançado recentemente, além de destacar planos que incluem uma turnê eco-friendly. A seguir, o Viva Coldplay apresenta a tradução completa da conversa.

Em meio à pandemia, os dois conversaram em um teatro iluminado e mantiveram uma distância de duas cadeiras. Logo no início, Chris refletiu, com tristeza, sobre não ter ninguém ocupando os teatros neste momento de enfrentamento ao novo Coronavírus, e deu a entender que a banda adquiriu o espaço. “Nós estamos tentando tornar esse teatro um lugar legal novamente”, disse o vocalista, adicionando que por enquanto o Coldplay vai usar o teatro para ensaiar e dar entrevistas. “É empolgante ter um lugar que eu espero que, eventualmente, será bom para toda a comunidade”.

Gratidão e reflexão sobre o ano anterior

Coldplay está com performances marcadas para os próximos dias, como no programa American Idol e no BRIT Awards. Zane questionou como é retomar o convívio com a banda depois de um tempo sem ensaiar para apresentações. “Acabei de voltar de um ensaio que reuniu todo mundo. Acho que uma coisa que todo esse tempo (sem estar juntos) nos trouxe é gratidão; gratidão pelo trabalho que nós temos e por trabalharmos juntos. Há certa frustração por não poder fazer o que realmente gostamos, que é tocar para as pessoas, mas permanece uma gratidão profunda”, agradece o vocalista.

Zane quis ouvir de Chris a respeito das mudanças que a pandemia provocou no planejamento da banda. “Na verdade, pouco antes da pandemia de Covid-19 nós tínhamos feito um álbum chamado ‘Everyday Life’ e o disco já nasceu sem pensarmos em uma turnê para ele. Primeiro por conta da questão ambiental e segundo porque não achamos que as canções iriam se encaixar em um show – cada canção parecia única. Então tivemos sorte (porque pudemos seguir o que já estava combinado)”, confidenciou Martin, adicionando que nós últimos anos a banda já estava trabalhando nos seus álbuns gravando separadamente no início e se encontrando apenas nas fases finais para gravar algumas coisas juntos. O vocalista contou que durante a pandemia foi difícil encontrar um país em que todos poderiam estar juntos para finalizar algumas gravações, então eles ficaram ainda mais gratos por já estarem acostumados a gravar separados. “Nós conseguimos gravar juntos em alguns lugares, mas sempre isolados dentro de uma bolha e seguindo muitas regras”, explica.

Everyday Life

Aproveitando o gancho, Zane elogiou o álbum. “É um belo trabalho. É conceitual por trabalhar o nascer do sol e pôr do sol da forma que vocês fizeram. Eu ouvi bastante o disco e, para mim, ele caminha por dois caminhos diferentes ao mesmo tempo. Um lado chama os ouvintes para uma conversa e se envolve, enquanto o outro anseia por uma conexão (com o mundo)”, revela, perguntando o que inspirou a banda a criar a obra.

“Depois da nossa última turnê, nós percebemos que nos últimos oito anos nos estávamos apenas seguindo o fluxo. A gente fechava os olhos e fazia o que os outros esperavam que a gente fizesse. No fim da última turnê, uma música surgiu quando estávamos no hotel em Buenos Aires. Eu fiz uma gravação no meu celular e depois nós adicionamos a gravação em ‘Everyday Life’ porque aquele era o espírito da coisa. A partir disso percebemos que queríamos fazer um álbum sobre o que as pessoas ao redor da Terra estavam passando. Então algumas questões foram sobre como víamos as pessoas passarem pelas coisas, enquanto outras foram sobre o que eu sentia a respeito do que estava vendo acontecer no mundo”, conta Chris, adicionando que o artista tem sorte quando ele vê as pessoas se relacionando com as experiências que são compartilhadas nas músicas.

“Existem muitas perguntas sobre como ser um ser humano melhor, sobre como contribuir com o mundo ao invés de prejudicá-lo. Por exemplo, se fizermos um show e deixarmos as pessoas felizes isso é ótimo. Mas, ao mesmo tempo, precisamos usar muito combustível para chegar até o estádio. Outra reflexão (que o álbum despertou) é que é legal ser porta-vozes, porém não há diversidade dentro da nossa banda. Eu quero dizer, como lidamos com isso? Eu acho que o álbum é um reconhecimento de que ainda não sabemos muita coisa (e que precisamos aprender)”.

Ainda sobre “Everyday Life”, Chris revelou que inicialmente pensou que ninguém ouviria o trabalho. “Parecia extremamente pessoal, de uma forma estranha. Mesmo que (muito dele) seja inspirado por outras pessoas”, declarou, reforçando que no final as coisas fazem sentido porque eles valorizam o trabalho em grupo. “Eu escrevi a minha parte (da faixa ‘Sunrise’) no piano. E então Davide Rossi, um italiano que amamos trabalhar, tocou uma música de um cara chamado Arvo Part e indicou que ele seria um bom nome par trabalhar a harmonia da música. Então Arvo tocou violino e o resultado está no álbum”, disse Chris. Também sobre o disco, Zane comentou que muito do que a banda escreveu fez ainda mais sentido em meio à pandemia.

Ele questionou se Chris ouviu “Everyday Life” durante a quarentena e se isso fez o álbum soar diferente de antes. “Eu não escuto as coisas depois que elas realmente ficam prontas. É muito difícil para mim. E se eu escutar algo que fizemos e achar isso incrível, eu não sei o quão difícil isso seria para lidar com o meu ego”, confessa ele, complementando que, na maioria das vezes, quando ele escuta ele acha horrível, como se estivesse escutando a sua voz em um aparelho de secretária eletrônica. “Mas eu sempre amo apresentar (ao vivo) as músicas que nós lançamos. Por exemplo, quando gravamos ‘The Scientist’ eu amei a gravação, mas hoje acho horrível. No entanto, quando tocamos ao vivo eu acho a música ótima”, pontuou. Zane, então, perguntou se Chris não tem vontade de tocar as músicas do “Everyday Life” nos shows. “Eu acho que não vamos fazer isso na próxima turnê, mas consigo enxergar cor em todas as músicas do álbum. Então vamos ver, pois o setlist ainda é uma coisa imaginária”, respondeu o vocalista.

Higher Power

Sobre o novo single do Coldplay, Chris disse que a música nasceu em uma pia de banheiro, ou seja, começou com a batida. “Se você passear pelo meu telefone vai perceber que tem umas 15 gravações com o título ‘Higher Power’, mas elas foram abandonadas (porque não eram boas). Mas toda essa movimentação inicial pousou em um teclado e se converteu na música que temos hoje. Foi o teclado de um amigo de um amigo meu, pois no lugar que estávamos não tinha piano”, revela Martin.

Zane quis saber quando Chris sente que é o momento certo para criar, se isso acontece quando o vocalista está lendo um livro e de uma hora para outra percebe que surgiu uma ideia para compor uma música. “Essa é uma boa pergunta. Eu tenho um acordo comigo mesmo e se algo estiver me ‘chamando’ eu tenho que seguir em frente e fazer. No entanto, a maioria desses chamados não são bons. (Mesmo assim) eu acho que nós fomos abençoados ao longo dos anos por conseguir lançar músicas que as pessoas gostam. Mas conseguimos isso porque tivemos muita perseverança. Porque tem milhares de ideias que não passam nem mesmo do ‘departamento da bateria’, brincou Chris, completando que “Higher Power” foi uma exceção. “Na primeira sessão com Max Martin (produtor do single) todos (os integrantes do Coldplay) concordaram e gostaram da faixa. Eu enviei uma demo para a banda e, na sequência, recebi uma mensagem de Will dizendo ‘isso vai ficar muito bom’. A reação inicial de todos foi muito boa e isso só tinha acontecido uma vez, e foi com ‘Viva La Vida’”, relembra Chris.

O baterista Will Champion

Debatendo o nível que os próprios integrantes da banda esperam alcançar com os trabalhos que lançam, Zane opinou que bateristas costumam ter um nível de exigência alto – o que provocou o vocalista do Coldplay a falar sobre o baterista da banda. “Primeiro de tudo, fisicamente o Will se parece com o personagem Ferdinando (do filme “O Touro Ferdinando”). Todo mundo tem medo dele, mas ele é muito doce. Às vezes eu tenho medo do Will. Ontem mesmo eu falei com o Jonny (Buckland): ‘eu acho que o Will vai ficar bravo comigo’. Eu quero dizer, mesmo depois de 25 anos ele ainda lança uns olhares que fazem eu pensar ‘nossa, fudeu’”, afirma rindo, adicionando que na maioria das vezes as bandas têm sucesso por conta da química entre os integrantes, e do equilíbrio entre toda essa química.

Continuando as reflexões sobre química, Martin reforçou a importância de cada membro do Coldplay. “Ontem eu estava lendo sobre ‘Jason and the Argonauts’ e refleti sobre quando, no filme, eles montaram aquela equipe para encontrar o Velo de Ouro. O grupo tinha que ter um integrante que fosse bom em cada uma das funções necessárias para realizar a tarefa. Isso me fez pensar que uma banda é exatamente assim. E para nós o Will é como uma âncora. Ele é o homem que nos ajuda com a questão do planejamento e nós estaríamos completamente ferrados sem ele.”

Coldplay ao longo do tempo

A sonoridade do Coldplay caminhou de diferentes formas nos últimos anos. Nesse tom, Zane opinou que há uma mudança clara se a pessoa escutar o álbum “Parachutes” e depois mudar para discos como o “Mylo Xyloto”. Ele argumentou que é possível perceber uma jornada que aproximou a banda da música Pop, e Chris Martin defendeu que isso é um resultado do que rodea a banda. “Eu acho que todo artista está completamente interligado ao cenário do mundo atual, ou seja, ligado ao que está acontecendo culturalmente e tecnologicamente. Nós existimos como banda por um período suficiente para ver mudanças acontecerem. Nós vimos barreiras entre diferente gêneros caírem – o que para nós é uma grande bênção”.

Continuando o papo sobre diferentes eras da banda, Chris comemorou a liberdade que a banda tem hoje. “Quando nós começamos as pessoas diziam coisas como: ‘se vocês são uma banda indie, formada por caras brancos, então vocês só podem fazer esse tipo de som’. No início nós precisávamos caber em uma caixa. Agora, em 2021, todos estão fazendo de tudo. Você pode gostar de Olivia Rodrigo da mesma forma que você gosta de ACDC, e ninguém vai achar isso estranho. Para mim isso é uma utopia musical. Então não há motivo para permanecer dentro de uma caixa. O fato é que há a queda de barreiras entre os gêneros musicais, mas quando você faz algo isso permanece (Por exemplo, ‘Parachutes’ continua lá), opinou ele, completando que quando a banda lançou o seu primeiro álbum ele tinha apenas 23 anos e muito mais inseguranças. “Eu tinha vivido muito menos e isso é diferente agora. Com o passar do tempo, por conta de diferentes experiências, essa percepção muda. Depois de buscar diferentes ‘professores’, ver o trabalho de outras pessoas, estudar Bruce Springsteen, olhar para Michael Jackson, Nina Simone e outros artistas que conseguiram ser incríveis por um longo período… A gente começa a se importar menos com o que os outros pensam. Eu e os outros integrantes da banda começamos a nos importam mais com o motivo pelo qual viemos ao mundo, instruídos por qualquer que seja o nome que você chame o poder superior. Quanto menos você liga para o que os outros pensam, mas você estará completamente livre”, refletiu, continuando que a jornada pela liberdade tem sido lenta, mas não para de se expandir. “Eu acredito que não há razão para você não ter uma música pop como ‘A Sky Full Of Stars’ ao lado de uma faixa indie como ‘O (Fly On)’. Eu sinto como se todas as regras tivessem sido, gradualmente, jogadas pela janela”.  

Marcando essa evolução da banda ao longo do tempo, Zane opinou que “Higher Power” dificilmente conseguiria traduzir tão bem o que é o Coldplay se a faixa tivesse sido gravada três álbuns atrás. Sobre isso, Chris disse: “Quanto mais tempo você vive como uma banda menos você sente que pode receber crédito por alguma coisa. Mas eu não sinto pressão”, confessou Chris, adicionando que o novo single da banda veio no momento certo. “Quando gravamos ‘A Sky Full Of Stars’ nós tentamos fazer isso de uma ‘forma indie’, mas logo percebemos que estávamos lutando contra o estilo que a música realmente deveria ter. Já com ‘Higher Power’ nós já tínhamos passado por muitos desafios, então nós sabíamos que a faixa tinha que soar assim (da maneira como ela foi lançada)”.

Max Martin

O produtor sueco é bastante celebrado na indústria musical e a forma com que ele trabalha desperta a curiosidade de muita gente. Contando sobre como foi trabalhar com o produtor no novo single da banda, Chris comentou que deixou o sueco livre para criar. “Uma das coisas que dissemos para Max foi: ‘você faz o seu lance, enquanto nós vamos fazer o nosso lance. Se funcionar será incrível e se não funcionar ninguém vai perder nada’, contou, completando que a relação entre Coldplay e Max Martin ainda não acabou. “Max é o nosso produtor agora. E isso vale para qualquer coisa que a gente fizer. Antes de ‘Higher Power’ existir eu tive uma sessão inteira de estúdio com ele a fim de testar potenciais canções para um potencial álbum. Então passamos por um longo processo em que ele dizia ‘sim/não/talvez/mude isso’. Por algum motivo, a banda e ele vivem um momento de suas vidas em que tudo parece interessante, tudo tem um frescor. Acredito que não tem sido um processo desagradável para ele. Nós não chegamos lá e dissemos ‘aqui está a música, apenas acrescente um brilho’. Na verdade, nós chegamos lá com o básico e o deixamos criar a partir disso”, confidencia o vocalista.

A aproximação de um nome forte do pop não é incoerente se pensarmos na multiplicidade de sons que a banda trabalha. Nesse sentido, Zane comentou que nos últimos anos de Coldplay ele percebeu que a banda tem conseguido trabalhar com contrastes. Por exemplo, eles só fazem uma coisa porque sabem que isso vai abrir uma espécie de portal que irá possibilitar trabalhar outra coisa no futuro. Chris Martin acredita que essa conexão é essencial em um mundo musical cada vez mais fragmentado. “Se você vai se dar o trabalho de fazer um álbum completo em 2021, ele precisa ter uma ideia de todo, uma junção poderosa. Porque ninguém precisa ouvir um álbum mais. Eu quero dizer, um álbum é um conceito desatualizado hoje. (Quando gravamos um disco) Nós estamos fazendo algo que, para algumas pessoas, pode soar tão desatualizado como um filme mudo, mas é isso que nós amamos fazer. Isso me lembra Charlie Chaplin. Quando ele fez “O Grande Ditador” já estavam repercutindo filmes falados, mas ele sentiu que aquela deveria ser uma obra do cinema mudo. Já no meu caso, sempre foi importante fazer o que acredito. Eu realmente acho que se você acredita em algo, e se conecta a isso com toda a emoção, então outro ser humano também pode se conectar”, opina Chris.

Perspectiva de ser um artista

Sobre o que está vivendo agora e o equilíbrio entre ser o Chris Martin ‘ser humano’ e o Chris Martin famoso, o vocalista do Coldplay revelou que a pandemia só reforçou o que ele já acreditava. “Uma coisa que uma pandemia mundial ensina é que ser famoso não justifica ter ilusão de grandeza ou pensar que você é melhor do que alguém. (Quando penso na minha fama) Eu apenas sinto que esse é um presente que recebi. Eu sei que é algo que eu nasci para fazer, independente se há alguém ouvindo (o que faço) ou não. Eu só sei que vim ao mundo para ser parte cantor, parte pai, um pouco parceiro, um pouco alguém que tenta plantar algumas árvores por aí… Eu quero tocar para um monte de gente porque acho isso muito divertido e uma parte de mim adora o fato de que nós conquistamos esse privilégio. Ao mesmo tempo, a maior parte de mim tem pensamentos como: ‘esse dom foi dado a você’. Então eu sinto que não posso querer créditos por nada. A essa altura da minha vida eu apenas sinto que sou muito sortudo e abençoado por fazer o que eu faço, e eu sei que quero fazer isso pelo maior tempo possível e da melhor forma que eu conseguir”.

Sustentabilidade e turnê eco-friendly

Desde o lançamento do oitavo álbum de estúdio do Coldplay, “Everyday Life”, mídia e fãs repercutem declarações da banda sobre só querer sair em turnê quando for possível trabalhar os shows de uma forma mais sustentável. A respeito disso, Chris comentou: “Eu sinto que o papel da arte é dar prazer às pessoas, provocar uma espécie de catarse. A arte sempre desempenhou um papel de estimular mudanças. Por exemplo, Elton John sair do armário definitivamente movimentou diversas discussões sobre gênero, fez com que muitas pessoas se sentissem bem. Michael Jackson e (o grupo) The Jackson 5 colocou pessoas negras na casa de pessoas brancas (o que não era tão comum na época)… Eu acho que a comunidade artística não será capaz de mudar algo por si mesma, mas você tem que, pelo menos, mostrar que você se importa”, opina.

Ainda sobre o assunto, o vocalista mostrou que a banda não vai deixar de fazer turnês e que segue estudando possibilidades para quando for possível, e seguro, rodar o mundo novamente. “Como dissemos que não sairíamos em turnê até que isso pudesse ser feito de uma forma mais verde e mais limpa, muitas organizações e pessoas já nos procuraram para dizer que trabalham com alternativas que podem nos ajudar. Portanto, quando estivermos prontos para anunciar uma turnê, seremos capazes de mostrar algo que já será diferente (em comparação a outras turnês) e apontar, ao mesmo tempo, o caminho que ainda precisamos percorrer. Nós já começamos a mergulhar nisso e, quando você começa, não tem como voltar atrás. Já não podemos fazer uma turnê ‘da forma antiga’ agora que aprendemos mais (sobre sustentabilidade e alternativas). Mesmo assim, ainda há um lado nosso que pode ser criticado, pois continuamos querendo sair em turnê e não seremos perfeitos em relação ao meio ambiente. Mas eu sinto que os artistas devem pelo menos tentar fazer com que práticas sustentáveis estejam no foco”, afirma Chris.

Se posicionar dessa maneira cria expectativas e deixa a banda exposta ao julgamento das pessoas que esperam por essa mudança a favor do mundo. Chris Martin mostrou que isso mexe com ele, mas não o imobiliza – e citou o Brasil como um exemplo de lugar que a banda precisa estudar mais para conseguir tocar. “Eu voei da Inglaterra para cá (Estados Unidos) ontem e me senti culpado. Encontrar um combustível de aviação que seja menos poluente está no topo entre as coisas que estamos tentando (para ser uma banda mais eco-friendly). É difícil tocar no Brasil se você não for ao Brasil. É uma busca contínua, mas é estimulante. Eu acho que, no futuro, fazer turnês vai se tornar algo mais limpo (e sustentável)”, conclui.

Vitor Babilônia

Vitor Babilônia é Editor-Chefe do Viva Coldplay e Roteirista da Rede Globo. Sua formação passa por instituições como Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Vancouver Film School. Ele é fã da banda desde 2004.