Billboard: “Ghost Stories, um álbum curto e cheio de meditações”

20 maio, 2014

Nesta segunda-feira, o sexto álbum de estúdio do Coldplay, Ghost Stories, foi lançado. A Billboard publicou em seu site uma avaliação sobre o mais recente trabalho da banda.

Avaliação: 8.5/10

O lançamento do sexto álbum de estúdio do Coldplay sempre terá uma forte ligação com o anúncio de Chris Martin sobre sua separação com Gwyneth Paltrow, que apareceu na mídia dois meses antes do álbum ser anunciado. O momento da separação se reflete em “Ghost Stories,” um álbum curto e cheio de meditações simples sobre corações partidos e desamparo. Ao invés de escrever diretamente sobre a separação e deixar que os ouvintes criassem teorias sobre o drama que inspirou o álbum, Martin apresentou sua ferida aberta para o mundo todo ver, de forma bastante espetacular.

O último álbum do Coldplay, “Mylo Xyloto,” é repleto de composições que são resultado do título de melhor banda de Rock. Havia instrumentos eletrônicos, mudanças do rock à ópera e um dueto com Rihanna. Por outro lado, “Ghost Stories” é desprovido de grandes momentos, dando espaço apenas para uma colaboração com Avicii em “A Sky Full of Stars,” que mostra o som característico do produtor com o teclado ao fundo. Mas até mesmo as notas intensas são pontuadas pela voz rouca de Martin no refrão: “Eu não me importo, vá em frente e me destrua/ Eu não me importo.”

Desde a estréia do single “Yellow”, Martin foi reconhecido pela sua voz extravagante na música pop, com o objetivo de alcançar a grandeza com mais frequência do que explorar os momentos íntimos em suas canções. Em “Ghost Stories,” o inverso é verdadeiro, e é totalmente refrescante ouvir Martin falando com mais confiança sobre seus sentimentos ao invés de encondê-los. “Always In My Head” utiliza linhas curtas para transmitir suas derrotas ao ficar sem dormir, enquanto a metáfora principal de “Ink” — O amor é uma tatuagem, e dói mais para remover um nome do que escrevê-lo — prova que ele foi afetado.

Apelos como “Apenas diga que você me ama/ Se não me ama, então minta, minta para mim,” da música “True Love,” pode fazer com que o álbum se torne difícil de ouvir, graças ao conhecimento prévio do casamento fracassado de Martin. Mas, em muitos aspectos, o álbum do Coldplay é, também, o mais audível em anos, uma mistura de frases mal-humoradas, arranjos esparsos e temas poderosos. “Ghost Stories” é o som de Coldplay rejeitando seu interior “Coldplay-ness”, pelo menos em um álbum. Martin e o resto da banda irão, sem dúvida, voltar para as músicas alegres em lançamentos futuros, mas o fato de se deleitarem em um lado mais obscuro parece uma boa ideia.

1. Always In My Head – “Ghost Stories” começa com o que soa como histórias de fantasmas literais, já que Martin admite ter passado noites sem dormir enquanto uma voz sem rosto flutuava atrás dele. Com o acompanhamento da guitarra, o cantor soa mais triste do que nunca, como se doesse dizer suas inseguranças em voz alta com medo de que se tornassem realidade.

2. Magic – “Always In My Head” insinuou a vibração ‘downbeat’ de “Ghost Stories,” mas “Magic”, single mais despretensioso lançado pelo Coldplay estabelece, também, um estado contemplativo. O refrão sombrio e apelos sobre o piano dão lugar ao som harmônico dos versos anteriores ao refrão, que logo voltam para a frieza da introdução.

3. Ink – Os ‘pops’ de percussão são casados com acordes da guitarra enquanto Martin chega com a primeira linha: “Tenho uma tatuagem que dizia ‘Juntos através da vida’/ Esculpi seu nome com meu canivete.” A música se desenvolve e Martin finalmente deixa escapar uma lágrima no segundo verso.

4. True Love – Há outra menção sobre “fogo baixo” como Martin se instala em ritmos mais pesados acompanhados de acordes que incorporam a música mais triste do álbum. Repetição é a chave de “Ghost Stories,” já que Martin ecoa frases como: “Diga que me ama, se não me ama, então minta” para criar uma sensação de começo.

5. Midnight – A primeira canção lançada de “Ghost Stories”, “Midnight” mostra Martin soando como um fantasma, seu vocal distorcido pede “Deixe uma luz, uma luz acesa.” Não é “Kid A” e é um pouco longa demais, mas esteticamente, “Midnight” faz sentido no meio do álbum e remonta singles anteriores como “Trouble”.

6. Another’s Arms – Antes da voz normal de Martin voltar para o álbum, um espectro feminino aparece dentro e fora de foco; É doloroso ouvir Martin cantar sobre suas noites assistindo TV, agarrado em memórias já compartilhadas. “Another’s Arms” é uma bela composição, embora o arranjo seja um pouco plano, faltando corpo para que a guitarra seja combinada com a bateria.

7. Oceans – Uma prova de que o sinal intermitente de um ’sonar’ é um dos detalhes em “Oceans”, que também ecoa a palavra “tentando” quando Martin canta, “Atrás das paredes, amor/ Eu estou tentando mudar.” O cantor soa como Nick Drake na canção, com os olhos fixos no chão antes da música fazer uma pausa de dois minutos para depois concluí-la.

8. A Sky Full of Stars – Sendo a única ocorrência da era “Mylo Xyloto”, “A Sky Full of Stars” é uma música dançante trabalhada por Avicii e apresenta a energia que o álbum precisava. Martin ainda soa desesperado, é claro; Ele canta: “Porque em um céu cheio de estrelas/ Eu acho que vi você,” sendo “acho” uma palavra crucial.

9. O – Antes da faixa escondida da guitarra e vozes fantasmagóricas, essa balada muito bem produzida no piano oferece uma sensação de esperança e perdão. Semelhante a “X&Y” e ainda mais perto de “Til Kingdom Come,” “O” é despido de pretensão e Martin soa completamente esgotado ao final da linha.

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