Blog #156 – #42 dá os detalhes por dentro dos ensaios para a turnê

03 dezembro, 2011

Hoje à noite, tem início oficial a turnê de divulgação do Mylo Xyloto, ou Mylo Xylotour, como a chamou R#42. O show será em Glasgow, Escócia. Clicando em leia mais, confira a postagem mais recente do roadie sobre os ensaios de preparação para essa turnê.

Blog #156

#42 dá os detalhes por dentro dos ensaios para a turnê

Estou no saguão do aeroporto esperando o vôo para Glasgow. Suponho que, tecnicamente,  hoje é o primeiro show propriamente dito da Mylo Xylotour. Não é de se surpreender que a sensação não é essa. O festival Rock Im Park foi o primeiro show que fizemos com essas músicas. Isso foi em 3 de julho. Se você parar para pensar, faz exatamente seis meses. Já trabalhei para bandas cuja turnê inteira durou menos de seis meses e esse período de tempo foi só para divulgação e para entrarmos no clima…

Isso quer dizer que, quando começamos os ensaios técnicos essa semana, a sensação foi bem diferente das experiências anteriores. Ensaios para a turnê costumam ser bem agitados. Geralmente, tem uma empolgação pré-lançamento pairando ao redor e as músicas de todo um álbum para aprender.

Dessa vez, na verdade, bizarramente, o que está acontecendo é o oposto. As músicas novas já estão ensaiadas (exceto algumas incluídas depois). São as velhas das quais eles decidiram tirar o pó que estão dando problema. O Chris vai para o microfone e dá um aviso, não direcionado a ninguém em particular: “Se você quiser filmar a gente ferrando total com uma música que a gente não toca há dez anos, pegue o seu celular agora”.

Hesito, em parte, porque não seria nada justo fazer isso e, principalmente, porque estou preso na cabine de controle dos teclados. Não foram só eles que ficaram longe dessa música por dez anos…

Já escrevi à exaustão sobre como o às vezes o Will leva a má fama [gets a rum deal] por sua reputação. Ele é freqüentemente caracterizado como um indivíduo que não brinca em serviço. Uma pessoa intimidadora e que constantemente põe em exercício o seu direito ao veto. Porém, em situações como essa, ele revela sua verdadeira solidez. Quando todos da banda se perdem em meio a diferentes versões da música é ao Will a que eles se voltam (literalmente) porque ele vai ser sempre aquele que vai estar vocalizando a letra e cronometrando o tempo até o refrão. Ele é o banco de memória, o metrônomo, o porto seguro coletivo.

Diferentes versões da setlist são descartadas a todo momento. Isso é difícil de acompanhar, já que está tudo muito fluido – as coisas vão mudando de minuto em minuto. Mas é assim que as coisas deveriam ser, é claro. Restam apenas alguns dias para recarregar as baterias e organizar as ferramentas antes de pôr as caras no mundo novamente.

Uma coisa que eu não pude deixar de notar em relação às diferenças entre os ensaios técnicos dessa turnê e da turnê anterior: dessa vez, o foco parece ser quase todo no público. Quando uma música pára e mudanças são discutidas, não é para jogar mais tecnologia extasiante aqui e ali. Os comentários são todos dirigidos para as pessoas que vão estar ali assistindo.

“Hmmmn, se a gente pôr isso ali quando a gente estiver lá, qual vai ser a vista que o pessoal daqui vai ter?”

“Na verdade, nessa parte da música, é preciso que a atmosfera seja mais pessoal, vamos desligar tudo isso aqui, isso aqui e isso aqui e não vamos usar mais nada”.

Geralmente, a essa altura, estaríamos enfiando *qualquer* coisa na setlist. Alguém lembra de uma famosa citação (no mundo dos roadies, pelo menos) de um líder de banda famosíssimo dos anos setenta no contexto de uma reunião de produção. Ele simplesmente abanou a mão e disse “Vai lá, e deixa todo mundo surdo e cego nos primeiros cinco minutos e, depois, vai todo mundo comer na sua mão, chuchu” [livre adaptação].

Talvez seja a confiança adquirida pelos sólidos shows que já fizemos ou o fato de que não há mais ansiedade quanto a se o álbum vai ser bem recebido no mundo. De qualquer maneira, tem um belo show aqui arquitetado plenamente em torno das músicas e do público.

É claro que o show de hoje à noite em Glasgow pode também ser um completo desastre, mas, para além de me preocupar com isso, eu estou é ansioso para ver como ele vai ser no final das contas.

R42

*Confira em breve, também aqui no site, as postagens #155 e 154.

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