Blog #155 – #42 dá relatos da apresentação de Chris e Jonny no Little Noise Session da Mencap

03 dezembro, 2011

Seguindo a atualização, publicamos a gora o Blog #155, em que R #42 relata o acústico que Chris e Jonny fizeram para o Little Noise Session da Mencap – Little noise session é uma série de shows acústicos que ocorre anualmente na Inglaterra em prol da instituição beneficente Mencap, dedicada a pessoas com deficiência mental.

Chegando na Igreja de St. John, em Hackney [nordeste de Londres], me dou conta que tem bastante coisa acontecendo hoje no mundo do Coldplay. Estamos no leste de Londres fazendo os preparativos para esse show acústico de hoje à noite, enquanto em South Bank [sul de Londres], todo o equipamento está a caminho para um estúdio de TV para a gravação de uma participação no Graham Norton Show [programa da BBC]. Enquanto isso, em um armazém com aparência de hangar, no oeste de Londres, os ensaios técnicos para a próxima turnê em arenas já estão a todo vapor: caminhões com equipamentos de luz, palco e vídeo estão sendo aprontados para quando a banda chegar, no final de semana. Considerando que a Beehive e a Bakery estarão em pleno funcionamento no norte de Londres, eu diria que o Coldplay está cobrindo basicamente todo o território de Londres.

O local em que acontecerá o show acústico beneficente é uma antiga igreja. Vitrais gigantescos, piso de madeira, livros com cânticos e bancos de madeira. Do lado de fora, a fila já está se formando quando eu chego. Fico sabendo que estão lá desde as 7 da manhã. Essas são as mesmas pessoas que estavam na primeira fila do show na Universidade de Norwich e elas fizeram fila o dia todo na sessão iTunes em Camden, então você pode chamar essas pessoas de dedicadas. Você pode chamar elas de um bocado de nomes, mas não dá para não tirar o chapéu para a dedicação delas…

O Chris e o Jonny decidiram não fazer passagem de som. Depois de darmos uma geral no lugar, fica claro que foi uma boa idéia, sério. O teto alto e curvado resulta em uma boa câmara de eco e há pouco a se fazer, a não ser erguer as sobrancelhas e dizer ‘o som vai ser completamente diferente quando o público chegar’ – e, talvez, rezar para que isso seja verdade.

Vamos para o estúdio de TV cantando os pneus. É o mesmo lugar em que gravamos o programa do Jonathan Ross mês passado. Fizemos tantos programas de TV nos últimos meses que tudo já se tornou um borrão.

A passagem de som passa vem rápido e a seção musical foi realocada para o começo do programa para dar tempo de levar o piano e as guitarras de volta para Hackney. Sou o primeiro a chegar e sou imediatamente bombardeado por perguntas da equipe de Hackney. Explico que não tem exatamente um plano. Vai ser só o Chris e o Jonny e, basicamente, eles vão aparecer e dar uma palhinha.

A hora do show chega e eles estão no camarim, o qual, convenientemente, tem esse cheiro meio abafado de igreja e essa maravilhosa parede cheia de fotos de todos os vigários que já serviram aqui. No Fillmore [tradicional casa de espetáculos da Califórnia], as fotos são do Grateful Dead…

No canto do quarto, Kevin McCabe, que coordena a banda em todas as suas participações no rádio e na TV no Reino Unido, está rabiscando freneticamente um pedaço de papel com canetão. Descobrimos depois que isso é a setlist. Basicamente, isso dá uma idéia do tom da noite. Não é a tempestade dos shows regulares de uma turnê. Nada de rádios de comunicação gritando a setlist até a informação chegar no escritório da produção, que imprime dúzias de cópias para serem circuladas em todos os departamentos.

No palco, também, os rapazes estão destituídos de todo o maquinário. Nada de ‘lasers’, telões, pirotecnia – caramba, só metade da banda está aqui. Provavelmente em homenagem à natureza acústica da perfórmance, os rapazes estão vestidos que não estariam fora de contexto no clipe de Christmas Lights. De fato, o Chris está usando um relógio de bolso, que faz uma aparição tardia no show quando ele tenta ver quanto tempo ainda resta.

Não ouço o que a Jo Whiley [anfitriã do evento] diz na introdução. Talvez seja algo relacionado, talvez seja uma piada interna, talvez eles estejam apenas se auto-zoando, mas o Jonny e o Chris sobem no palco de mãos dadas.

As coisas seguem seu caminho e está claro que eles estão se divertindo imensamente. Algumas músicas funcionam melhor do que outras, outras simplesmente geram muito nervosismo, mas, quando há uma falha em relação a que um piano, uma guitarra e uma voz são capazes, o entusiasmo do público preenche as lacunas. É um público incrivelmente aconchegante e a sensação mais ou menos é a de um pequeno pub. Eu estou quase esperando alguém se aproximar do palco segurando um copo de plástico com cerveja. É esse tipo de noite.

Há muito, venho defendendo que, basicamente, shows, em sua essência mais fundamental, são uma celebração coletiva das músicas. Todas essas pessoas se reuniram para compartilhar sua empolgação por essa música que significa tanto para elas. Quando o Chris e o Jonny começam Viva, o coro se expande e a sonoridade de todas essas vozes juntas em um único lugar é completamente avassalador. Os caras param por alguns segundos e ficam simplesmente contemplando a imensidão do som – a contribuição deles não é mais necessária.

Eles sorriem, riem e se juntam novamente à música. Para mim, é o destaque da noite e o momento ideal para guardar na memória para quando eu recordar desse dia.


Bem na primeira fila, o pessoal das 7 da manhã está dando o melhor de si e se divertindo à beça. O show acaba num piscar de olhos, mas foi uma grande maneira de encerrar o frenesi antes dos shows de arena virem à tona. Acho que chegar ao mínimo do mínimo é o melhor a se fazer antes de voltar para o maior do maiores….

R42

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