Coldplay em números

19 maio, 2016

Na última terça-feira (dia 17), o Coldplay foi a primeira banda avaliada na nova série da rádio BBC Radio 1, intitulada “Music By Numbers”. O objetivo do programa é descrever a carreira de grandes artistas em termos numéricos.

Para destrinchar o sucesso do Coldplay, alguns profissionais foram entrevistados pela apresentadora Clara Amfo. Dentre elas, nada menos que Debs Wild – a consultora musical que descobriu o então “The Coldplay” em um pequeno bar em Manchester em 1998.

A pessoa a qual devemos agradecer pela existência todos os dias: Debs Wild

A pessoa a qual devemos agradecer pela existência todos os dias: Debs Wild

As lembranças de Debs sobre a primeira vez que seus ouvidos cruzaram com o som de Chris, Guy, Jonny e Will são consideravelmente peculiares. “Eu estava em um evento com algumas bandas e eles (Coldplay) eram um dos únicos completamente desconhecidos tocando. Eles tinham uma aparência horrível (risos). Chris tinha o pior cabelo dos quatro. (…) Havia muitas pessoas no bar, mas eles simplesmente não escutavam. O público estava bem desinteressado.”

Apesar de o aspecto visual da banda não ter convencido de primeira, a coisa mudou de figura quando a música entrou em cena. De repente, Debs diz se dar conta de que havia algo especial ali: a voz de Chris associada à guitarra de Jonny foram os cargos-chefe da noite para ela que, dias depois, os encaminhou a um amigo publicitário. “As pessoas me perguntam o que uma recrutadora de bandas procura. Eu não sei responder o que procuro, mas, aquele dia, sabia exatamente que eles tinham o que eu procurava”.

“Shiver foi a música que me fez apaixonar por eles. Foi a primeira que escutei (…)”. Debs ainda comenta sobre algumas de suas funções como principal acessora da banda e chega ao ponto de revelar que foi o personagem “Oracle” do site oficial, quase uma entidade sagrada para os fãs da banda. “Eu respondia a questões diversas, nem sempre restritas ao Coldplay. Era engraçado porque eu recebia, algumas vezes, até propostas de casamentos (risos)”.

O programa seguiu com outros entrevistados: o considerado “maior fã do Coldplay” – Jimmy Dushku, a co-fundadora da ONG “A Greener Festival” – Claire O’Neill, um pesquisador que avaliou os impactos do Super Bowl 50 sobre as posições musicais alcançadas pelo Coldplay, um comunicólogo que avaliou a imagem publicitária da banda e, por fim, o tutor dos filhos de Chris Martin.

Dentre as curiosidade numéricas discutidas no programa, algumas se fazem bem impressionantes, como o aumento de público observado ao longo dos anos musicais do Coldplay. 115 pessoas assistiram ao primeiro concerto da banda no bar Laurel Tree, em Londres, ao passo que 90.000 pessoas assistiram a um concerto no estádio de Wembley no ano passado. Alguma diferença, não?

Setlist do concerto no Laurel Tree - a escrita livre denuncia a amadorismo do então "Starfish"

Setlist do concerto no Laurel Tree – a escrita livre denuncia a amadorismo do então “Starfish”

Desde 1997, 1080 foi o número de shows realizado pelo Coldplay, tudo isso distribuído em 36 países. E a canção mais tocada ao vivo foi Yellow, em um total de 856 vezes.

Segundo Claire O’Neill, a banda fez o primeiro álbum considerado carbono neutro da história. Neste sentido, foram plantadas 10.000 mangueiras na Índia para equilibrar os impactos causados pela gravação de “A Rush of Blood to the Head”.

Par ser considerado o “maior fã da banda”, o norte-americano Jimmy Dushku foi a – nada mais nada menos que – 67 apresentações ao vivo. Nada mal, não? “Meu primeiro concerto foi em Los Angeles, fui com um amigo fã. (…) Chegou um ponto que a coisa foi ficando interessante, o Coldplay começou a tocar muito na América (do Norte). (…) Fui fazendo amizades, a banda reúne as pessoas”.

Jimmy Dushku com jaqueta usada por Chris durante a era Mylo Xyloto. A peça foi adquirida em leilão beneficente

Jimmy Dushku com jaqueta usada por Chris durante a era Mylo Xyloto. A peça foi adquirida em leilão beneficente

E os números não param por aí: o Coldplay doa 10% de seu cachê anual para causas sociais. Tal resolução, segundo o publicitário Danielovitch, tem a ver com a imagem que a banda é associada. “O Coldplay não é apenas uma banda que vende música, eles têm uma visão de mundo muito cuidadosa e têm como objetivo criar música honesta. Eles têm uma base sólida de fãs que compram não apenas as músicas e os álbuns, mas também um estilo de vida. Não combina com a “marca” Coldplay fazer anúncios publicitários de xampu, os fãs não comprariam isso”.

Ainda sobre valores, 0 reais foi o preço que o Coldplay pagou para se apresentar no Super Bowl 50. Apesar da proposta aparentemente exploratória e mal (ou nada) paga, os números indicam que valeu, sim a pena: as músicas tocadas tiveram um aumento de procura em 300 a 700% nas seis semanas seguintes, assim como os álbuns ganharam o mesmo impulso de venda e procura. Se você ainda não conferiu a apresentação do Coldplay no maior evento esportivo do mundo, não perca esta chance:

Para maiores curiosidades e detalhes, escute a série completa no site. O conteúdo está disponível por mais 27 dias a contar a partir de hoje.

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