Coldplay planejava ‘A Head Full of Dreams’ há 4 anos

08 novembro, 2015

Em entrevista para o jornal francês, Le Parisien, Chris Martin falou sobre a parceria com Beyoncé em duas faixas, sobre como enfrenta a fama, e sobre o contraste do ‘Ghost Stories’ com o seu sucessor. Confira a matéria publicada no dia 07 de novembro:


Uma entrada discreta entre uma imobiliária e um pet shop, no norte de Londres. No andar de cima, um cômodo com imagens dos Beatles e do The Who, livros sobre mágica e do Sherlock Holmes, letras das músicas Charlie Brown e Princess of China escritas na mesa, um grafite feito por Paris… Em resumo, um lugar que se parece com seus donos, colorido sem ser cafona.

Bem-vindo ao estúdio do Coldplay. The Bakery, uma antiga padaria que a banda transformou em um estúdio em 2008, na época do álbum ‘Viva la Vida’. Nós somos levados para o térreo, em direção ao estúdio de gravação, onde, neste dia 20 de outubro, Chris Martin, o vocalista, e o guitarrista Jonny Buckland estão trabalhando com seu engenheiro de som. “Estamos nos preparando para nossa turnê”, eles explicam. “O álbum está terminado”.

Depois do lindo porém sombrio ‘Ghost Stories’, inspirado na separação do cantor com sua ex-mulher, Gwyneth Paltrow, vem o festivo ‘A Head Full Of Dreams’, sétimo álbum que será lançado dia 4 de dezembro. Antecipando o lançamento, o primeiro single, a descolada ‘Adventure of a Lifetime’, foi lançada ontem e será tocada hoje à noite no NRJ Music Awards. O álbum será pop, tão leve quanto uma bolha de sabão, julgando pelas 5 músicas (do total de 11) que escutamos. Se elas carregam a marca do Coldplay – voz e guitarras aéreas -, essas novas músicas são feitas para a pista de dança. Chris Martin nos oferece uma xícara de chá de gengibre que acordaria um homem morto e nos conta sobre as origens do álbum, gravado entre Londres e Malibu, nos estúdios de Charlie Chaplin e do produtor dos Beatles, George Martin.

coldplay

Escutamos cinco músicas do futuro álbum de vocês, O tom é festivo…

Chris: É o termo que mais se encaixa. Começamos a pensar nesse projeto 4 anos atrás. Primeiro queríamos lançar um álbum com cores cinzas e azuis, calmo e íntimo. É ‘Ghost Stories’. Depois queríamos lançar um álbum cheio de cores, esse chamado ‘A Head Full of Dreams’. Eu já tinha o título de várias músicas em mente.

Então vocês tiverem que passar pelo álbum mais sombrio para se libertarem?

Chris: Sim, para sermos livres. No estúdio a gente as vezes tem que esquecer que seremos ouvidos para realmente se soltar.

Vocês trabalharam com Stargate, um dueto de produtores que fizeram hits para Katy Perry e Rihanna…

Chris: “Eles podem fazer coisas que nós não podemos. Nós queríamos acabar com a ideia de que uma banda de rock tem que fazer músicas de rock. Em 2015 nós temos acesso rápido a tantas músicas, de Björk a Edith Piaf, de Rammstein a Beethoven. É a mensagem desse álbum: no século XXI não há fronteiras.”

Nós reconhecemos a voz de Beyoncé em Hymn for the Weekend…

Chris: E em Up & Up, a última música. Ela é a maior artista do mundo. Pela primeira vez tínhamos músicas para ela, músicas que falam sobre anjos, sobre pequenos acontecimentos que dão razões à esperança, sobre salvação, e a maneira com que ela canta me faz pensar sobre tudo isso. Ela faz o papel de um anjo nesse álbum.

O último [álbum] era, ao contrário, íntimo…

Chris: Foi uma terapia para mim. Ele contou a jornada que é tentar transformar dor em ouro. Espero que tenha funcionado… Foi um álbum bem diferente para nós, apenas alguns poucos shows, sem turnê.

Por que você não deu nenhuma entrevista?

Chris: Porque tudo estava nas letras, não havia nada a acrescentar.

A fama é um peso pra você?

Chris: Para mim se tornou o normal. Eu não leio jornais de fofoca, então isso não me toca. Ás vezes vejo paparazzi, mas eu respeito a escolha de vida deles. Dada a chance que eu tenho esse é o menor dos problemas. Nós tentamos manter nossos pés no chão. O meio ambiente, o estado do nosso planeta, nossos comprometimentos junto às Nações Unidas, são muito mais importantes que esses problemas.

Vocês tocarão em estádios novamente?

Chris: Nós esperamos que sim. Nós queremos tocar no Stade de France de novo, nós adoramos aquele lugar. Eu passei por ele este final de semana e estava pensando ‘Que construção bonita!’ E também Paris foi a primeira cidade que tocamos fora da Inglaterra, antes mesmo do lançamento de nosso primeiro álbum. E a única cidade, junto a Londres, onde tocamos em todos os tamanhos de casa de shows, o Cigale, o Casino de Paris, o Olympia, Bercy, o Parc des Princes, o Stade de France. Nós temos uma grande história com vocês. França é nossa história.

Próximo ano vocês celebrarão seu vigésimo aniversário…

Chris: Loucura! Nós estamos nessa jornada juntos. Essa é a ideia desse álbum e dessa turnê, celebrar essa jornada todos juntos. Tem coisas duras acontecendo no mundo, todos os concertos devem celebrar a chance que nós temos.

Mas você indicou que esse álbum pode ser o último

Chris: Quem sabe? Será o último capítulo de uma certa história, eu acho, e aí vamos começar outra…

Sem Coldplay?

Chris: O que eu sei é que eu não quero estar em nenhuma outra banda.


Agradecimento à Sarah Schimidt pela tradução do artigo.

God give me style and give me grace. God put a smile upon my face!

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