Viva entrevista Gustavo Fagundes do The Voice Brasil

14 dezembro, 2012

Gustavo Fagundes tem 21 anos, é carioca, estudante de medicina da UFRJ, cantor e compositor. Recentemente participou e passou por várias etapas do The Voice Brasil, exibido pela Rede Globo. Na etapa inicial do programa, chamada de audições às cegas, cantou Viva La Vida. Ao interpretá-la foi disputado pelos quatro técnicos, garantiu sua entrada na competição, a admiração dos fãs do Coldplay e também a de novos seguidores por todo o Brasil. Agora Gustavo fala com exclusividade ao VIVA sobre a influência do Coldplay, a trajetória no programa e os planos envolvendo a música e a medicina. Clique em Leia Mais para conferir a entrevista.

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Gustavo Fagundes
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Mesmo ocupado com o recebimento de diversos telefonemas e com o compromisso de estudar para uma prova que aconteceria no dia seguinte, Gustavo conseguiu disponibilidade e muito bom humor para conversar com o VivaColdplay em sua casa. A partir de uma típica troca de ideias entre amigos e com o novo DVD do Coldplay (Live 2012) sobre a mesa,  a entrevista para o nosso site aconteceu.

1 – Como decidiu se inscrever para participar do “The Voice Brasil?”

Quando apareceram as chamadas do programa, minha família e amigos incentivaram; ‘Gustavo, você canta, compõe, manda e vê o que vai dar. ’ Fiquei receoso por acreditar que poderia atrapalhar meus estudos, então fui postergando até que pensei que deveria ter algum motivo para a ideia ficar tanto na minha mente, por isso decidi enviar o vídeo. Sempre sonhei muito, principalmente quando era mais novo, subir no palco com a guitarra na mão, mas quando entrei na universidade de Medicina fui colocando meus pés no chão, por saber que iniciar a carreira musical não é fácil. Ao ir passando das fases do programa me convenci de que era um bom caminho e com certeza foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida. Foi uma experiência maravilhosa.

 

2 – Por que a escolha da música “Viva La Vida” para sua audição?

Na preparação para a audição às cegas, me reuni em uma sala do Projac com o produtor Vinícius Rosa, mostrei as músicas que eu estava pensando em tocar e ele foi me guiando e dando toques como: “Essa música não, porque não é muito conhecida”. “Essa é bonita, mas não irá mostrar muito sua voz…” Apesar ser fã do Coldplay e sempre ter tocado Viva La Vida, em princípio nem havia pensando na música, a ideia veio como uma intuição. Peguei meu violão, comecei a tocar e foi uma reação instantânea. Primeiro o produtor disse que se eu tocasse uma música em português ele ficaria mais tranquilo, já que era muito cedo para saber como seria a escolha dos técnicos (se valorizariam mais as canções em português), porém ele tinha certeza que em inglês não teria uma escolha melhor que Viva La Vida já que é uma música popular e ao mesmo tempo de muita qualidade. A partir de uma versão que eu mesmo fiz com o violão, o Vinícius montou o arranjo. Fiquei semanas pensando se realmente deveria arriscar no inglês, mas o resultado final me surpreendeu. Como os quatro apertaram, e foi esse sucesso relativo, não poderia ter feito uma escolha melhor.

 

Assista abaixo Gustavo cantando Viva La Vida, em apresentação de opinião unânime entre os técnicos: 

 (se não carregar, clique sobre a imagem para ser redirecionado para o vídeo)

assista

 

3 – Ao interpretar essa canção de grande sucesso do Coldplay você foi escolhido pelos quatro técnicos e garantiu sua entrada no programa, qual a diferença de tocá-la agora que carrega uma lembrança de vitória?

Das poucas vezes que toquei Viva La Vida após a audição,  percebi a receptividade grande que a música tem. Quando começa o dedilhado a galera já se anima. Eu ainda não tinha parado para analisar isso, mas é maneiro tocá-la com uma sensação de vitória.  É a música que iniciou tudo e por isso agora tem outro significado para mim.

 

4 – Em uma entrevista Chris Martin disse: “Coldplay é para pessoas de muito bom gosto, inteligentes, incrivelmente bonitas, talentosas, habilidosas, vencedoras, que capturam a vida (…)” Você está incluso nessa ideia proposta por ele e com certeza é um exemplo para todos os outros fãs que também querem vencer na vida, pois mesmo jovem já obteve grandes conquistas como as vagas em Medicina e “The Voice Brasil”. Qual seria sua dica para quem sonha alcançar objetivos difíceis como os que você alcançou?

Eu acredito e costumo dizer que é necessário ter um pensamento otimista, confiante, que em conjunto com a força de vontade constitui uma força incrível, capaz de nos fazer conquistar qualquer coisa, dentro, óbvio, da medida do possível, do que é racional.  Como Renato Russo bem escreveu: ¨Quem acredita sempre alcança.¨ Pode parecer clichê, mas é fundamental acreditar em si mesmo.

 

– A letra da música “Fix you” destaca a ação de uma pessoa que tenta “consertar” outra.  Apesar de configurarem elementos completamente diferentes, você acredita que a música pode complementar de alguma maneira os mecanismos de cura que diversas vertentes da medicina já oferecem?

Acredito! Já existem vários estudos comprovando que a musicoterapia pode melhorar a qualidade de vida de muitos pacientes, além de melhorar o prognostico de algumas doenças. Com certeza, qualquer coisa que faça bem à pessoa, isso no contexto psíquico, pode melhorar os parâmetros clínicos de diversos pacientes, isso incluindo, adesão ao tratamento, vontade de se tratar e outras coisas que são cruciais para a melhora.

 

– Sendo carioca e fã de Coldplay, é claro que você não poderia deixar de conferir o show da banda no Rock in Rio. Como foi a experiência de escutar os caras ao vivo?

Foi maravilhoso! Eles são muito bons. Foi o único dia que fui ao Rock In Rio, todas as atrações musicais me agradavam. Depois de Frejat, Skank, Maroon 5 (que também sou fã) já estava cansado e o espaço estava muito cheio. Mas, poxa, o próximo show seria Coldplay e eu estava esperando muito por isso. Então, na companhia da minha namorada, avancei o máximo que consegui para ficar mais próximo do palco. O show é totalmente envolvente e inspirador. Foi um dos melhores shows que eu já fui, se não o melhor.

 7– Qual o seu álbum favorito do Coldplay? 

 Curto muito Parachutes, mas ainda sim o meu favorito é o X&Y. Provavelmente porque tem a minha música favorita do Coldplay, que é Fix You.

 

(Ps: garanto que se vocês curtiram Gustavo cantando Viva La Vida, vão curtir ainda mais se tiverem oportunidade de escutá-lo cantando e tocando Fix you. Eu já escutei e posso dizer que é uma das melhores músicas na voz dele)

8 – Coldplay apresenta um histórico de milhões de álbuns vendidos, turnês mundiais com ingressos esgotados, vários prêmios Grammy e músicas no topo das paradas. Para você por que a banda é um modelo bem sucedido a ser seguido e por que é tão bom escutá-los?

Acho que nada é por acaso na vida, tudo é causa e efeito, eles não são ‘O Codlplay’ à toa. É uma banda muito talentosa, com uma qualidade admirável e muito reconhecida por isso. Estão nas rádios do mundo todo. As composições são lindas, músicas muito bem arranjadas e todo o perfil artístico deles (a imagem que passam), a questão do show… Admiro muito o quanto são completos e na minha vida artística procuro isso, tentar fazer minhas composições, tentar ter a minha identidade e fazer que ela seja de qualidade como a deles. Com certeza a banda é uma inspiração muito forte pra mim.

 

 

Você já leu sobre a influência do Coldplay na vida do Gustavo.  Continue a leitura para conhecê-lo melhor.

 

9– É possível determinar quando e como começou sua relação com a música?

Minha família é toda de músicos, talentos que se estivessem no The Voice representariam muito bem, mas ninguém profissional. É até engraçado porque todos fazem ou fizeram música em algum determinado momento da vida, mas ninguém nunca tinha levado isso para um caminho mais profissional. Alguém sempre falava: “Cadê o cara da família que vai levar isso a sério?” Desde pequeno, acho que eu deveria ter entre 4/5 anos, meus pais me colocaram para fazer aula de piano com minha avó. O que foi uma iniciação na música, mas que por ser muito novo eu não dei tanto valor e hoje até me arrependo por isso, porque é um instrumento muito completo. Eu tocaria muito mais músicas do Coldplay, por exemplo. Com uns 10 anos foi uma coisa espontânea, pedi um violão para o meu pai e pedi para me matricular em uma aula. Depois acabei descobrindo que meu pai tocava violão. Tive um professor, inclusive meu xará, e ele foi responsável pela minha iniciação na música, sou muito grato a ele.  Quando comecei com o violão nunca mais larguei.  Mesmo tendo que estudar pra caramba, deixo os livros de medicina de um lado e o violão de outro. Nunca estudei tanto música, mas se realmente minha vida for seguir por isso caminho, como tem se mostrado, vou estudar e me dedicar para melhorar cada vez mais.

 

 

10 – Quais bandas e/ou cantores não podem faltar no seu IPod?

O principal,  que não poderia faltar, é o John Mayer! Haha foi mal galera, mas logo depois vem Coldplay, Jason Mraz, Dave Matthews, Maroon 5, Michael Buble, Lenine (Cantor de ‘Hoje eu quero sair só’, uma das canções que Gustavo interpretou no The Voice Brasil), Nando Reis, Los Hermanos (A banda foi uma grande influência. Com cerca de 14 anos, ele só tocava músicas dos caras e se identificava muito com o som), Cassia Eller e muitos outros… Sou bem eclético! Costumo dizer que gosto de tudo o que for bom! Se a pessoa se propõe a fazer algo e faz bem, provavelmente irei gostar.

 

11 – Você já sabe em qual área da medicina irá se especializar?

Ainda não. Na medicina a gente vê muita coisa diferente, então não da para decidir agora, até porque ainda estou no terceiro ano (meio do curso). Posso dizer que penso muito na parte clínica, não me vejo como cirurgião, mas sim como cardiologista, talvez endocrinologista. Algo mais voltado para cuidar do paciente diretamente.

 

 

12 – Por que você escolheu Lulu Santos como seu técnico?

A partir do momento que me inscrevi para o programa já pensava nas possibilidades.  Antes das audições a produção fez uma espécie de balanço sobre qual técnico eu escolheria se tivesse oportunidade e sempre indiquei Lulu. Ele é um grande artista, quiçá um dos maiores do Brasil, mas eu não o indicava por acreditar que me identificaria mais com a personalidade dele, até porque não procuro saber da vida dos artistas, admiro a música. Com certeza foi determinante o fato de eu desde pequeno escutar o som dele através dos meus pais e também pelo estilo mais pop rock, que é o que eu mais me encaixo entre os quatro.

 

 

13 – Como foi à transição para o time da Claudia Leitte?

É claro que na hora da batalha eu queria vencer, mas depois que tudo aconteceu parei para analisar e percebi que para mim foi o melhor. Eu não tinha noção do quanto a Claudia é uma pessoa maravilhosa, com um coração gigante. Ela fez amizade com todos do time dela, fez questão de se aproximar da gente. O que me deixou mais confortável em estar no time foi o respeito que ela tinha pelo meu estilo e por ter deixado eu me apresentar no programa como eu sou. Gostei muito de trabalhar com ela e sou só agradecimentos.

 

 

 

14 – Sua trajetória no “The Voice Brasil” contou com o auxílio de nomes grandiosos da música brasileira como Lulu Santos, Claudia Leitte e produtores muito qualificados. Qual a diferença do Gustavo de antes com o que recebeu uma grande bagagem musical?

A diferença é que o Gustavo de agora abriu a cabeça para um mundo maravilhoso, cheio de oportunidades e, ao mesmo tempo, muito difícil. Mas, ainda sim, um mundo que ama muito e que vale a pena lutar por ele. Além de tudo, é um Gustavo que aprendeu lições maravilhosas e fez amizades para o resto da vida.

 

 

15 – Você fez muitas amizades entre os participantes do programa?

Muitas, que pretendo levar para o resto da minha vida. É um meio incrível. Estava acostumado com o meio da medicina, que eu gosto muito, mas que é mais sério. Quando cheguei ao ambiente do Projac (Centro de produções da Rede Globo), os músicos que tinha acabado de conhecer já eram engraçados, receptivos, de um jeito diferente que gostei muito. Era muito divertido conviver com a Ludmillah. Fiz fortes amizades com Liah, Marianna Eis, Marquinho, Mira Callado, Júnior,  Gabriel, Ellen… Gostei de todos. São artistas muito talentosos.

 

 

16 – Em uma das etapas ao vivo do programa, você tocou guitarra ao se apresentar com a música ganhadora do Grammy, Fast Car, da cantora Tracy Chapman.  Quais instrumentos você domina e como aprendeu a tocar?

Toco violão e guitarra, o que me ajuda a compor. Violão é o instrumento que eu mais gosto, desde pequeno  foi o que mais me encantou. É o instrumento que acho mais completo. Sempre toquei e estudei sozinho. Costumo dizer que meu grande professor de violão foi o John Mayer. Claro que o Gustavo, meu primeiro professor que já citei aqui, foi muito importante. Mas depois que fiquei sozinho, tentar tirar e aprender as músicas do John Mayer, que são muito difíceis, forçou a minha habilidade manual e me fez aprender muito.

 

17– Você tem mais facilidade para cantar em inglês?  

Não diria que tenho mais facilidade. Inglês não é minha língua, então preciso treinar.  Mas a minha influência de música internacional é muito grande, é o que mais toco por isso me acostumei e para mim se tornou natural.  Mas não impede que eu cante músicas nacionais, é até mais fácil, já que é minha língua nativa, não preciso parar para ler a letra, entender o significado. As minhas composições são 80% em português, 20% em inglês. Não sei se no meu projeto musical terá essa divisão. O importante é expressar sentimentos, independente da língua. Algumas coisas que componho pedem pelo inglês, outras pelo português. Canto e gosto das duas coisas.

 

 

 

 

18 – As carreiras de médico e músico exigem muita dedicação, como pretende conciliar as duas e o que cada uma delas representa na sua vida?

As duas coisas são muito importantes para mim. Desde pequeno sempre gostei da música e o trabalhar com isso sempre esteve no meu imaginário, mas na época de optar por um curso eu não quis fazer faculdade de música. O curso que eu mais me aproximava, que mais me intrigava, era Medicina. Meu pai é médico, meu irmão faz medicina também e está se formando agora. É óbvio que rolou uma influência, porque admiro muito meu pai e ele sempre foi um modelo de como eu queria ser. Então no terceiro ano resolvi fazer medicina e estudei, estudei muito por sinal porque medicina não é moleza, e conquistei uma vaga  em universidade federal que foi uma das maiores conquistas da minha vida. Curto o que faço na medicina, o meio e os amigos que fiz na faculdade. Antes a música era só um hobby, já a faculdade uma coisa mais séria. Mas acho que agora as duas coisas serão sérias na minha vida.  Pretendo manter a minha carreira musical em conjunto com a faculdade de medicina. Provavelmente no futuro vai chegar uma hora que terei que escolher, já que as duas coisas tomam muito tempo e acho necessário ter dedicação suficiente pra fazer uma coisa realmente bem feita. Mas por enquanto, como ainda sou estudante, estou conseguindo manter.  Costumo dizer que as duas me fazem ser quem eu sou, trazem meu equilíbrio. A medicina é minha parte mais racional, clínica, em que você não pode se envolver com as emoções do paciente.  Já a música é meu lado sentimental, em que troco emoções com as pessoas.  Se eu tivesse só numa coisa acho que não seria completo. No momento ainda não tenho uma decisão final.


19 – Você chegou longe e construiu uma ótima trajetória no The Voice Brasil. Agora que infelizmente deixou o programa, já possui planos para a gravação de um CD ou pode adiantar alguma novidade?  

Está tudo muito recente, acho que as atenções e as análises estão voltadas para as pessoas que ainda estão no programa. Mas acredito que depois que terminar, as coisas vão começar a aparecer, as oportunidades vão começar a pintar, até por parte da gravadora. Como sou novo no meio, ainda não sei como as coisas funcionam e o que esperar.  Até saí do programa meio perdido e pensando: ‘ e agora o que eu faço pra continuar essa coisa que construí, gostei tanto e quero manter?’ Mas agora já me juntei com amigos meus que estão nesse meio e com outras pessoas que podem me ajudar. No momento estou analisando com calma as oportunidades que aparecem. Já estou fazendo projetos para os próximos dias, como a criação de um canal no Youtube para postar meus vídeos, divulgar minhas músicas. Pretendo dar uma revolucionada nas minhas redes sociais, gastarei um tempo a mais com elas, apesar de que com a medicina e a música isso é complicado. É um processo demorado porque quero fazer algo bem feito, estou pesquisando as melhores pessoas para fazer isso. Ao mesmo tempo quero que seja algo simples, porque isso faz parte da minha identidade. Acho que é legal passar simplicidade nas coisas que vou fazer. Quero ficar mais próximo das pessoas que curtem minha música, porque tenho uma resposta muito legal pelo facebook, twitter, instagram.  Eu sempre recebo mensagens da galera falando que quer me ouvir, pedindo cd, vídeos no youtube. Sou muito grato ao público que fiz e quero manter essa relação.  Então o projeto por agora é gerenciar melhor as minhas redes.  É uma fase de construção, mas com certeza uma hora o caminho vai se delinear.

 

 Mensagem final do Gustavo:

Gostaria de agradecer a toda equipe do vivacoldplay, aos leitores e fãs de Coldplay. Foi uma honra participar dessa entrevista, muito obrigado. Um beijo a todos.

 

É muito bom acompanhar um admirador da música do Coldplay encontrando seu caminho, por isso esperamos que as pessoas que acessam o site interpretem a entrevista como um exemplo de vida . Nós da equipe também agradecemos pela disponibilidade e torcemos pelo seu sucesso Gustavo, tanto na música quanto na medicina.

Vitor Babilônia

Vitor Babilônia é Editor-Chefe do Viva Coldplay e Roteirista. Sua formação passa por instituições como Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Vancouver Film School. Ele é fã da banda desde 2004.

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