Blur protesta contra a venda do selo Parlophone. Futuros lançamentos do Coldplay estão ameaçados?

03 outubro, 2012


Artistas ameaçam suspender futuros lançamentos, se a venda da Parlophone se concretizar. A posição do Coldplay não é clara.

Alguns músicos britânicos campeões de vendas podem impedir o lançamento de seus futuros trabalhos em protesto contra a venda forçada da “Parlophone”, selo que pertence ao grupo da  gravadora “EMI”, a qual foi comprada pela “Universal Music” nos últimos dias.  “The Independent”  apurou o protesto dos músicos essa semana, entretanto não relatou a posição do Coldplay sobre o assunto.

A banda inglesa Blur está liderando uma revolta contra a compra da Parlophone, gravadora parte do grupo EMI, que por anos se mantém como embrião de lançamento de uma lista de renomados artistas que se estende de Beatles a Coldplay. A Universal Music, empresa responsável pela compra da EMI, recebeu a Parlophone como parte do negócio de aquisição da EMI, o qual totalizou a quantia de R $ 1,9 bilhão.

Os integrantes da banda Blur uniram forças com seus companheiros de gravadora para pressionar de forma conjunta os responsáveis pela venda do selo Parlophone, intimando-os a colocar os interesses dos artistas em primeiro lugar.  Tudo indica que a consequência da infelicidade dos músicos seria a retenção de futuros lançamentos, algo como uma greve. Dave Rowntree, baterista do Blur, disse ao The Independent: “Os artistas foram às únicas pessoas deixadas de fora das negociações, o que é lamentável. Se a equipe da gravadora está descontente com a nova estrutura da empresa ela é livre para sair, mas os artistas não são.”

Rowntree está apoiando as negociações por meio da “Featured Artists Coalition (FAC)” que é uma espécie de  sindicado  de estrelas POP.  A “FAC” também é apoiada  por músicos como  Lily Allen e Radiohead. O sindicato é uma organização formada por artistas que alimentam a indústria e são contra decisões que não levam em consideração aqueles que realmente fazem música”, disse ele. “ A FAC está reunida com produtores musicais para conversar com os responsáveis da Parlophone e descobrir como podemos ajudar.”

O Baterista, de 48 anos e agora procurador qualificado, disse que uma vez aconselhou um dos chefes da EMI a impedir o compartilhamento ilegal de arquivos, que é responsável pela diminuição considerável das vendas de música e pela destruição da renda da empresa. “Anos mais tarde, enquanto a gravadora que eu cresci trabalhando estava ´quebrando´, a Apple construiu um império de dólares usando o modelo de negócio que eu havia proposto.” E então fiquei na posição desagradável de dizer: “Eu  avisei.”

A lista de excelentes músicos campeões de venda e com receitas financeiras estáveis inclui: Pink Floyd, Cliff Richard, Tina Turner, Kate Bush, David Bowie, Duran Duran e  Kraftwerk. O selo Palophone, um dos mais prestigiados da companhia, reúne bandas renomadas da atualidade como Coldplay e Maroon 5 e do passado como Queen. Os direitos dos Beatles não estão inclusos na venda da Parlophone e não foram adquiridos pela Universal. Com a aquisição de dois terços da gravadora EMI, parte do restante fica disponível no mercado e já tem possíveis compradores: BMG, Warner Music e Sony Music.

Jon Webster, chefe-executivo do “Music Managers Forum” que representa produtores e artistas disse: “Nós estamos promovendo negociações com os concorrentes em potencial. Queremos que eles entendam que o futuro da indústria das gravadoras deve ser uma parceria verdadeira entre artistas e isso funciona melhor quando as opiniões dos mesmos estão envolvidas e acompanhadas de perto e não apenas negociadas. Mas as pessoas que financiam os negócios muitas vezes dizem apenas: ‘sobre o que mesmo você está falando?´ Aristas estão impedindo lançamentos para reafirmar que tem o controle suficiente da situação . Eles podem sentar-se com os novos proprietários e tentarem obter uma solução. Porém, são os artistas de menor expressão que sofrem mais, pois esses não tem poder de barganha (poder de negociação).”

Sir George Martin, produtor lendário que se tornou gerente do selo Parlophone em 1955 e deu aos Beatles sua grande oportunidade musical em 1962, também acredita em preocupações envolvendo o futuro do selo.

Resta aguardar o posicionamento do Coldplay em relação a essa transição.

 

Agradecimentos: Coldplaying 

Vitor Babilônia

Vitor Babilônia é Editor-Chefe do Viva Coldplay e Roteirista. Sua formação passa por instituições como Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Vancouver Film School. Ele é fã da banda desde 2004.

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