[Let’s Talk #18] 10 anos de A Rush of Blood to the Head.

26 agosto, 2012

Completa hoje 10 anos, desde o lançamento de A Rush of Blood to the Head. O álbum que é considerado por muitos fãs, como o melhor da banda até hoje. Lançado em 2002, foi classificado em 2003 no número 473 pela Rolling Stone como sendo um dos 500 Maiores Álbuns de Todos os Tempos.  Sendo premiado com um Grammy pela música Clocks. Preparamos uma matéria para comemorar um dos grandes álbuns do Coldplay. Então, que tal pegar seu CD e colocar para ouvir, enquanto faz a leitura deste Let’s Talk? Clique em leia mais para ler a matéria completa.

A GRAVAÇÃO.

A banda começou a gravar o álbum em Londres uma semana após os ataques de 11 de setembro nos Estados Unidos. O Coldplay nunca tinha ficado em Londres por um longo período de tempo e foram bombardeados por problemas com o foco no processo de gravação. Eles então decidiram mudar-se para Liverpool, devido às dificuldades que tiveram em Londres e onde tinham gravado algumas músicas para Parachutes. Martin, disse que lá, durante algum tempo, que eles: “se tornaram obsessivos com a gravação”.

“In My Place” foi a primeira canção gravada para o álbum e o que a banda havia lançado como single, “porque foi a música que nos fez querer fazer um segundo álbum. Ela nos manteve e nos fez pensar que ainda poderiamos escrever canções “, seguindo um período estranho de não saber o que estávamos fazendo “, três meses após o sucesso de Parachutes.

A banda escreveu mais de 20 canções para o álbum e algumas dessas novas faixas, incluindo “In My Place” e “Animals”, foram tocadas ao vivo durante a turnê para promover o álbum Parachutes. “As novas músicas são o reflexo de novas atitudes. [Eles dizem aos ouvintes] não fiquem assustados. Qualquer um poder conseguir o que quiser”. A maioria das letras falam sobre urgências. Martin comentou que as músicas anteriores eram mais para relaxar, uma vez que estavam num estado mental confortável: “Talvez exista um pouco de urgência em alguma dessas canções e que nasce de todos os lugares em que estivemos e das nossas experiências”.

Chris Martin explicou a relação ao tema de urgência que o título do álbum carrega, “fazer algo por impulso”. Diversas canções do álbum são sobre relacionamentos. Estas faixas são baseadas na realidade, mas de acordo com Martin, foram escritas com um toque de ficção: “As canções são como contos de fadas: elas têm um começo e um fim e você pode fazer tudo funcionar perfeitamente, porém a vida real não funciona assim”.

 Referências.

 

A CAPA.

A capa do álbum foi criada pelo fotógrafo Sølve Sundsbø. Sundsbø havia sido contratado pela revista de moda Dazed & Confused no final de 1990, para produzir algo como uma “sensação tecnológica, algo tudo em branco”. Como artista, ele tentou fazer “coisas que não tenham sido feitas antes”. Ele sugeriu tirar fotografias utilizando uma máquina de varrimento tridimensional. O modelo para a fotográfia usava uma maquiagem toda branca, pois foi a que produziu os melhores resultados. O computador não conseguia ler as cores, substituindo por pontos. A cabeça foi cortada, porque a máquina só digitalizou 30 centímetros.

O editor da revista gostou da imagem e, eventualmente, apresentou em uma das suas publicações. Martin, viu a imagem na revista e pediu permissão de  Sundsbø para usar a imagem como capa do seu segundo álbum. Ele também pediu ao fotógrafo se eles poderiam fazer o mesmo, sugerindo a digitalização da cabeça de cada membro da banda (que posteriormente seriam usadas nas capas dos singles). Sundsbø  também trabalhou com a arte do DVD Live 2003.

 

Referências

 

TRACK BY TRACK

Entrevista para a revista Crud Magazine em 2002, por Will Jenkins.

 

POLITIK

Chris: Ah, essa é uma boa pergunta. Você teria que perguntar a Phil, ele é o, como vamos descrevê-lo? Ele é o Don Filippo, de O Poderoso Chefão, quem comanda as operações e que ninguém vê. Ele me disse: “Oh, você devia chamar essa canção de Politik. E eu disse: “Ah, tudo bem”. Foi simples assim. “Porque se ele diz algo, você faz, a menos que seja algo de mal gosto, mas gostei porque soa oriental. Russo, (risos) parece que é muito terrível? Mas se destina estar com um K, pois parece ter um, está tudo bem não é, gostamos como título.

Chris: Bem, nós imaginamos Politik ser sua crença sobre alguma coisa, sua própria política, é meio que como nosso último álbum, tinhamos uma música chamada Yellow que não era estritamente sobre a cor amarela.

Jonny: Eu concordo.

Chris: Mas nós gostamos. Ela foi concebida como a primeira música. Você sabe, assim que ela chegou nós dizemos: “essa vai ser a primeira música”.

Jonny: Sim, nunca houve dúvidas, essa foi a única do qual tinhamos certeza, foi quando tivemos absoluta certeza do ínicio ao fim sobre o que estava acontecendo…

Chris: Porque parecia uma boa ideia para uma banda onde todo mundo achava que só faziamos músicas acústicas, ter no início do álbum uma pancada, pancada,pancada, pancada sem graça ou beleza alguma, poderia ter sido feito por um bando de macacos. Se você colocar um bando de macacos numa sala, antes de eles citarem Shakespeare, eles viriam com a introdução de Politik.  Com uma pancada, pancada.

 


IN MY PLACE

Chris: “In my Place” é a canção essencial mais antiga. Justavamente quando estavamos finalizando Parachutes, nós estàvamos em Liverpool num espaço pequeno, que foi ótimo para a gravação do último álbum, terminanos, arrumamos as malas prontos para irmos embora. E o álbum seria lançado em apenas algumas semanas. Foi realmente um bom espaço de tempo, e eu estava apenas sentado neste órgão que meu amigo me emprestou, este órgão bombado, que você tem que se sentar num pedal como aquele, você sabe, eles foram criados para cantigas de marujos e por marinheiros bêbados, mas não foi isso que eu estava pensando, “vamos tentar uma cantiga de marinheiro”. Eu não sei dizer do jeito que foi, mas esses acordes só foram saindo e foi num momento muito tarde, logo após o último álbum, quando descobrimos coisas como Jimmy Cliff e até mesmo “Whiter Shade of Pale” [é a canção de estréia da banda britânica Procol Harum].

Eu não estou dizendo que é melhor que aquilo, não, eu não estou, é que aquela melodia que tivemos, praticamente permaneceu desde o final do último álbum. Mas nós sabíamos que nós realmente tinhamos gostado e então tem sido o eixo central deste álbum. Em torno do qual todo o resto foi escrito.

 

 

GOD PUT A SMILE UPON YOUR FACE

Guy: Quando chegamos para gravá-la no estúdio brigamos porque havia algo não muito certo sobre ela, eu não estava feliz sobre onde à colocamos e não podiamos colocar o dedo sobre o que já estava feito e então foi um dia muito bom. Eu e Chris estavamos tentando, eu na verdade, estava apenas tentando gravar qualquer coisa com o baixo no momento, eu e Chris ficamos sentados discutindo e trabalhando no que estava errado. Então tentei criar diferentes linhas de baixo e coisas do tipo.

Entre nós dois surgiu esse tipo meio groove, que fica na mesma nota em opisição as mudanças, é muito técnica, mas meio que acrescentou um grande salto e que a tornou mais fluída de alguma forma. Antes ela era meio mecânia e apenas interessante como algo pequeno, que realmente mudou toda a vibração da música. Foi bom, porque a partir daí se tornou uma das nossas músicas favoritas e quase não chegou no disco.

THE SCIENTIST

Chris: Quando eu e John subimos num trêm em Liverpool em novembro, e estavamos ouvindo as músicas – quantas nós tinhamos?

Jonny: Nós tinhamos certa de 8 músicas prontas.

Chris:E havia um tipo de sentimento, acho que nós pensamos que estava tudo bem e não sabiamos o que estavamos fazendo, talvez você esteje fazendo músicas com a guitarra. Eu estava sentado no piano, este piano realmente velho, desgastado e fora de sintônia. Eu tinha acabado de ouvir All Things Must Pass, de George Harrison, há uma canção chamada Isn’t it a Pity e existe algo como uma sequencia circular de acordes. Isso tudo é muito banal, mas eu estava pensando que realmente queria ter uma sequencia de acordes que vai e volta e você não sabe onde termina. Então essa sequencia apenas chegou e eu pensei, que era realmente encantadora.

Acabei de ouvir através da parede, eu ouvi esse riff e é como ele faz no final, é uma das minhas partes favoritas da música no álbum, mesmo que provavelmente nunca mais iria ouvi-la novamente, mas que foi um grande momento, porque você sabe, ele é brilhante.

CLOCKS

Chris: Nós estavamos prestes a entregar o álbum, mas estava soando lixo, mas nós pensamos, temos que fazer isso porque precisamos preparar o lançamento, e alguns dos caras da gravadora chegaram e todos decidiram que teriamos que voltar, com um pouco mais de pressão e Phil, nosso quinto membro, disse: “Escuta, você deve gravar essa música ‘Clocks’, porque ela é apenas: “Oh não, precisamos salvar esta”, Phil suplicou para que voltássemos imediatamente para Clocks. “Ele ouviu e disse, ‘Não, você precisa fazer essa música agora”.

Ding, dong, ning, nong. Isso apenas chegou. Eu não sei de onde veio isso, mas eu sei que tem mais de onde veio e porque eu ia mostrar para o Jonny. Esta é a coisa surpreendente sobre a nossa banda. Você toca alguma coisa, você acha que está tudo bem, eu gosto disso assim. Eu vou mantê-la assim, e então veio Johnny com seu jeito elefantino, não, qual é a palavra? Jeito gazela. Ele faz, meio que lentamente, porém de um jeito gracioso. Você diz: “Anda logo!”

Escute essa música e traga ele aqui, e se ele pegar numa guitarra, então ele gostou e isso é bom. E então ele colocou esses acordes brilhantes e depois o refrão e tudo fluiu, Guy entrou e colocou sua linha de baixo e desencadeou mais um pouco, como uma reação química emocionate, foi a última vez que aconteceu e foi ótimo, muito divertido, você sabe, porque não teve nenhuma pressão sobre aquela música. Nós pensamos: “você não tem que fazer isso”, mas nós terminamos e achamos que não, que teriamos que ir em frente.

DAYLIGHT

Jonny: O intrumento no início da música é um…

Chris: Qual música? Daylight?

Jonny: Daylight com uma guitarra de 12 cordas com um slide como George Harrison, com muitas cordas.

Chris: E muitas cordas.

Jonny: E elas todas estão fazendo a mesma coisa.

Chris: Mas o incrível é – o que você não pode ouvir, mas há também um drone, porque esse riff é realmente difícil de tocar. Eu não quero ser rude, mas ele brigou para tocá-la só um pouco, porque ele tinha a melodia e as outrras coisas, então existem incríveis pequenos ruídos nela, que quando ele aprendeu a tocar perfeitamente não parecia tão bom, por isso é uma versão mais antiga de John tocando o riff de modo que não sabemos o que realmente tem ali.

Jonny: Eu acho que temos sorte de termos gravado um monte de coisas, logo no início, porque eu acho que passamos a metade do tempo tentando recriar o momento em que você escreveu algo pela primeira vez.

Jonny: Com Daylight estávamos todos sentados em uma sala e lá estava a música com o piano e a canção acontecendo, nós estávamos apenas tocando por cima dela e nós acabamos de gravar tudo isso com Mark, que faz todas as coisas com o computador. Havia um monte de amostras, que na verdade não eram amostras, mas loops daquela música. Então Daylight é descaradamente um pedaço de The Cutter [canção da banda Echo & the Bunnymen]. Mas nós realmente não deveriamos ter contado isso.

GREEN EYES

Chris: É a música mais pessoal do álbum? Eu não sei. Quando Pete Waterman enviou para nós pensávamos que era uma ótima música, que grande canção, apenas coloque alguns sinos nela e teremos Christmas No.1. Mas Johnny disse que não, vamos fazer ela acústica como Johnny Cash e podemos fingir que escrevemos sobre uma garota que conhecemos na America.

Jonny: Na real, nós?

Chris: (Risos) naturalmente, a história não é verdadeira. Pete Waterman escreveu a canção sobre uma garota que conheceu na América. Quando eu digo “nós” eu quero dizer “eu”. (Risos). Mas esta tem os melhores licks, a única música que tem licks de violão. Nós realmente gostamos de Johnny Cash e enquanto estávamos na América no ano passado e Guy ficou completamente louco por música country, e assim nós também começamos a fazer cover de Hany Williams.

 WARNING SIGN

Chris: Warning Sign é uma música antiga, e é a música que eu não queria ter colocado no álbum, mas todo mundo queria,  fiquei em minoria…a razão de eu não gostar de Warning Sign é que faz você sentir pena do vocalista, que, na verdade eu sei que foi escrita numa época em que eu estava saindo de uma relação. E essa é a grande alegria da música, é que se pode apresentar-se como herói romântico, na realidade, na vida real, foi escrita em um dos meus imensos períodos de ser um idiota. Eu acho que Jonny vai concordar.

Jonny: Quando foi isso?

Chris: Acho que…

Jonny: Um ano e meio ..

Chris: Sim

Jonny: Advinhei! (risos).

A WHISPER

Chris: The Bunnymen foi uma grande influência em algumas das nossas canções, começamos a acompanhar eles, e vimos muito de Ian McCulloch em Liverpool. Ele me disse o motivo de Whisper estar lá, ele disse para mim: “Chris, você tem ¾ da música lá? E eu pensei: “Merda não, nós não temos como escrever Whisper tão rapidamente. Tem que ter ¾ da canção aqui, ele fala como um agente da MI5, você sabe, contando seus planos secretos.

 

A RUSH OF BLOOD TO THE HEAD

Jonny: Eu acho que pensei, eu acho que todos nós pensamos, que realmente parecia se encaixar com tudo, parecia reunir tudo.

Chris: É sobre impulsividade, é sobre fazer coisas agora e se você gosta de alguém dizendo que tudo realmente faz sentido.

AMSTERDAM

Chris: Algumas coisas quando você está gravando, obtem muito mais atenção que outras, porque elas são muito mais problemáticas ou você fica muito mais animado porque ela é uma coisa nova ou o que seja. E Amsterdam e Green Eyes acabaram sendo silênciadas no álbum e nós não passamos muito tempo com elas. Isto é, tudo muito vivo, foi apenas feito. E fizemos muito rápido e então deixamos por mais 4 meses e depois voltamos para juntar tudo.

Jonny: Nós fizemos muito rápidamente.

Chris: Demorou, nós fizemos em cerca de…foi uma das músicas que criamos na primeira sessão que fizemos e foi realmente muito rápido, e é uma música agradável. É a única música que eu posso pensar de onde o refrão e o verso foram escritos. 1000 milhas de distância, terminando com mais 1000 milhas. Islândia é o lugar perfeito para escrever música, eu acho.

@diegolsc

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