Going Back to The Start #3

26 dezembro, 2011

Como foi relembrado no último Going Back To The Start, a banda havia acabado de fechar um contrato para a gravação de seu primeiro single, o que foi um tremendo avanço para o Coldplay.

“Havia toda aquela paralisação normal por causa no natal acontecendo, então fomos levando tudo tranquilamente. A melhor coisa foi que o Coldplay não apressou nada. Nós os pusemos no Station Studios, em Southgate, com um homem chamado Mike Beever. 400 libras por três músicas. Uma barganha naquela época e uma barganha hoje!”.

“Brothers and Sisters”, “Easy To Please” e “Only Superstition” foram lançadas em abril, com 2,500 cópias. Não foi apenas a gravação que Williams proviu para a banda. Anteriormente ele já havia lançado bandas como Keane, Ash, Supergrass e Death Cab for Cutie. Era um homem cuja opinião era ouvida pela indústria musical.

De repente o single estava na Radio 1, tida por alguns como a rádio mais expressiva do Reino Unido,  depois apareceu na NME, e rapidamente parou nas mãos de Steve Lamacq. Foi uma transformação ocorrida em três momentos. Num primeiro momento estavam tocando para 70 pessoas no Bull & Gate e em março os shows já estavam completamente esgotados, com as pessoas chorando por não terem conseguido ingressos.

“O single foi um bom indicador de onde a banda estava indo”, opina Williams.

Brothers and Sisters chegou a figurar em 92ª posição nas paradas; um feito considerável, tendo em vista que esta era apenas a segunda vez da banda em um estúdio. Os meninos estavam em absoluto êxtase. A faixa apareceria novamente como b-side do single “Trouble”.

Depois de um tempo frequentando apresentações da banda e particularmente impressionado com a música “No More Keeping My Feet On The Ground”, Dan  Keeling – que trabalhava para a Parlophone, da EMI, entrou em contato com a banda e foi através dele que o contrato foi selado.

A euforia rapidamente desapareceu. Com seu album de estreia pela Parlophone marcada ainda praquele ano, as próprias obrigações da banda e as expectativas da gravadora atingiram o Coldplay violentamente. O processo de gravação do EP The Blue Room e do próprio Parachutes foi bem diferente da fantasia glamorosa de estrelas do Rock alimentada pela banda. Eles tinham que acordar cedo e pegar o metrô pra gravar, no meio de uma época marcada por atrasos de trem e disputas na indústria.  A gravadora sabia que tinha algo especial em mãos pela experiência que haviam presenciado nos shows, sabiam do potencial enquanto compositor de Martin, mas parecia que a banda estava tendo dificuldade em achar seu som “único”, algo que os marcasse, em estúdio.

Esse período difícil teve um reflexo bem particular no vocalista da banda, como ele mesmo admitiu posteriormente em entrevista para a Q magazine: “As coisas estavam dando errado no estúdio e eu falava pro Will que a culpa era toda dele. Bastava que ele errasse o tempo da música uma única vez para eu dizê-lo que ele era um merda.” Não foi uma surpresa o fato de Will não ter engolido esse tipo de coisa e largado a banda. Foi necessária uma semana bem intensa para que a questão entre os dois amigos fosse resolvida e o Coldplay voltasse à ativa. “E foi tudo minha culpa”, admite Chris. “Eu pensei comigo mesmo:  seu tremendo idiota.”

“Eu estava tão nervoso com a possibilidade de nós arruinarmos a nossa chance que eu me tornei obsessivo em sermos uma banda tecnicamente muito boa ou não. Eu me desculpei, mas ainda sentia que deveria pagar por tudo isso, então eu ficava bêbado.”

Chris continua um não-fumante e bebedor muito moderado, o que torna essa espécie de “penitência” que ele escolheu mais peculiar ainda.  Guy se lembra de uma noite em que estavam reunidos e Chris começou com sua bebedeira. Resolveu então sair com a namorada e quando voltou, encontrou-o no apartamento vomitando Ribena. “Ele nunca mais ficou bêbado desde então”, disse Guy. “Chris já apimenta bastante nossas vidas sem o álcool. Quando sua energia está para cima ele é brilhante, mas quando é o contrário, é bastante difícil. Foi uma época horrível por cuja eu nunca poderia passar novamente.”

O produtor que acompanhava a banda nas gravações, Chris Allison, lembra que exigiu muito de Will naquele período. Acreditava que a banda deveria perceber o quão fundamental é o papel de um baterista no processo de gravação, por isso não poupava críticas ao Sr. Champion. Mal sabia que sua mãe estava terrivelmente doente na época, o que deve ter posto mais pressão ainda em cima dele. Chris recorda deste fato com imenso pesar e arrependimento.

Com as gravações indo de mal a pior, a banda decidiu dar uma pausa no processo de produção de seu novo disco. Era o tempo que eles precisavam para se recompor e voltar ao estúdio ao lado de um novo produtor e conseguir criar músicas como Yellow.

Por outro lado, esse período de conflito entre Chris e as bebidas pareceu ter servido de estímulo para que certas regras fossem estabelecidas por ele mesmo entre a banda: o primeiro que fosse pego cheirando cocaína seria expulso instantaneamente.  Talvez até mais importante que isso, Chris declarou que a partir daquele momento, a banda era um democrático grupo de quatro partes iguais. Sabiamente, decidiu que a autoria de futuras composições seria dividida igualmente em quatro partes, assim como todo o lucro. Essa política também foi adotada por mega bandas extremamente experientes, como o R.E.M e o U2.  Sobre este fato, Martin declarou: “Será que eu realmente quero passar duas semanas em julgamento discutindo com meus amigos mais próximos sobre quem compôs o quê?”

E assim se iniciou a maratona para lançar seu primeiro álbum.

Show no Bull and Gate* (1º de abril de 1999)

 *O Bull and Gate é um pub localizado no oeste londrino

– O show no Bull and Gate foi bem importante.
GB: Bull and Gate. Acho que passei por lá há pouco tempo…
CM: Acho que a gente assinou o contrato por causa desses shows.
– Bastante gente da indústria fonográfica foi e era um show de apenas cinco músicas.
WC: Brothers and Sisters, Bigger Stronger, Ode to Deodorant, Careful Where You Stand, Shiver. Fantástico.
– Foi muito bom. Vocês tocaram muito bem naquela noite.

Gravadora Fierce Panda

CM: Eu conheci esse cara incrível, o Simon Williams.
SIMON WILLIAMS: A gravadora tinha sido formada há apenas cinco anos e tinha como objetivo principal lançar álbuns novos, gravados por bandas novas, o que, na verdade, continua sendo o nosso objetivo. O Bull and Gate era um ótimo lugar para fazer isso. É um desses lugares que têm a sua própria cultura e isso é incrível. É um ótimo lugar para os primeiros shows, quando as núsicas da banda estão começando a ser tocadas no rádio e quando a banda está recebendo as suas primeiras críticas.
CM: Vocês já tinham visto essas legendas nas fotos? [risos]
JB: Olha esse cabelo!
CM: Eu queria destacar o quanto a gente não conhecia o mundo nessa época. Eu tinha acabado de chegar em Londres e não sabia nada. A minha roupa é de gente inocente.

[…]

Coldplay – Meu primeiro show 

­Vamos encarar os fatos: todos têm suas próprias histórias.
­JB: O primeiro show em que eu achei que estavam gostando da gente foi quando a gente tocou no T in the Park [festival de música que ocorre anualmente na Escócia], quando “Yellow” tinha acabado de ser lançada. Eu estava esperando algumas centenas de pessoas, que é aquilo com que estávamos acostumados. Mas a platéia estava completamente cheia e tinha gente fazendo fila do lado de fora.
CM: Jeff, nosso administrador de turnê [tour manager] da época. […] Ele ficou “Está lotado…!”. Ele estava completamente chocado. “É melhor vocês melhorarem ainda mais para continuar tendo platéias como essa”.
JB: “E parar de usar essas roupas horríveis!”.

Nota: Um agradecimento especial à querida Suzana Fong pela tradução dos vídeos contidos nesse GBTTS.

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