Entrevista para Rádio Canadense

03 outubro, 2011

Continuando a maratona de promoção do novo álbum  Mylo Xyloto, a banda concedeu uma descontraída entrevista para a Rádio Canadense The Edge. Clique em  leia mais para conferir!

Parte 1

Dave Bookman (apresentador): E aqui estamos para celebrar o lançamento do álbum número 5, Mylo Xyloto! O que é Mylo Xyloto?

Chris Martin: Bom, dá pra responder isso de muitas maneiras, mas Mylo Xyloto são duas palavras que de fato ainda não significam nada, mas com esperança, algum dia significarão alguma coisa. Nós gostamos de como ela se parece, mas…de fato, é difícil de pronunciar, eu concordo, o que foi provavelmente um erro. Talvez tenhamos de mudar.

Apresentador: Depois de Viva la Vida as coisas realmente mudaram. Com seu lançamento, as coisas ficaram maiores, e o seu lugar no rock, sua `estatura` e os shows ao vivo da turnê de Viva la Vida realmente mostraram isso. Pode-se dizer que no tempo depois disso, parecia que vocês não sabiam o que estavam fazendo. Daí vocês anunciaram que iam fazer um disco em dezembro e que isso seria o fim de tudo. Porém, obviamente a diferença entre o período anterior a Viva e agora aumentou um pouquinho…

Chris Martin: Sim, aumentou. Bem, nós sempre dizemos coisas que depois se mostram inverdades. Acho que parte de estar em uma banda é basicamente ter que mentir o tempo todo, em entrevistas principalmente, porque você tem que dar alguma resposta! Então com frequência eu disse – nós dissemos – coisas que não aconteceram. Eu peço desculpas por essa desonestidade.

Apresentador: Em relação ás músicas, nos falem um pouco como sobre como elas surgiram

Jonny Buckland: Bem, as novas músicas, algumas delas já existem há um bom tempo. Nós estamos trabalhando neste álbum há 3 anos, nós começamos fazendo um álbum acústico e percebemos que estávamos guardando algumas músicas, então decidimos ‘é melhor gravarmos todas as nossas melhores canções e ver o que acontece`. Então músicas como `Charlie Brown`, que existe há 3 anos, nós começamos com o Will tocando acordeão e finalmente o Guy disse: ‘nós não podemos fazer isso, sem acordeões!’

Chris Martin: Há uma citação de Oscar Wilde que diz “há sinal de cavalheirismo naquele que sabe tocar o acordeão, porém escolhe não tocá-lo”, e nós nos deparamos com essa citação no meio da gravação de um álbum baseado no acordeão. Não se deve irritar Oscar Wilde!

Apresentador: Muitas vezes parece que o álbum e o processo de composição são uma dificuldade. Muitas vezes surgem declarações nesse sentido, principalmente agora que vocês estavam em estúdio. Eu estive em New York há umas semanas atrás falando com Noel Gallagher e o assunto Coldplay surgiu e eu falei `sempre parece que o Coldplay diz que o novo álbum será o último`. Eis o que Noel Gallagher disse sobre vocês e suas habilidades como compositores:

Noel Gallagher (gravação): Ele é um amigo meu e ele apenas diz que é uma dificuldade. E quando ele faz um disco ele sempre diz “este é o último”, ele sempre diz isso! Mas sabe, nunca é uma dificuldade pra ele. Como música que soa tão “fácil” pode ser tão difícil de fazer? Não faz nenhum sentido. Eu amo as novas músicas deles, obviamente eu ainda não ouvi o disco, mas eu fui vê-los em Glastonbury e algumas semanas depois em Londres. Elas são realmente excelentes e eu acho que seus fãs ficarão imensamente satisfeitos.

Apresentador: Eu também acho que nós ficaremos imensamente satisfeitos enquanto esperamos o lançamento no dia 24 de outubro!

Chris Martin: Ele ganhou 70.000 dólares por isso. Ele não gosta nada da gente, mas queria um carro novo.

Apresentador: Ele é um amigo?

Chris Martin: Eu gosto de pensar que sim. Ele ainda é meio que um herói para nós.

Apresentador: Vocês estiveram em New York para o show do Letterman ontem a noite, foi ótimo. Radiohead estava na cidade também, vocês os encontraram?

Chris Martin: Eles não falam conosco, e nós não falamos com eles. Eles sabem que são os melhores, e nós sabemos que somos os mais bonitos. Então há uma distância.

Apresentador: Sabe, nós ouvimos algumas músicas online, e eu sei que para muitas pessoas, incluindo eu, vi o show no Lolapalooza e as coisas começaram a funcionar com aquele set de retorno, uma mistura de músicas novas e velhas, e eu realmente acho que vocês encontraram o lugar de vocês e  continuam evoluindo como esse disco. Como foi tocar no Lolapalooza para todas aquelas pessoas? Porque parece que as coisas funcionaram muito bem!

Chris Martin: Bem, nós tomamos a decisão de tocar novas músicas em festivais, algo que não fazíamos há 9 anos desde A Rush of Blood to the Head e isso realmente te coloca em um marco zero, você tem que provar o seu valor de novo, e eu acho isso um exercício saudável. E tudo começa com Glastonbury. Como Noel disse, esse festival é meio que nossa Mecca, esse festival na Inglaterra que se chama Glastonbury. Há um desafio nisso, um sentimento que você não pode assumir nada como garantido e realmente dar o melhor de si.

Apresentador: Vamos falar sobre algumas músicas que vamos ouvir. Há algumas referências á cultura pop. Primeiro, temos o underdog (alguém que se pressupõe que vá perder, é sempre o segundo colocado) preferido de todo mundo, Charlie Brown. Há alguma conexão entre a turma do Snoopy e a música?

Chris Martin: Há no sentido de que parte da ideia para a música é a de que em desenhos você pode levar um tiro ou ter sua cabeça cortada e na próxima cena estar tudo normal. Eu estava pensando ‘não seria ótimo se a vida real fosse assim?’ Então é daí que veio a ideia, um tipo de existência meio cartoonesca.

Apresentador: E as guitarras que surgem na segunda música que tivemos a oportunidade de ouvir foi em Major Minus. Essa já é uma das minhas músicas preferidas do disco, as guitarras estão ótimas e altas nessa!

Jonny Buckland: Obrigado!

Apresentador: Agora nós fale sobre Princess of China e a convidada que participa dessa música.

Chris Martin: Sim, nós gravamos essa música com essa garota, uma cantora estreante que pode ser boa algum dia, chamada Rihanna e ela e nós fizemos um dueto, o que soa como uma ideia estranha, exceto que soa muito bem e é a minha parte cantada favorita do álbum, óbvio, porque não sou eu. E é também a primeira vez que fizemos um dueto então sim, a atitude da banda no momento é de que não temos nada a perder então nós vamos tentar qualquer coisa.

Apresentador: É uma boa coisa que você tenha feito isso porque duetos já são uma coisa de família! Nós vamos tocar `Teardrop` e depois conversaremos mais! Coldplay no Rock of Fame Induction!

Parte 2 

Apresentador: Então, nós temos o Arcade Fire no nosso país. Vocês trabalharam com algumas pessoas da equipe deles como Markus Dravs e Brian Eno. Qual é o papel do Brian Eno? Ele recebeu outra atribuição nesse disco ao invés de produtor.

Will Champion: Sim, ele faz a “enoxificação”. É um termo que ele inventou e se refere – ele não foi exatamente um produtor neste disco, houve um período de dois meses em que nós tivemos uma banda com ele e ele era nosso tecladista. Foi como se todos os nossos sonhos virassem realidade. Ele foi mais um incentivador e um tecladista do que um produtor dessa vez.

Apresentador: “Nós precisávamos de alguém para nos açoitar e nos fazer trabalhar”.

Chris Martin: Exatamente. O Markus, que nos foi indicado pelo Arcade Fire, era quem realmente chutava nossas bundas, se eu posso falar isso. Então nós somos realmente gratos a Win e Regine (membros fundadores do Arcade Fire) e todos eles por nos fornecer um novo e ótimo mestre.

Apresentador: Você, claro, escreveu `Till Kingdom Come’ em homenagem a Johnny Cash. Para continuar falando sobre o “hall da fama” de ícones americanos, Willie Nelson fez uma versão de “The Scientist”, o que vocês acham disso?

Will Champion: Isso é incrível, eu li sobre isso. Eu ainda não ouvi, mas nós amamos Willie Nelson.

Guy Berryman: Eu achei uma ótima versão e uma grande animação para uma versão aparentemente brilhante.

Apresentador: E vocês estiveram em Austin, Texas. (???).

Chris Martin: Eu não lembro quando estivemos em Austin, mas eu sei que estivemos lá. Nós nos movemos rápido.

Apresentador: Hoje vai ter um grande evento, as pessoas vão assistir, vai estar na tv. É ótimo vocês estarem aqui em Toronto. É o dia oficial do Coldplay em Toronto, vocês sabiam disso?

Chris Martin: isso é verdade?

Apresentador: Claro, confiram meu blog, está lá no começo! Quais são os planos depois disso? Vai haver uma turnê?

Chris Martin: Nós não conseguimos pensar além do dia seguinte no momento. Temos que ver como o Jonny se sente em relação a fazer uma turnê, porque ele tem que ser o guitar hero, obviamente, e aceitar toda aquela atenção. Então depende dele, na verdade.

Apresentador: Certo, então nós vamos conversar depois (para Jonny). Eu sei que hoje vocês vieram pra cá de carro e acho que vão embora de carro, mas eu só quero perguntar, alguma coisa já superou aquela ocasião quando vocês foram escoltados pela polícia montada até nosso estúdio pela Rua Yonge?

Chris Martin: Onde estão aqueles caras?

Apresentador: Eles estão por aí caso sejam requisitados!

Chris Martin: Nós não conseguimos mais a polícia montada, isso é um sinal de que estamos em decadência!

Jonny Buckland: Aquele foi um ponto alto não foi? O ponto mais alto de todos!

Chris Martin: Foi! A única vez em que fomos escoltados por um cavalo.

Apresentador: Bem, dessa vez vocês serão escoltados pela admiração do público que esperou muito tempo por vocês, é um dia especial porque agora vocês são parte do nosso dna! Nós estivemos no lugar de vocês, vocês estiveram no nosso lugar e agora este é o meu lugar (anunciando “In My Place”)! Obrigado, rapazes!

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