Telescope Lens #4 (e-zine 5)

09 março, 2011

O Telescope Lens volta com a tradução dos e-zines. E em grande estilo: no e-zine 5 (download), são relatadas as notícias sobre a recepção do A Rush Of Blood To The Head, que tinha acabado de ser lançado naquele momento (setembro de 2002), há uma entrevista com Steve Lamacq, da Radio1 (BBC), personagem importante na história do Coldplay. O e-zine é concluído com um pequeno relato do Will.

O sangue que subiu às paradas

No domingo (1 de setembro), o segundo álbum do Coldplay, A Rush Of Blood To The Head, estreou no topo das paradas britânicas, ficando milhares de cópias à frente do segundo lugar! O álbum vendeu cerca de 274.000 cópias em sua primeira semana, o que faz dele o disco mais vendido no intervalo de uma semana desse ano, ganhando tanto do Eminem como do Oasis. O álbum ficou com o número 1 em 12 países, incluindo Canadá, Alemanha e Noruega, entre outros, e com uma posição significativa – número 5 – nos EUA.

A banda esteve no Reino Unido nesta semana, após uma breve turnê nos Estados Unidos (para onde eles voltaram recentemente) e realizou um show no Forum em Kentish Town – Londres -, que contou com a presença de fãs, amigos e celebridades. Foi um show bastante parecido com as últimas apresentações, diferindo-se apenas pelo acréscimo de “Lips Like Sugar” – música de Echo and the Bunnymen –, pelo Chris cantando “Warning Sign”, um pequeno côver de “Shining Light”do Ash [banda de rock irlandesa], cujos integrantes estavam presentes no show, juntamente com comediantes, músicos, atores e DJs.

Mas o convidado mais legal da noite foi sem dúvida o Dave Grohl, do Foo Fighters. O show foi transmitido ao vivo pela Radio 1 no programa do Steve Lamacq. O Top Of The Pops também contou com uma versão ao vivo de “Daylight”, o que coincidiu com o lançamento do álbum. No domingo (1 de setembro), o álbum alcançou número 1, Chris, Guy e Jonny se juntaram aos seus empresários, à gravadora, à imprensa e a mim, em Primrose Hill para comemorar. Chris estava basicamente sem palavras, mas o Jonny conseguiu dizer “O Tottenham [time inglês de futebol] está no topo da tabela e nós somos o número 1 das paradas! Esse é o melhor dia da minha vida!”

Ao vivo

Resenhas dos shows da turnê nos EUA têm sido constantes na seção de notícias do Coldplay.com, bem como nas revistas habituais. Os shows de Nova Iorque têm atraído mais atenção devido à presença de celebridades, entre elas, os irmãos Gallagher do Oasis e a atriz hollywoodiana Gwyneth Paltrow. Os shows de outubro da turnê pelo Reino Unido já estão esgotados.

In their place

“In My Place” rendeu ao Coldplay a sua posição mais alta nas paradas até o momento, estreando na segunda posição das paradas oficiais do Reino Unido. Na primeira semana, este single vendeu 326 cópias a menos que “Yellow” vendeu em sua primeira semana de lançamento. Foram vendidas cerca de 17 mil cópias a menos do que o homem que os deixou fora do primeiro logar. Darius, um dos finalistas no Pop Idol [show de talentos transmitido no Reino Unido], que admite que até ele comprou “In My Place”, ficou com o número 1 pela segunda semana consecutiva. O Coldplay, de qualquer forma, subiu até o topo das paradas das rádios britânicas, recebendo um total de 1.900 execuções na semana anterior ao seu lançamento.

Future Forests

Tem [atualmente, não] um link no Coldplay.com que te levará para um site muito interessante e que vale à pena. O Future Forests é totalmente voltado a ações que visam dar algum retorno à natureza. Eis o que diz o site: “Com o inuito de deixar o ansiosamente esperado novo álbum da banda, A Rush Of Blood To The Head (lançado em 26 de agosto), totalmente livre de carbono, o Coldplay criou a sua própria floresta, com árvores suficientes para absorver todo o dióxido de carbono (CO2) gerado durante a produção e distribuição do CD.

A floresta do Coldplay se situa em Bangalore, na Índia, onde o Future Forests vai plantar 10.000 mangueiras em agosto deste ano para compensar cerca de 7.340 toneladas de CO2. As florestas também fornecerão uma importante fonte de alimento e de renda para os agricultores locais da Índia. Quando mais álbuns mais o Coldplay vender, mais árvores serão plantadas. Os fãs do Coldplay pode participar clicando aqui [link inativo]. Cada um receberá um certificado registrado e um mapa; as árvores serão plantadas nas “florestas do Coldplay”.

De olho na mídia

Com o recente lançamento do álbum, foram surgindo resenhas em todo o lugar: em tablóides, periódicos, nas revistas Q Magazine, NME, Music Week e Billboard e também em matérias na internet. De modo geral, as críticas têm sido mais do que positivas e, em média, a nota tem sido 4/5. Em geral, a maioria diz que é um álbum de retorno seguro e, apesar de citar as influências mais óbvias dele, a impressão generalizada é que A Rush of Blood to the Head não é muito diferente de Parachutes. O The Guardian [jornal britânico] resumiu seu ponto de vista com a seguinte conclusão: “A Rush Of Blood To The Head chega precisamente aonde se propõe a chegar. Parece que se trata de um álbum pronto para ganhar o mundo e ser bem sucedido nessa tarefa”.

Seja qual for sua opinião pessoal, eu gostaria de ouvi-la. Envie-me impressões para debswild@btinternet.com. No momento, há diversas matérias, entrevistas e arquivos de áudio disponíveis na internet. Dentre eles, há uma entrevista com a banda no programa noturno de Steve Lamacq (que está disponível em www.bbc.co.uk/radio1), em que os rapazes tocam as faixas do álbum, as suas músicas preferidas de outros artistas, conversam com fãs ao telefone e participam de um jogo de perguntas e respostas sobre eles mesmos.

O Coldplay têm aparecido bastante na MTV e na MTV2, tendo sido o tema central do 120 Minutes [antigo programa da MTV]. Além disso, foi transmitido o seu show em Chicago. Esses programas vão ser transmitidos novamente, então não se preocupe se você não assistiu.

Entrevista com Steve Lamacq da Radio 1 (BBC)

Steve Lamacq é apresentador da Radio One (BBC ) e sempre esteve comprometido com a introdução de novos talentos entre as bandas emergentes. Ele foi um persongem muito importante nos primeiros dias do Coldplay e, na verdade, ainda é. Recentemente, Chris e Jonny levaram pessoalmente para ele uma cópia de In My Place. Lamacq também foi o primeiro a tocar em seu programa as as faixas do A Rush Of Blood To The Head. Eu conversei com ele e fiz perguntas que ele respondeu de modo a mostrar – eu tenho certeza que vocês vão concordar – a sua genuína paixão pela banda. Sem dúvida, Steve Lamac faz o seu trabalho com paixão.

O Chris conta uma história famosa, em que, no primeiro programa seu que eles participaram, você recebeu uma cópia do EP Safety e você não escutou. Você lembra como e quando você ouviu Coldplay pela primeira vez?
A história é assim: Simon Williams, da Fierce Panda, que é meu melhor amigo, diz: “Você já ouviu falar do Coldplay?” Não. Eles são bons?” Simon diz que vale a pena ir ver. Eu arrasto o meu amigo Computer Mark, com quem tomo uma bebida após o programa e o convenço de que vale à pena nos deslocarmos até Camden para ver essa banda sobre a qual nenhum de nós não sabe nada. Nós nos embrulhamos nos nossos casacos e ficamos nos bastidores da Camden Falcon [pub londrino] e o Coldplay sobe no palco. E honestamente – olha que isso não acontece com muita freqüencia -, nós ficamos lá parados, perplexos, com nossos queixos chegando no chão enquanto o Coldplay toca para 40 pessoas, muitos dos quais eram amigos deles, suspeito eu, porque eles pareciam conhecer cada palavra das músicas e no final da apresentação, nós não conseguimos ficar senão boquiabertos, olhando um para o outro. Mark enfim diz algo como “Desculpe-me se eu estiver errado, mas eles são a melhor coisa que eu vi em meses…”. Eu estava sem palavras. Porque não é todo dia que você vê bandas tão prontas assim. Você vê bandas que você acha que vão entrar em forma em três ou seis meses, ou até em um ano, mas o Coldplay era o produto acabado. Foi alegria pura. Foi como ir a um caixa eletrônico e descobrir que alguém esqueceu £100 ali, dando sopa. Invariavelmente, em todas as noites que você vai ver bandas que alguém recomendou, ou elas são uma decepção ou apenas OK. Mas… Aí veio o Coldplay. Despretensiosos, mas muito, muito, muito bons. Eu não ficava tão empolgado assim em anos. Depois, eu fui para o trabalho e disse que deveríamos pôr as músicas deles para tocar.

Essa sessão noturna que eles participaram foi eleita a melhor do ano no NME Awards. Você pode descrever a atmosfera e a perfórmance deles naquele momento?
Primeiro, fizemos uma sessão ao vivo no Lamacq Live; essa foi a primeira vez que eu levei uma banda sem contrato com uma gravadora para o Lamacq Live. Depois, eles fizeram uma sessão para o ES, ao qual eu não fui, mas foi uma apresentação de arrepiar. Sério, foi de arrepiar a espinha. Parece que eles se harmonizaram com a situação de um estúdio de gravação muito naturalmente.

Você realmente encontrou o EP, que felizmente não tinha sido designado para a lixeira. Qual é a sua opinião sobre o EP, na condição de um demo auto-financiado, e por que você acha que ele passou pela sua peneira?
Recebo tanto material que acabo me perdendo no meio dele. Eu trabalho com isso três horas por dia e cinco horas no domingo, mas ainda não é o suficiente para ouvir tudo. Mas voltando ao assunto, o EP tem uma boa sonoridade. Eu ainda acho que não teria ficado tão animado com a banda mas se eu não tivesse ido vê-los ao vivo, porque foi a compostura, o humor e a presença de palco deles que contribuíram para formar o que eles eram no começo.

O que a banda tem que te levou a ser tão pró-ativo?
Eu não sei, na verdade. É apenas instinto. Acho que uma das razões por que eu gostava deles – o que não é muito punk rock – é que eles realmente conseguiam tocar. Lembro da primeira vez que vi o Blur em um pub de esquina em Kennington, quando eles ainda se chamavam Seymour. Eles eram meio desorganizados, mas eles realmente conseguiam tocar. E a questão é que você simplesmente sabe que eles podem seguir em frente e continuar melhorando sempre. Você vê algumas bandas e fica secretamente consciente de que eles não vão avançar muito, porque eles são limitados em capacidade. E às vezes isso não é um problema. Eu nunca quis que os integrantes do Ramones fossem músicos fantásticos, por exemplo… Mas o Coldplay é uma espécie diferente de entidade – e eles te dão alguma coisa para o presente, mas com uma perspectiva para o futuro também.

Você tem encorajado o Coldplay por toda sua carreira. Você os chamou para abrir os shows do Catatonia [banda de rock do País de Gales] no The Forum no começo. Quais foram os pontos de maior destaque para você?
Bem, o show no The Forum foi bom, porque, inicialmente, o Catatonia não queria uma banda abrindo o show ou queria fazer as suas próprias escolhas. Então tivemos de ser teimosos para conseguir o que queríamos… Mas acho que o melhor momento foi quando eles tocaram na Harlow Square [pequena casa de espetáculos na Inglaterra], que foi outro show promovido pela Radio 1. Eu morava em Harlow, e o Harlow Square era como que um clube particular para mim, então voltar lá significava muito para mim. E muito pouca gente realmente os conhecia naquela época, mas os ingressos show ficaram esgotados com algumas semanas de antecedência, e foi aí que eu soube que eles estavam começando a sua ascensão. Eles ainda tinham aquele globo no palco e eles ainda tinham muito a provar, mas a mistura de afabilidade e músicas tenazes ganharam o coração da multidão e se eles poderiam fazer isso no Harlow, eles poderiam fazer qualquer outra coisa.

Você assistiu muitos dos seus primeiros shows, desde o Barfly até o Glastonbury. Você tem um show favorito em especial?
Tirando o Harlow, o Glastonbury. Foi lindo. Era o dia do Chris, sério. Entre as músicas, ele estava a) um pouco atrevido, b) um pouco arrogante e c) o cantor mais modesto do planeta. Em uma hora, ele ficava fazendo gracinhas com a platéia e, na outra, estava se acabando no palco. Foi um show perfeito para o Glastonbury e que dizia basicamente: “Nós somos bons e é por isso que estamos no palco, mas, na verdade, nós não somos muito diferentes de vocês aí assistindo a gente”. E o sol estava no lugar certo e eu estava com um grupo de amigos… Oh, eu posso ficar muito sentimental em relação a esse show.

Você ficou surpreso com o sucesso fenomenal de “Yellow” quando a música estreou em 4 º lugar e Parachutes, em 1º?
Eu sou um pessimista terrível. Às vezes, eu quase poderia ser mais pessimista que o Chris. Ou seja, parte de mim ficou surpreso com o sucesso, mas outra parte de mim estava pensando, ‘Bem, isso não é nada mais do que o certo’. O estranho sobre Parachutes é que eu estava nos Estados Unidos quando ele foi para o topo da parada, e por alguns dias, eu realmente pensei que eu deveria renunciar à Radio1. Eu provavelmente estava um pouco doido, mas, na minha própria cabeça, eu pensei ‘cá está uma banda pela qual batalhamos até o topo das paradas; nada nunca vai ser tão bom assim novamente’.

Você acha que eles podem sustentar este nível de sucesso?
Com toda certeza. E mais. Depois de ter ouvido o novo álbum, eu acho que ele vai assumir uma vida própria novamente. A produção é mais densa e eu levei um tempo para me familiarizar com algumas das faixas, mas isso é bom, eu acho. Se você conseguir captar um álbum em uma tocada só, há muito pouco para desafiá-lo nos próximos meses. O novo álbum é muito detalhado. Há muita profundidade – e as letras do Chris estão ficando melhores conforme o tempo passa. Acho que o melhor dele ainda está por vir. Ele aprendeu muito sobre como se expressar desde o ano passado – tanto dentro como fora do palco, a atitude dele está muito melhor. Então – resposta comprida -, sim.

A chegada deles na cena musical parece ter ocorrido na hora certa. Você acha que, se eles tivessem surgido mais cedo ou mais tarde do que isso, eles teria tido menos impacto?
Veja, isso é algo de que eu discordo um pouco. Acho que o Coldplay ainda estava um pouco fora de época quando eles começaram a ser notados. Quero dizer, diversos A&R [setor de uma gravadora responsável por descobrir e revelar novos artistas, entre outras tarefas] passaram batidos por eles porque eles não conseguiam onde a banda se encaixava… E quando a gente começou a tocar álbum deles [na rádio], havia alguns ouvintes dissidentes que não sacaram a idéia. Eu gostaria de pensar que, seja lá em que momento eles surgiram ou poderiam ter surgido, a gente teria notado eles mais cedo ou mais tarde, todo mundo teria.

Você acha que a tendência atual de bandas americanas e do cenário do rock pesado pode ser prejudicial para a re-emergência do Coldplay?
Não. O Coldplay era alternativo quando eles surgiram na cena musical, e é a mesma coisa agora. Uma das razões por que as rádios americanas tocarem Coldplay foi por os apresentadores de programa começarem a ficar por aqui de bandas de rock copiando umas às outras. Eu sei disso porque eu estava falando com uma pessoa de uma rádio bem grande e influente nos Estados Unidos e eles mal podiam esperar pelo álbum do Coldplay.

O quanto de atenção você acha que eles vão receber nos Estados Unidos dessa vez?
Bastante, eu espero. Eu não quero abusar da sorte, mas sinto que, nos Estados Unidos, há um pouco de boa vontade para com o Coldplay e eu acho que esse álbum poderia se aproveitar disso. É engraçado porque eles parecem muito britânicos para mim – e isso é normalmente usado como uma declaração depreciativa nos Estados Unidos – mas eu acho que as pessoas de lá gostam da sensibilidade deles. É incrível, sério: os Estados Unidos comovidos com sensibilidade. Normalmente, com sensibilidade, o máximo a que você consegue alcançar é o topo das paradas universitárias, mas, chegando lá pelo Texas, a sua sorte acaba. Mas acho que o Coldplay também tem senso de humor. E, em termos de divulgação, eles também são bastante auto-depreciativos, o que também tem uma recepção boa.

O segundo álbum deles é muito esperado, mas você acha que eles vão conseguir uma reação positiva da mídia?
Duvido que a imprensa musical ousaria. É melhor não, de qualquer forma.

Diário de turnê do Will a caminho dos EUA

Bem, a espera acabou, finalmente, [o álbum] foi lançado e agora há não realmente nada que possamos fazer a respeito. Esse é o perigo de ouvir os próprios álbuns: há sempre algo que deveria ter sido feito de outra maneira.

Eu parei de ouvir quando eu sabia que não havia mais maneiras de fazer mudanças, cerca de dois meses e meio atrás. O período de espera entre finalização do álbum e seu lançamento foi, possivelmente, uma das nossas experiências mais estranhas dos últimos tempos.

Era como esperar pelas notas das provas, sabendo que nós nos sentíamos confiantes (mais ou menos) na nossa própria mente sobre o que tínhamos feito, mas sem ter a menor idéia se o nosso melhor era o suficiente. Com uma sensação de preocupação extrema com a forma como esse disco iria ser recebida, a gente fez essa pequena turnê pelos EUA, o que foi muito estranho, porque nós estávamos com muita vontade de tocar as músicas novas, mas sabendo muito bem que as pessoas não as conheciam e poderiam ficar decepciondas (déjà vu do Glastonbury).

Tocamos assim mesmo e felizmente eles tiveram uma recepção OK. Mas tocar no Kentish Town Forum [importante casa de espetáculos em Londres] quinta-feira passada foi um verdadeiro alívio, já que foi a primeira vez que não tivemos de pedir desculpas por tocar músicas novas, e nós certamente nos sentimos mais relaxados e tocamos melhor do que fazíamos há muito tempo. Sabendo a reação ao álbum e quantas pessoas já adquiriram o novo álbum realmente nos deixou atônitos.

Saber que as pessoas parecem estar gostando dele e agindo como se eles fosse diferente daquilo que fizemos antes é realmente surpreendente para nós, porque, por um longo tempo, nós realmente não fazíamos idéia disso. Obrigado a todos vocês.

MAKE TRADE FAIR

W.

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See you soon

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