[Let’sTalk #02] Eu ainda compro Cd!

12 abril, 2010

A edição desse mês do Let’s Talk traz um assunto bastante discutido e polêmico, o CD! Vamos falar um pouco de como o CD sobreviveu até hoje com o surgimento de novas maneiras de se adquirir música, a pergunta é: por quanto tempo será que ainda o veremos nas lojas? Clique no leia mais para ler a matéria completa. Para conferir a edição anterior clique no link abaixo:

[Let’s Talk #01] Porque é difícil falar sobre amor?

O Compact Disc ou o famoso CD, usado para o armazenamento de áudio, vídeo, dados, com capacidade de memória menor que a do DVD e que ainda enfeita as estantes de todo o mundo. A questão é por quanto tempo? Sim, você deixa o coitadinho pegando poeira lá na sua prateleira? Quando foi a última vez que você botou o seu CD para tocar música? (além de usá-lo como disco voador para o seu cachorro?). Ah eu já vi usarem como encosto de porta. Porque será que a indústria fonográfica ainda usa esse tipo de mídia para vender seus artistas e músicas?

Muitos preferem andar com o seu MP3, MP4, MP5, MPsei lá… do que ficar com um toca CDs (como era o nome mesmo?) que é bem mais pesado e precisa de pilhas. Além da comodidade de ser ouvir música, ainda tem a questão do preço. Você pode comprar música pelo celular, pelo computador, por um preço mais baixo do que o próprio CD. Pode escolher comprar só uma música do que ter que ser obrigado a “comprar” todas.  Antes que você atire algo em mim, eu não sou contra o CD, esse texto fala somente como ele ainda resiste a todo o tipo de novidade da indústria.

O  álbum do U2 – No Line on the Horizon – e mais um single exclusivo estiveram disponíveis para venda junto com celular.


Agora eu quero saber de vocês, porque ainda utilizam ou compram um CD de música? Qual são suas vantagens nos dias de hoje? Bom, vou dizer os meus motivos, quem aqui não gosta de ter a caixinha e o encarte da sua banda preferida sorrindo pra você na estante? Outra, não existe satisfação maior do que ir lá, levantar do sofá, pegar o CD, abrir e colocar no seu eletrônico (não, não é o seu MP3). Nãoooo, meu PC foi formatado, perdi todas as músicas do Coldplay (hahahaha… eu tenho o CD e você não) e um motivo não menos importante, você vai estar valorizando o trabalho do seu artista ou banda preferidos.

Por enquanto a venda de CDs parece se manter em equilíbrio, pelo menos aqui no Brasil. Assim diz os dados da ABPD (Associação Brasileira dos Produtores de Disco) onde revelam que a indústria fonográfica nacional teve um aumento considerável nos últimos anos e que “as vendas de CDs representam atualmente 70% do total do mercado físico de música comercializada no Brasil”, veremos as estatísticas da ABPD do ano de 2007 e 2008:

Fonte: ABPD (valores reportadospelasmaiores companhias fonográficas operando no País à ABPD) – Leia o artigo fornecido pela ABPD na integra clicando no link: Mercado Fonográfico – Brasil

Ainda de acordo com a ABPD “do total de CDs e DVDs musicais vendidos em 2008, 74,5% corresponderam às vendas de repertório nacional, enquanto 23,1% foram representados por repertório internacional”, o que é muito bom para a música nacional. Apesar dos números mostrarem algo otimista, o futuro para a mídia física é incerto e a própria indústria fonográfica já viu que precisa fazer várias mudanças com relação à venda de seus artistas.

Como eu já citei anteriormente, as pessoas estão procurando formas mais “acessíveis” de se ouvir música. A principal delas é através da distribuição digital. Muitos artistas já aderem a essa forma vendendo suas músicas pela internet e lucrando não só com toda sua coletânea e sim somente com uma música ou hit apenas. Hoje qualquer hit famoso consegue lucrar muito mais do que o próprio CD. Como exemplo, temos a cantora Lady GaGa que vendeu nada menos do que 15 milhões de músicas digitais em 2009, segundo a Nielsen SoundScan. Muitos vêem um ótimo mercado na distribuição de música digital, tomamos como exemplo o próprio Coldplay que disponibilizou de graça o single “Violet Hill”, o que resultou em mais de 2 milhões de download o que é claro ajudou a promever o novo álbum e hoje em dia muitos usam esse artifício para se lançarem no mundo da música.

Outra questão que se discute muito é o fato do custo que a produção de CDs traz para o meio-ambiente, algumas pesquisas mostram que só o transporte de CDs (incluindo ai até mesmo quando as pessoas usam o carro para irem as lojas ou os caminhões que levam os CDs para serem vendidos) causam dano ao ambiente devido aos poluentes que eles soltam.

Com todos esses fatores contra o CD será que algum dia iremos presenciar o fim da venda tradicional de músicas? Enfim, já vivemos no mundo da distribuição digital (a legal e a ilegal, eu estaria sendo hipócrita em dizer que nunca baixei uma música nessas redes digitais) e hoje as bandas vendem bastante músicas através desse mercado. Ano passado, por exemplo, eventos internacionais foram interrompidos por conta da pirataria ou pelas músicas baixadas ilegalmente na internet, um deles a Popkomm (uma das principais feiras da indústria fonográfica mundial) foi cancelado.

A geração que nasceu com internet (ainda espero o dia em que durante a gestação os bebês já vão poder usar a internet) prefere baixar as músicas do que ter em mãos o CD. Nesse novo cenário comercial que vive a industria fonográfica e os próprios artistas, percebemos que eles estão caminhando em busca de novos meios para “vender música”, apesar disso ainda acredito que o CD possui um bom público e que não vai deixá-lo morrer tão cedo.

Por: @DiegoLSC

@diegolsc

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