Revista ISTOÉ: O rock contagiante do Coldplay

21 fevereiro, 2010

Há uma década o grupo britânico de rock Coldplay lançava o seu primeiro álbum, “Parachutes”, e estourava nas paradas com os hits “Yellow” e “Trouble”. Foram cinco milhões de cópias vendidas em todo o mundo com uma fórmula que sempre deu certo: canções empolgantes e melodiosas, que levam a plateia a fazer coro nas partes mais envolventes. A crítica torceu o nariz: achava o quarteto uma versão melosa do Radiohead ou, no máximo, uma imitadora barata do estilo grandiloquente do U2

Em pouco tempo, a evidência teve que ser reconhecida. O Coldplay é uma banda de estilo próprio e com carisma suficiente para arrebanhar a sua própria legião de fãs. Já se vivia, então, a escalada de sucesso que chega ao ápice com a atual turnê “Viva la Vida”, a maior já empreendida pelo grupo e uma das dez mais lucrativas da história do rock, com faturamento de US$ 212 milhões. Os shows do quarteto foram vistos por três milhões de pessoas em 25 países nos cinco continentes. No final deste mês eles desembarcam no Brasil para duas grandes apresentações – estádio do  Morumbi, em São Paulo, para 68 mil pessoas, e Praça da Apoteose, no Rio de Janeiro, que comporta 40 mil fãs. Entram assim na etapa final da turnê de seu quarto e mais recente álbum, “Viva la Vida or Death and all his Friends” (nome inspirado no título de uma obra da pintora mexicana Frida Khalo).

Esse é o primeiro CD do Coldplay que sai pelas mãos do célebre produtor musical Brian Eno. Segundo Chris Martin, líder da banda, Eno os deixou perplexos na primeira reunião: “Ele nos disse que nossas músicas eram longas e repetitivas e que as letras não estavam boas o bastante.” Após nove meses de trabalho conjunto (e canções mais curtas), o resultado da parceria conseguiu superar êxitos anteriores – o álbum é o mais bem-sucedido de todos, com 8,3 milhões de cópias vendidas, recorde mundial, segundo a Federação Internacional da Indústria Fonográfica. O novo repertório inclui os hits “Viva la Vida” e “Violet Hill” e rendeu ao Coldplay o Grammy de 2009 e uma premiação especial pelos seus 50 milhões de discos vendidos mundialmente. Para arrematar o bom momento do grupo, o CD “A Rush of Blood to the Head” foi eleito pelo Brit Awards um dos dez melhores discos das últimas três décadas. A popularidade do Coldplay deve muito ao carisma do seu vocalista, Chris Martin, que na segunda vez que esteve no País, em 2006, conquistou o público dedilhando “Garota de Ipanema” ao piano – ele pertence àquela linhagem de roqueiros que não se limita às acrobacias com a guitarra. Segue o estilo certinho, engajado em causas humanitárias e lembra, nesse aspecto, o vocalista Bono, do U2.

O jeito de bom moço não foi abandonado nem quando recebeu a quinta acusação de plágio pelo hit “Viva la Vida”. O músico de jazz Joe Satriani entrou com uma ação contra a banda alegando que a canção trazia trechos de composições suas. Embora a Justiça tenha considerado improcedente a reivindicação, ainda assim Martin redigiu e publicou um texto em que elogia o trabalho do colega. Confessa que se há alguma semelhança foi por mera coincidência. Para a felicidade de seus milhares de fãs brasileiros, Martin canta esse hit a plenos pulmões nos shows que traz ao Brasil. E inclui na bagagem os milhares de borboletas de papel que caem sobre a plateia enquanto interpreta “Lovers in Japan”. É o clímax visual do espetáculo, que empolga tanto adolescentes quanto os quarentões amantes do rock contagiante do Coldplay.

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