Viva La Vida EPK: Entrevista sobre o quarto álbum

26 novembro, 2008

Em uma breve entrevista, Guy, Will, Jonny e Chris contam-nos mais detalhes sobre a gravação do quarto disco da banda, Viva La Vida Or Death And All His Friends.

 

Quando vocês de fato começaram a trabalhar no novo álbum?

JONNY: Começamos a gravar o novo álbum tão logo concluímos X&Y. Foi quando começamos a compor, mas continuamos escrevendo ao longo de toda a turnê. Quando os shows acabaram, começamos a construir um estúdio juntos, o qual se chama The Bakery, em Londres. Assim que as obras foram finalizadas, iniciamos os trabalhos.

CHRIS: Vínhamos escrevendo por um longo período.

Por que vocês decidiram construir um espaço particular para desenvolvimento criativo e como isso influenciou o novo álbum?

WILL: Acho que fizemos essa escolha porque queríamos um espaço onde pudéssemos ficar livres para fazer experiências e onde não nos sentíssemos pressionados por um horário para entrar ou sair e por que tivéssemos de pagar rios de dinheiro por hora; queríamos um lugar onde nos sentíssemos à vontade para fazer o que quiséssemos, trabalhar noite adentro ou durante as primeiras horas da manhã. Além disso, queríamos que tudo fosse feito em um só lugar: fotos, projeto gráfico e nossas roupas. Fazer tudo sob o mesmo teto fez uma grande diferença.

CHRIS: Quando gravamos em um grande estúdio, sempre sentimos uma pressão esquisita para repetir o que fizemos no passado. Assim, quando você tem um espaço só seu, você tem o direito de fazer uma música horrível pelo resto do dia. Sem pressão.

Muito embora o X&Y tenha sido o seu álbum mais bem sucedido, o Coldplay de fato mudou seu direcionamento desde então. O novo álbum representaria o rompimento com som característico de vocês, marcado pela guitarra e pelo piano, na direção de um estilo musical mais abrangente e livre?

CHRIS: Creio que, após o nosso último álbum, do qual estamos muito orgulhosos, sentimos que havíamos explorado a mesma sonoridade à exaustão. Como muitas pessoas começaram a ficar cansadas da nossa música, tivemos de mudá-la. Um pouco.

Tivemos a impressão que, depois do terceiro álbum, poderíamos ou continuar repetindo a nós mesmos, sempre tentando ser “a melhor coisa” ou, alternativa pela qual optamos… O que decidimos é que, após três discos, tínhamos autonomia para experimentarmos sonoridades que sempre quisemos tentar. Dessa forma, em cada parcela desse novo álbum acreditamos piamente. Foi a primeira vez que conseguimos nos sentir bem por tentarmos coisas que não havíamos feito antes.

Coldplay, a maior banda do mundo?

WILL: Não acho que um dia tenhamos estabelecido nosso objetivo como ser a maior banda do mundo. Acho que, desde o comecinho, sempre quisemos ser os melhores, não necessariamente os maiores. Às vezes, essas duas coisas se coincidem, mas o que sempre tentamos fazer foi fazer o melhor de que fôssemos capazes. Não creio que seja possível controlar o quão grandioso você pode se tornar; ou as pessoas gostam da sua aparência ou não, logo…

CHRIS: Nós somos definitivamente a banda mais feia do mundo.

O novo álbum seria uma tentativa de desconstruir a impressão que as pessoas têm do Coldplay?

GUY: Não queríamos fazer um álbum que pudesse ser apreendido tão facilmente, não queríamos ser a banda-de-um-truque-só. Todos nós escutamos uma vasta diversidade musical e acho que esse álbum reflete isso mais do que nunca, mais do que nos três últimos álbuns. Foi um princípio muito importante não lançar mão de nenhum recurso que tínhamos usado antes.

Subindo as escadas de seu estúdio, damos de cara com uma bela foto de John Lennon. Ela serve de inspiração ou contra-exemplo?

CHRIS: É engraçado porque, se você der uma volta na Bakery, vai ver um monte de fotos em torno do estúdio de todas essas pessas que amamos. A primeira que você vê é a de John Lennon e, depois, dos Beatles em Hamburgo; descendo, há fotos do Woody Allen, do Jay-Z, Björk e PJ Harvey e… My Bloody Valentine, Michael Jackson… Estão em toda a parte […]. Desse modo, toda vez que estamos arrogantes; toda vez que pensamos “Nós somos bons mesmo”, olhamos para essas fotos e concluímos: “É, ainda temos que melhorar”.

[…]

Por que Violet Hill foi escolhida para ser a primeira música de trabalho?

CHRIS: Acho que escolhemos Violet Hill para ser o primeiro single porque ficamos contentes com o fato de nosso guitarrista Jonny destacar-se nessa música. Queríamos que nosso primeiro single tivesse essa marca, de modo que as pessoas pudessem brincar de air guitar, quando chega naquela parte ((?)). Essa música é bem mais guitarra do que vocais.

Como o quadro de Delacroix reflete o título e o que ele significa para vocês?

JONNY: O tema do álbum é mais ou menos a revolução irrompendo pelo palácio, lutando por mudanças e subvertendo toda a ordem antiga. O quadro de Delacroix meio que se enquadra nisso.

CHRIS: É sobre pichar obras de arte.

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