Fazer parte do Coldplay, fazer parte de uma das maiores bandas do mundo, pode tornar-se acomodadiço. Acomodadiço demais, até. Para o baixista Guy Berryman, no entanto, a excitação continua intacta. Mesmo após todos os massivos shows de larga escala, os grandes festivais, pisar no palco ainda dá um friozinho na barriga. Ou faz o sangue subir à cabeça, se você preferir.
“Não fico mais nervoso, mas ainda sinto aquela empolgação”, afirma ele. “Adoro aqueles segundos antes de entrarmos no palco, a ansiedade das luzes se apagando. Eu nunca me canso disso”.
O Coldplay está no meio de uma turnê mundial, divulgando “Viva La Vida Or Death And All His Friends”, o quarto álbum da banda britânica que fez fama por seu rock melancólico, embalado pelo piano. Em um ano de crise para a indústria fonográfica, o disco é um dos grandes destaques de todos os tempos, tendo conquistado o maior lançamento da história de Berryman, Chris Martin, Jonny Buckland e Will Champion: só nos Estados Unidos, o álbum vendeu 720.000 cópias na primeira semana, de acordo com Nielsen SoundScan – mais de 300.000 no primeiro dia.
Enquanto essas cifras continuando a crescer, a banda tem feito shows quase ininterruptamente desde junho, incluindo uma passagem pelos Estados Unidos.
“Temos quatro álbuns agora, então temos de encontrar um equilíbrio entre o novo disco e as músicas antigas que as pessoas querem ouvir”, Berryman afirma. “Tentamos tornar [o show] o mais dinâmico o possível, do começo ao fim. Levou um bom tempo para que atingíssemos uma forma ideal, boa parte da primeira turnê estadunidense. Os shows se organizam basicamente em torno das mesmas invariantes agora, porque estão funcionando”.
Uma equipe de peso trabalhou em um novo visual para o palco da perfórmance do Coldplay e mesmo trouxe o que Berryman descreve como “algumas coisinhas que o público nunca viu em outras apresentações antes”.
Para a banda, que completa dez anos de trabalho, a vida na estrada, hoje, não é nada de mais. Berryman disse que aprendeu a lidar com os rigores da turnê, abstendo-se das prodigalidades, em favor de hábitos saudáveis e exercícios diários. Correr de hotel para hotel, passar longos períodos em espaços… Ficar doente, assim, é muito fácil e “não é legal ficar de molho durante uma turnê, não dá”.
“Destruimos a nós mesmos algumas vezes porque não nos cuidávamos, indo a festas todas as noites, ficando acordado até tarde”, ele relata, relembrando-se de épocas remotas da banda. “De fato, estamos apenas – eu, em particular – tentando nos manter saudáveis. É essa coisa da idade: corpo são, mente sã. Teria rido de mim mesmo anos atrás, se me visse falando disso, mas é verdade”.
O Coldplay vai encerrar as atividades do ano com uma série de shows no Reino Unido, em dezembro. Após um mês de descanso, a banda irá reunir-se novamente para começar a selecionar material para um quinto álbum. “O plano, idealmente, é ter algo pronto até o fim de 2009?.
Essa seria uma notável reviravolta para uma banda conhecida pelos consideráveis intervalos entre-álbuns, que representam hiatos de três anos entre cada um dos álbuns anteriores da banda. E os fãs, no ínterim, têm um bom presente: [recentemente, foi lançado] “Prospekt’s March”, um EP de oitos faixas, entre as quais, músicas que não foram incluídas em “Viva”, além de uma nova versão de “Lost!”, remixada por Jay-Z.
O Coldplay foi enfático ao deixar claro que não se trata de faixas descartadas. Com efeito, segundo Berryman, muito desse material se enquadraria perfeitamente em “Viva”.
“Não queríamos que esse álbum fosse longo demais. Achamos isso do terceiro disco e não queríamos cometer o mesmo erro. Por outro lado, essas músicas eram boas demais para serem apenas b-sides. É uma espécie de complemento [amendment] ao ‘Viva La Vida’. Queríamos que as pessoas escutassem esse disco em separado e não martelá-lo na cabeça de ninguém”.
Fonte: Boston Herald