Coldplay comenta cada música de Mylo Xyloto.

Diego Luiz
24 set 2011

Em entrevista para o site Music Week, a banda falou um pouco mais sobre Mylo Xyloto, descrevendo as mudanças que ocorreram durante os processos de gravação, influências, além dos comentários de Chris Martin sobre cada música do novo álbum. Clique em leia-mais para ler a entrevista completa.

O guitarrista Jonny Buckland, explica: “Brian é uma pessoa muito inspiradora. Ele nos escreveu uma carta, logo depois que terminamos o último álbum, dizendo: ‘Foi bom, mas acho que podemos ir mais longe, podemos fazer mais’ e assim, de certa forma, ele nos manteve ativos”

O baterista Will Champion adiciona: “O Chris sempre gosta de dizer que este poderia ser o nosso último álbum, e no momento, logo após que terminamos um álbum, a sensação genuína é de que não resta mais nada na reserva – as ideias se esgotaram, então a intenção de gravar um outro disco soa assustadora.”

É mérito de Eno ter conseguido maior produtividade da máquina Coldplay, já que Mylo Xyloto, o quinto álbum de estúdio da banda, é possivelmente seu trabalho mais excitante, consistente e cativante desde A Rush of Blood To The Head de 2002. Ameaçando conter mais singles de sucesso do que o seu predecessor, Viva La Vida Or Death And All His Friends, de 2008, o novo álbum talvez ainda não confirme o Coldplay na posição de maior banda do mundo, mas tem potencial de superar os nove milhões de cópias vendidas de Viva.

Num bate-papo no  estúdio  Bakery  em Hampstead – tendo acabado de finalizar o tracklisting durante o almoço – a banda parecia relaxada, apesar de se confessarem nervosos em relação a como o mundo vai responder a um álbum cuja existência iniciou como um “tranquilo álbum acústico” e, em certo ponto, foi destinado a ser trilha sonora ao estilo do filme de animação estilo Yellow Submarine (projeto abandonado porque iria demorar cinco anos para ser concluído) e agora ganha vida como um “álbum conceitual”  pop progressivo baseado em sintetizadores que ainda consegue ser roqueiro; A guitarra de Buckland, sem dúvida, está muito mais proeminente do que antes.

O baixista Guy Berryman revela: “Ia ser uma espécie de trilha sonora para um filme que estávamos escrevendo, que já possuía uma história e nós estávamos em processo bastante avançado, criando personagens, quando abandonados  a ideia e mudamos para um direcionamento diferente, mantendo elementos de álbum acústico e da trilha sonora. Acabamos com um álbum que foi pensado de uma maneira bastante inusitada. Ele é como uma mistura de todas essas fases diferentes.”

O vocalista Chris Martin – que na semana passada revelou ao Music Week como surgiu a colaboração com Rihanna em Princess of China – não se recusou a descrever Mylo Xyloto como um álbum conceitual; na verdade, face a uma época em que se baixam músicas individualmente, ele diz que [a banda] planejou deliberadamente fazer um trabalho que os fãs gostariam de ouvir em sua totalidade.

“Eu acho que, se você quiser usar essa palavra, você não estaria errado”, diz Martin. “É sobre pessoas que estão perdidas em um ambiente hostil e encontram um no outro uma maneira de sobreviver. É uma história de amor, basicamente. Mas não tem muitos dragões ou montanhas, que eu acho que é o que as pessoas associam com álbuns conceituais. Nós realmente sentimos que o álbum, enquanto formato, está tão ameaçado, que deveríamos fazer um esforço para fazer um trabalho coeso. E, mesmo que os fãs não queiram possuir todas as músicas, o álbum faz sentido como uma unidade, caso alguém se interesse nisso. Então, se você quiser encontrar uma narrativa durante a audição, você poderá, e isso é algo que nós apenas nos divertimos fazendo.”

A produção foi confiada a uma equipe já estabelecida: Markus Dravs, Daniel Green, Rik Simpson e [Brian] Eno, que é creditado por “enoxificação e composições adicionais”, além do o ex-empresário Phil Harvey – atualmente, “quinto membro não-oficial” da banda – com um papel essencial como diretor criativo. Berryman acrescenta: “Houve elementos que foram os mesmos, mas sentimos como uma página completamente diferente.”

De fato, as sessões de gravação não incluíram somente o tempo de experimentação na The Bakery ou no The Beehive, seu outro estúdio. Buckland aponta: “Podemos passar semanas a fio com Brian fazendo músicas com base em campanologia [Arte de tocar música em sinos, campainhas ou copos] ou sobre, sei lá, barbearias- e no outro estúdio a Beehive”.

Em vez disso, eles trabalharam no álbum enquanto estavam em turnê em Miami, New York, Los Angeles e Tóquio, onde completaram o álbum no mês passado (ver faixa por faixa abaixo). Champion acrescenta: “Isso foi crucial, porque realmente nós podemos ver que o prazo [para concluir o álbum] estava ficando cada vez mais próximo e as horas que passamos naqueles estúdios ao redor do mundo foram realmente inestimáveis!”

O presidente da Pharlophone, Miles Leonard, homem encarregado do Artistas e Repertório [A&R], concorda que a banda fez um álbum de referência. “Esse álbum exigiu muito tempo e trabalho. A banda saiu de uma extensa turnê para começar direto o processo de composição e é aí que o Brian entra para descontruir e reconstruir as músicas novamente. E então alguém como o Markus assume, senta à sua mesa e entrega aquele som de rock”, diz ele.

Meticulosas reuniões entre a gravadora e a equipe de empresários tem ocorrido desde fevereiro para planejar uma turnê de, no mínimo 18 meses, e, possivelmente, levar a banda para territórios ainda não-explorados como África do Sul, Leste Europeu, sudoeste Asiático e China. Leonard destaca que, apesar de ter 50 milhões de discos vendidos, tudo com o Coldplay é trabalhado com muita seriedade e cuidado. Ele elogia particularmente a atenção da Equipe 3D aos detalhes e abordagem dos dois singles disponibilizados anteriormente ao lançamento do álbum (ver faixa por faixa abaixo) – e menciona também a decisão da banda de ter tocado novas músicas em turnê durante o verão, incluindo o Glastonbury, onde foram headliners e deram ao U2 uma aula de como cativar um público de festival.

Leonard diz: “Vemos isso como uma vantagem, não uma desvantagem, para ter mais música saindo. Hoje em dia as pessoas precisam ouvir mais do que um único single para ser convencido a comprar um álbum.” Mas, francamente, é provável que seja o álbum de 2011 que muitos não precisarão ser convencidos a comprar.

Contra um cenário de queda nas vendas para as bandas de rock, o empresário do Coldplay Dave Homes arriscou uma “abordagem pop” lançando dois singles –  Every Teardrop Is A Waterfall (3 de Junho) e Paradise (12 de Setembro) – antes do lançamento do novo álbum, em 24 de outubro. Um plano incomum.

Ele explica: “Quando eu sei que temos músicas suficientes para o álbum, eu começo a pensar na hora ideal de lançamento e, neste caso, eu optei por uma abordagem não-tradicional, depois um longo tempo de planejamento. Nós decidimos lançar um single em junho – nada de falar sobre álbum durante “uma turnê mundial ao redor do mundo” – enquanto a banda testava o novo material. Eu disse: “Vamos deixar a música falar”.

“Eu queria uma abordagem mais populr. Eu disse a eles: Vocês têm que estar lá fora, realizando duas tarefas, a turnê e terminar um disco. Mas as pessoas hoje em dia têm  um curto espaço de atenção.”- Eu vejo bandas de rock lançar somente um single e, em seguida, um álbum e depois desaparecem e então lançam dois singles… Acho que eles têm que convencer as pessoas a comprar o álbum.

Enquanto Holmes – entrando em seu 11º ano de gestão da banda – concorda que seu senso de excitação em torno Mylo Xyloto lembra que, antes de A Rush Of Blood To The Head, sua ambição com o álbum não é apenas para vender mais álbuns. “Eu acho que este será melhor do que o último, eu gostaria de fazer melhor, mas não se trata apenas de vendas. É sobre ter mais músicas que resistirão ao teste do tempo. Seria ótimo terminar esta campanha com mais canções em seu repertório”.

MYLO XYLOTO:  Comentário  faixa por faixa com Chris Martin:

01 MYLO XYLOTO

Significa o que você quiser que signifique. [Para mim] que significa uma liberdade de expressão e você pode pensar em novas palavras se você quiser. Ainda há coisas que você pode inventar e palavras que começam com X, são poucas e distantes entre si, então pensamos que poderíamos tentar e adicionar uma outra.

02 HURTS LIKE HEAVEN

Essa é a faixa de abertura, de verdade. É como se fosse o nosso chamado para ir a combate. Eu acho que é musicalmente um exercício de relaxamento para nós.  Um aquecimento.

03 PARADISE

Se nós nunca ganhamos o “The X Factor” [uma competição de música da televisão britânica para encontrar novos talentos], essa seria a música que poderíamos cantar. Nós nunca iremos, é claro, mas isso é o que faríamos.Eu acho, que a verdade seja dita, que não somos bons o suficiente para estar nele.

04 CHARLIE BROWN

Esta é a única música que nós escrevemos numa casa de boneca. Eu fiquei hospedado num lugar com uma Wendy House [uma Wendy House é uma casa para crianças pequenas brincarem] e a transformei em um estúdio porque minha filha não tinha gostado. E voltei de um show do Bruce Springsteen em LA e eu estava tipo: “Tá bom, vamos ver se saiu alguma coisa daquele dia. ”

05 US AGAINST THE WORLD

A coisa toda é para ser uma espécie de história, de modo que tudo se encaixa e os dois personagens das duas músicas anteriores se encontram. É sobre encontrar alguém que você ama, quando você conhece alguém e de repente tudo fica bem novamente.

06 M.M.I.X.

Não tem haver com 2009. Ela veio de Mat McGinn (como nosso técnico de guitarra) e foi impressionante, então eu não sei porque diabos ela tem esse nome. Não tem nada a ver com nada… Ela representa nada, é apenas uma coleção de letras.

07 EVERY TEARDROP IS AWATERFALL

Pois é, o tema central do álbum – Paradise meio que trata sobre isso também – de alguma forma, tentar transformar coisas ruins em coisas boas. Nós, como uma banda, já passamos por alguns incidentes engraçados em que pessoas foram agressivas em relação a nós ou a coisa do tipo. E um monte dos álbuns são alimentados por uma espécie de fogo que vem para transformar a negatividade em positividade. E acho que todos em sua vida tem algo assim.

08 MAJOR MINUS

É mais ou menos a versão musical do vilão de um filme do Bond.  Um primo ruim do álbum. É o desagradável.

09 UFO

Essa é acústica… Na verdade, foi a primeira música escrita para o álbum e a sequência de acordes dela aparece algumas vezes [ao longo do álbum]. É meio que a hora da reflexão [prayer “times”]. A sensação de estar perdido está no álbum todo, mas também está a sensação de se encontrar, um pouco dos dois.

10 PRINCESS OF CHINA (FEAT. RIHANNA)

Eu realmente meio que compus essa música para Rihanna e acabei gostando demais dela. E então, ficou claro que seria uma espécie de bate e volta entre um casal. Demorou cerca de um ano para criar coragem, mas, eventualmente, eu perguntei a ela e ela não se mostrou indisposta. Eu toquei para ela num piano em Los Angeles. E eu tenho que dizer, foi muito estressante. E então ela disse, ‘Ah, tá bom, vai’

11 UP IN FLAMES

Nós compomos esta cerca de quatro semanas atrás, e então nós a gravamos em cinco países em sete dias. Isso foi divertido. Foi quando sabíamos que poderíamos terminar o álbum porque o Will – que é o mais difícil de agradar da banda – quando ele ouviu, ele disse, “Ok, podemos terminar agora” porque eu acho que ele gostou dessa.

12 A HOPEFUL TRANSMISSION/DON’T LET IT BREAK YOUR HEART

Bem, eu acho que nós queríamos fazer um álbum desta vez com um final feliz e eu acho que nós realmente fizemos isso, algo que nós nunca pensamos em fazer. Por qualquer motivo que seja, isso aconteceu e é ótimo porque  nessa música você deu tudo de si e trabalhou tão duro quanto possível – o que para uma banda como o Coldplay, é uma coisa muito prazerosa.

13 UP WITH THE BIRDS

Foi quando estávamos com pensamentos sobre uma história que parecia ser tipo o final de um filme.

Tradução: Diego e Samir

Diego Luiz

@diegolsc