Review especial: Mylo Xyloto, o próximo álbum do Coldplay

23 setembro, 2011

Algumas pessoas sortudas tiveram a oportunidade de ouvir ‘Mylo Xyloto’ na íntegra após o show em Austin, Texas. Clique no Leia Mais e veja a opinião de uma delas, música por música, com especial atenção à extremamente antecipada parceria com Rihanna em ‘Princess of China’:

“Esse fim de semana foi praticamente tudo o que um fã de Coldplay pode pedir. Uma incrível filmagem com novo material para o Austin City Limits na quinta à noite, e uma performance no 10º aniversário do Festival de Austin City Limits na sexta. Mas quando meu velho marido e eu chegamos em casa, loucos de animação depois da filmagem (hum, primeira fila e eu pude conhecer o Chris Martin depois… sim!), ainda havia outra surpresa nos esperando. Nós descobrimos que iríamos participar de uma listening party (NT: reunião para ouvir músicas) para o novo álbum do Coldplay, Mylo Xyloto num local secreto na tarde de sexta-feira.
Nós tínhamos algumas instruções vagas para nos reunir no Hilton perto do aeroporto, mas não tínhamos nenhuma idéia de onde estávamos indo ou o que esperar.Resumindo uma longa história, mais ou menos uma hora e meia depois 30 ‘ganhadores’ foram colocados num ônibus confortável e levados em direção à Av. Congress. Nós encostamos na parte de trás do Hotel Saint Cecilia, um lugar absolutamente bonito, comemos e logo depois fomos conduzidos a uma sala do lado de fora do jardim para escutar o álbum num par de impressionantes auto-falantes.

Devo dizer que normalmente eu não escreveria um review de um álbum antes de ouví-lo diversas vezes. Estou fazendo uma grande excessão aqui por várias razões. Primeiro, eu já ouvi a maioria das músicas do álbum várias vezes porque o Coldplay às vem tocando nos festivais. Segundo, eu estou tão familiar com suas músicas que me sinto bem segura em compartilhar minhas opinões sobre esse álbum, pelo menos de uma forma geral. Finalmente, quantas vezes eu poderei fazer isso? Tipo, nenhuma, e eu realmente quero compartilhar essas informações com outros animados fãs do Coldplay. Então, sem mais delongas, aqui está meu review de ‘Mylo Xyloto’.

Mylo Xyloto começa com a música de mesmo nome, uma faixa cheia de sonoridade, com piano e xylofone brilhantes, uma pequena introdução musical. Coldplay também vêm abrindo os seus shows em festivais com ela, e, como nas performances ao vivo, MX leva suavemente à cheia de guitarras Hurts like Heaven . Hurts like Heaven é um som pop com influências dos anos 80 (pense em Lips like Sugar) e um número de ótimos solos cascadeantes do guitarrista Jonny Buckland que soam tão frescos no álbum quanto ao vivo. A letra de ‘HLH’ e o vocal de Martin também nos mostram uma urgência que combina com o trabalho da guitarra.
Hurts Like Heaven dá lugar a uma das maiores divergências sonoras do Coldplay até agora, o rítmico e atmosférico segundo single, Paradise. As cordas na sua introdução tranformam-se em sons sintetizados completamente influenciados pelo hip-hop e uma batida forte. Têm havida uma grande discussão sobre essa música entre os fãs de Coldplay e ela tem suas desvantagens, mas funciona muito bem no contexto do álbum. Ainda temos aqui vários ‘indicadores’ do Coldplay: piano, cordas e a voz suave de Martin, aqui no modo contador-de-histórias, e o refrão cheio de falsettos feito pra que a multidão cante junto. Outra razão para gostar de Paradise em Mylo Xyloto – os vocais da banda estão simplesmente um arraso. Foi mais ou menos nessa hora que as pessoas começaram a balançar as suas cabeças – definitivamente um bom sinal por estarmos tão no começo do álbum.

Uma das músicas que os fãs vêem delirando sobre há meses é a próxima faixa, Charlie Brown, uma música que soa absolutamente maciça ao vivo graças à sinuosa e arrebatadora melodia da guitarra de Buckland e a enérgica bateria de Will Champion. Os fãs ficarão felizes em saber que a versão de estúdio é fiel à versão ao vivo, e, na verdade, Charlie Brown soa ainda melhor porque mantêm-se a produção simples e a voz de Martin está livre e fluida. Notavelmente, Charlie Brown ganhou a primeira salva de palmas na pequena sala que continha não mais que 40 pessoas.
A produção de Us Against the World, umas das músicas mais proeminentes da performance ao vivo do Coldplay, também é mantida simples. Us Against the World é facilmente uma das músicas mais bonitas da banda, e, na gravação, o dueto de Martin e Champion é deslumbrante. UATW tem mantido multidões de festivais quietas em contemplação, e não foi diferente neste evento, os ouvintes a absorveram totalmente.
MMIX é outro curto interlúdio instrumental, que rapidamente se transforma no enorme hit de verão Every Teadrop is a Waterfall que contêm um sample de ‘I Go to Rio’ de Peter Allen. Muito já foi dito sobre ETIAW, uma faixa que dividiu opiniões na comunidade de fãs do Coldplay, mas que eu pessoalmente gosto. Quer dizer, eu não sei o que há para não gostar nesta música – é divertida, a banda soa o mais livre que já esteve, Buckland brilha num incrivelmente esperto riff de guitarra, Champion pulsa na bateria, e eu gosto dos versos cantados-falados. Um das minhas características favoritas da forma com que Martin escreve músicas é como ele captura perfeitamente um sentimento numa simples frase e ETIAW é cheia de exemplos disso (“I’d rather be a comma than a full stop” – “eu prefiro ser uma vírgula do que um ponto final”). Quanto à declaração de que é muito pop… bom, eu odeio te dizer isso, mas Coldplay tem tido músicas na cetegoria pop desde Yellow.

Neste raciocínio, a oitava faixa, Major Minus, serve como um perfeito contraponto à ETIAW para pessoas procurando a sua dose de rock. No álbum, Major Minus é mais polida do que ao vivo, com o vocal de Martin vindo como que detrás de uma camada texturizada. Mylo Xyloto tem uma sequência tão boa que esse aspecto da música nem me incomoda. Eu ainda prefiro as versões calorosas e pipocantes da música ao vivo, onde o fervor da guitarra, bateria e baixo não têm restrições. Major Minus é também onde as influências de Dylan e Springsteen são mais óbvias, particularmente nas letras de Martin, e MM contêm o melhor uso recente do falsetto de Martin.
Só foi mesmo a partir deste ponto que eu escutei músicas com as quais eu não era familiar.

Entre as faixas restantes, a que eu mais estava esperando era a altamente antecipada Princess of China, com a participação de Rihanna. Realmente parece uma faixa excelente, uma parte central do álbum, apesar de todas as suposições já feitas.Esse é provavelmente o único outro lugar onde influências hip-hop emergem em Mylo Xyloto, mas isso é feito de uma forma ainda mais sutil que em Paradise. Rihanna aqui soa totalmente diferente, nada parecido com qualquer outra coisa que ela já tenha feito, e a combinação de sua voz com a de Martin é supreendentemente a melhor possível. E acho que o sentimento na sala foi mútuo; as pessoas aplaudiram Princess of China mais do que qualquer outra música, e nenhum desses fãs dedicados pareceram incomodados pela presença de Rihanna – foi o contrário, na verdade. Essa ainda é uma música do Coldplay, e a contribuição de Rihanna complementa não só a música, mas Mylo Xyloto como um todo. Mal posso esperar para ouvir de novo.
Up in Flames, que estreiou na filmagem de Austin City Limits é outra que chama atenção. É lenta, com uma batida como a do metrónomo, e o falsete feito para baladas de Martin alcança confiantemente as notas mais altas que ele já conseguiu em anos. Depois de Princess of China, os ouvintes ficaram quietos de novo e houveram suspiros, notadamente. Up in Flames é linda e emocional na sua simplicidade e, mesmo assim, soa épica no seu lugar no álbum. As duas últimas faixas de Mylo Xyloto também são dignas de nota. Don’t Let it Break Your Heart é uma música acelerada com um reminiscente memorável de Charlie Brown em seu estilo, e Up With the Birds é outra tocha que queima lentamente e quebra seu coração completamente no fim do álbum.
Em uma visão geral, Mylo Xyloto é um álbum estimulante e vívido, não é altamente-produzido, e equilibra delicadeza e estilo bombástico de uma forma segura e estável. O Coldplay nunca esteve tão liberado como uma banda, nem mesmo em Viva La Vida or Death And All His Friends, onde eles começaram a expandir seu som melodioso. Em MX não se sente aquela hesitação que algumas vezes prejudicou a banda no passado, e há mais variações nos riffs, mais solos, mais batidas e mais baixo do que nunca. A voz de Martin também nunca soou tão natural, e seu alcance também nunca foi tão grande – ele soa incrível durante todo o álbum. Mylo Xyloto é desassossegado e tem um ritmo rápido – o tipo de álbum que você pode absorver ouvindo de novo e de novo, e escutar uma coisa diferente à cada vez. É cheio de energia frenética e baladas de cortar o coração. Como um álbum quase conceitual, é absorvente de muitas formas, e soa bem ‘do momento’, uma coisa que o Coldplay sempre soube fazer de forma excelente.”

 

Fonte: Austin Girl Music Guide

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