“Let’s go Back to the Start”: novo episódio da série destaca o segundo álbum do Coldplay

Viva Coldplay mergulha nos processos de gravação e marcos da era "A Rush of Blood to the Head"

28 junho, 2023

No nosso último encontro, trouxemos para os leitores as dores e as delícias da era “Parachutes”, uma fase tão conturbada quanto fascinante. Agora chegou a vez do grande, do magnífico, do inigualável “A Rush of Blood to the Head”!

O sétimo episódio da série “Let’s go Back to the Start” já começa com uma confissão: talvez o conteúdo que você lerá a seguir, leitor (a), carregue doses de parcialidade. Isso porque, para a redatora deste texto, o “A Rush of Blood to the Head” (“A Rush” para os íntimos) é o melhor álbum do mundo (quem concorda respira, rs). Então fica difícil deixar aquela emoção toda de lado, dá para entender? Mesmo assim, tentarei ser o mais ponderada possível.

LET’S GO BACK TO THE START

Episódio 7: O maior, o inigualável, o magnífico!

“Conhecer novos lugares, conhecer novas pessoas… Tudo isso entra na sua cabeça e você também quer fazer algo diferente”.

Chris Martin, pouco antes de entrarem em estúdio para gravar as faixas de “A Rush of Blood to the Head”

Com essas palavras, a gente já tem um vislumbre de como o processo de gravação seria. O sucesso do álbum anterior, “Parachutes”, foi tanto que, para além das expectativas das gravadoras envolvidas, os próprios músicos colocaram sobre si uma pressão muito alta e buscavam a autossuperação. O acordo entre eles foi que precisavam acreditar que o novo álbum fosse uma melhoria ou, ao menos, uma progressão do anterior.

Parte de “A Rush” foi gravado no Parr Street Studios, em Liverpool, onde gravaram também a maior parte de “Parachutes”. A ideia de repetir a dose veio da necessidade de se manterem o mais longe possível de distrações. No vídeo abaixo, porém, temos uma bela evidência controversa. Filmado durante o processo de gravação do álbum, o hilário “Jonny goes Jazz”, também conhecido como “Away Day”, nos mostra que os meninos também sabiam se divertir.

O compromisso com a autossuperação resultou em algo curioso. Iniciando o processo de gravação no fim de 2001, foi a própria banda quem estabeleceu um prazo para o lançamento do álbum: junho de 2002. Isso porque a intenção era que “A Rush” fosse lançado na mesma semana ou até mesmo um pouco antes do Glastonbury – considerado o maior festival de música do mundo.

Pela primeira vez, o festival contaria com a banda como atração principal no famoso “Pyramid Stage”. E foi ali que mostraram ao mundo um novo Coldplay. Apesar de não ter sido possível cumprir com o prazo que eles próprios haviam estipulado, Chris, Guy, Jonny e Will mostraram pela primeira vez ao público várias canções novas, que deixaram a plateia completamente boquiaberta.

Antes mesmo de “A Rush of Blood to the Head” ter sido lançado, as músicas do álbum já performadas ao vivo ganhavam o coração de muitos. As apresentações no Glastonburry e no Meltdown Festival, ambas em junho de 2002, foram suficientes para aguçarem o gosto da crítica musical. As novas músicas ganhavam revisões extremamente positivas de veículos de comunicação consolidados, como as revistas Rolling Stone, People e Entertainment Weekly.

Apesar de programado para junho, “A Rush of Blood to the Head” foi lançado em 26 de agosto de 2002. O título vem de uma expressão britânica, que significa fazer algo por impulso.

O álbum, como já se esperava, foi um verdadeiro sucesso, sendo o número um de vendas de países como Alemanha, Canadá, Austrália e Reino Unido. Mais de 140.000 cópias foram compradas só na primeira semana de lançamento e alcançou-se um incrível e inimaginável número 5 na mais significativa parada musical mundial, a Billboard 200.

A capa de “A Rush” – um espetáculo à parte, convenhamos – foi encomendada ao fotógrafo de moda norueguês Sølve Sundsbø, assim como a capa de todos os singles do álbum. Quatro singles foram lançados no total: “In my Place”, seguido de “Clocks”, “The Scientist” e, por fim, “God Put a Smile Upon Your Face”.

Dos singles lançados, “In My Place” ganhou o Grammy de “Melhor Performance de Rock por um Duo ou Grupo com Vocais” em 2003 e, em 2004, foi a vez de “Clocks” ganhar o Grammy de “Gravação do Ano”, vencendo os hits “Crazy in Love” (Beyoncé), “Hey Ya” (Outkast) e “Lose Yourself” (Eminem). Concorrência de peso, hein?

Além das premiações resultantes dos singles, foram vários os prêmios em torno do próprio álbum. “A Rush of Blood to the Head” foi reconhecido como “Álbum do Ano” pela aclamada premiação Q Awards em 2002 e, no ano seguinte, foi condecorado como o “Melhor Álbum de Música Alternativa” pelo Grammy Awards e “Melhor Álbum Britânico” no Brit Awards.

Além disso, “A Rush” recebeu indicações em várias outras cerimônias importantes do mundo da música, como o MTV Europe Awards e o NME Awards.

Por falar em premiações, quem aqui já assistiu à poderosa apresentação de “Politik” no Grammy Awards de 2003 junto com a Orquestra Filarmônica de Nova Iorque? É de arrepiar!

Saiba mais sobre algumas das faixas que compõem o álbum:

Politik” foi escrita na noite do dia 09/11/2001, completamente influenciada pelos atentados terroristas nos Estados Unidos. Segundo Chris, todos estavam confusos e assustados e essas sensações foram traduzidas em uma canção em que levaram os instrumentos ao limite, tocando-os o mais alto e energicamente possível. A intenção era dispensar qualquer ideia de fragilidade.

Chris conta que a ideia de “The Scientist” foi testarem quão bonita e à flor da pele conseguiriam chegar com uma canção. Ainda sobre a música, vocês sabiam que Chris teve de aprender a cantar a letra ao reverso para conseguir gravar o clipe? Um grande esforço que resultou em um dos mais sensíveis videoclipes já feitos pela banda (uma humilde opinião, rs).

EEEE-ZIT-SOBLEEE-SEAH-MOAN… Imaginem ter de aprender a cantá-la dessa forma?

E você sabia que “God Put a Smile Upon Your Face” e “Clocks” são inspiradas na banda Muse? Para a primeira, queriam algo com mais “balanço”, mais energia. Já a segunda, apesar de ser uma das mais aclamadas músicas da banda de todos os tempos, foi gravada com uma rapidez incrível.

Segundo Chris, “Green Eyes” é sobre uma amiga estadunidense que cuidou dele mesmo “quando ele estava sendo um idiota”. Fica aí a pulga atrás da orelha: o que será que o senhor Martin tinha aprontado, hein?

Já a canção que leva o nome do álbum, “A Rush of Blood to the Head“, é uma homenagem ao compositor country estadunideste Jonny Cash – uma das grandes influências musicais do Coldplay.

Amsterdam” leva esse nome por ter sido escrita na capital holandesa. Apesar de Chris considerá-la a mais simples do álbum, foi a que levou maior tempo para ser escrita.

A fama da banda, naturalmente, os aproximou de grandes nomes da música, a ponto de dividirem palco com músicos do calibre de Noel Gallagher, da banda Oasis, e nada mais nada menos que Elton John. A participação do multiartista britânico aconteceu em um show em Atlanta, na Georgia, onde ele levou o público à loucura. Até então, era o maior barulho que Chris, Guy, Jonny e Will já tinham ouvido uma plateia fazer:

Com a fama, veio também a vontade de usarem-na de forma mais significativa. Se hoje o Coldplay é conhecido como uma banda que apoia muitas causas sociais e ambientais, foi na era “A Rush of Blood to the Head” que esse interesse foi iniciado. Junto de outros artistas, eles passaram a apoiar a campanha “Make Trade Fair” da Oxfam, cuja mensagem era a de estabelecer relações comerciais mais justas entre países ditos de “primeiro mundo” e países “em desenvolvimento”. Era muito comum ver Chris usando camisas e escritos na mão referentes à causa nos mais diversos eventos e sessões de fotos.

Dentre as várias atitudes que demonstravam o comprometimento da banda com a “Make Trade Fair”, Chris chegou a viajar para o Haiti para entender de perto os prejuízos causados pela aplicação de taxas abusivas nos trâmites de importação e exportação entre países. Além disso, o Coldplay participou de um show em Londres completamente em prol da campanha.

Por falar em shows significativos, o “Live 2003”, primeiro DVD da banda, imortalizou o melhor da era de “A Rush” em imagens. Lançado em novembro de 2003, o DVD mostra um Coldplay em máxima forma durante shows gravados em Sydney, na Austrália.

Além do show em si, o DVD vem acompanhado de uma preciosidade: um documentário de 40 minutos que reúne trechos por trás das câmeras da movimentada turnê da banda. No vídeo abaixo, a gente vê uma parte clássica dele, quando os quatro entraram no palco do “Red Rocks Amphitheatre” – uma arena ao ar livre localizada na cidade estadunidense de Morrison – abrigados por um guarda-chuva. Nem o temporal que investia sobre o público foi capaz de fazer os fãs perderem o ânimo.

E, por falar em turnê, a gente quer saber: algum (a) sortudo (a) por aqui conseguiu assisti-los ao vivo em 2003? Porque sim, nossos amados pisaram em solo brasileiro para duas apresentações em setembro de 2003, uma em São Paulo e outra no Rio! Se você foi uma das pessoas felizardas, não deixe de nos dizer nos comentários.

O que a gente não faria para ter feito parte desses dias de glória, não é mesmo? Mas, por incrível que pareça, a jornada do Coldplay ainda estava só começando! Afinal, esse era apenas o segundo álbum de estúdio da banda! E sabemos que temos muuuitos outros na conta, não é mesmo?

Quem acompanhou o último episódio da série “Let’s go Back to the Start” viu que a jornada “Parachutes” não foi nada fácil. Agora, nada se compara ao drama de “X&Y”, reconhecida por todos os quatro como a fase mais sombria da banda. O estresse foi tanto que quase os levou a colocar tudo por água abaixo – e esse vai ser o tema do nosso próximo episódio. Então já sabem: não dá para perder, hein?

Referências:

Coldplay timeline. Disponível em: https://timeline.coldplay.com/. Acesso em junho de 2023.

SPIVACK, Gary. Coldplay. Look at the stars. Nova Iorque: Pocket Books, 2004.

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