Chris Martin fala sobre Eno, Radiohead e o novo álbum de sua banda, Mylo Xyloto [Pitchfork – 31/out]

11 dezembro, 2011

O Chris Martin é um cara boa pinta. Tipo, muito. “Você é sortudo porque vai ter cabelo a vida inteira”, diz ele, olhando para o topo da minha cabeça. “Vai ficar um pouco ralo, mas vai ficar bem. E isso é uma grande dádiva”. No entanto, é do interesse dele mesmo para dar uma de cara legal em qualquer entrevista. E ele teve mais de uma década para dominar essa dança. Ainda assim, em um hotel relativamente modesto em Manhattan, Martin parece genuinamente interessado e o seu charme parece nunca acaba em arrogância.

A afabilidade natural do vocalista do Coldplay (34 anos) chama ainda mais atenção considerando o fato de que, há apenas algumas horas, ele estava cantando e dançando na frente da platéia do Today Show no infame horário de 7 da manhã. Obviamente, Martin não está reclamando. Mas ele realmente parece estar extraindo um conforto extra de suas roupas comuns desbotadas.

Na noite anterior, assisto da platéia o cantor respondendo algumas perguntas barra pesada no The Colbert Report. Lá, ele estava animado e sagaz, interagindo muito bem com Colbert. Mas ele também estava educado em um grau quase irritante. Porque, mesmo que o Coldplay tenha vendido mais de 50 milhões e que tenha alcançado certo respeito entre os críticos nos últimos dez anos, Chris Martin pode ainda parecer um pouco desconcertado pelo seu ‘status’ como uma das estrelas do rock mais conhecidas do planeta. A música de sua banda é completa, plenamente magistral em relação a ambição e sentimento, mas, fora do palco, Martin é basicamente imune às trivialidades emitidas por quase grunhidos entre seus semelhantes de peito inflado?

Em pessoa, ele consegue ser quase tão inocente quanto um adolescente se agarrando a um vinil. Por exemplo, ele fica desconsolado com a recente separação do R.E.M. “Por que não dar um tempo e voltar a tocar quando der vontade de tocar?”, ele sugere. “Eu amo o R.E.M., por isso eu prefiro quando eles estão na ativa, mas eu compreendo”. Tendo crescido no oeste rural da Inglaterra, o primeiro álbum do R.E.M. que ele ouviu foi o sucesso de 1991, Out of Time: “Sem a internet, os álbuns precisavam ser muito grandes antes de romperem as barreiras de interiorinidade”.

É claro que, hoje em dia, o Coldplay vem atravessando essa barreira regularmente e com jogo limpo. O álbum deles, Mylo Xyloto, traz um Coldplay caminhando, nas pontas dos dedos, no território desconhecido do hip-hop e acompanhado por Rihanna, tudo isso com os dispostos ouvidos de Brian Eno, que faz seu retorno como guru do estúdio depois do sucesso de 2008, Viva La Vida. E, enquanto o Coldplay continua vitoriosamente explorando “a tensão entre querer ser uma das melhores do mundo e ter que se contentar com ser uma das maiores, como o nosso Ian Cohen recentemente colocou, ubiqüidade freqüentemente vem junto com animosidade e Martin também está bastante atento aos seus caluniadores. A certa altura, ele me pergunta: “Você acha que é normal que grandes bandas tenham pessoas que as odeiem e altos e baixos?”. A pergunta é feita com toda a sinceridade.

Isso é meio estranho de dizer, considerando quantas pessoas gostam do Coldplay, mas Mylo Xyloto parece a tentativa de vocês de fazerem um álbum “pop”.

É, a gente está em uma posição muito estranha. Eu nem sei onde a gente se encaixa. Talvez seja por causa da nossa inglesicidade ou por causa do panteão de bandas brilhantes que vieram antes da gente, mas a gente sempre se sente muito pequeno.

Algumas pessoas dizem que a gente tem talento e algumas dizem que a gente foi a pior coisa que já aconteceu para a música e é um pouco confuso estar em meio a isso. Todo esse barulho atingiu um zênite no último álbum – a gente começou a ser processado e a receber críticas pesadas. Então, a gente pensou ‘Fo**-se, a gente vai simplesmente fazer um álbum que reflete o que a gente escuta e não importa de que categoria essas músicas venham’. E isso é parte da filosofia do Brian Eno: Você tem que ignorar todo o barulho circundante e se divertir o máximo possível nesses 300 dias do ano, quando não tem ninguém olhando. Não é uma questão de quem vendeu mais álbuns, mas uma questão de quem se divertiu mais na quinta-feira. Ele ajudou a gente a gostar de estar em uma banda ao invés de ficar sentindo a pressão de manter altos os valores das ações.

O Brian escreveu para a gente depois de o último álbum ser lançado e disse ‘Vocês precisam voltar para o estúdio porque nós podemos ir além’. O que foi uma maneira gentil de dizer ‘Vocês conseguem fazer melhor’. O Brian não trabalha com muita gente, então, se ele quiser trabalhar com você, você quer trabalhar com ele.

Como foi a experiência de trabalhar com o Brian Eno nesse álbum?

Antes de mais nada, a gente faz tudo o que ele disser [risos]. Isso dá muito certo com ele. Ou seja, eu estou secretamente usando ele tanto o quanto ele acha que está usando a gente – deixando ele fazer o que ele quiser, é a gente que está ganhando.

Ele é muito de lua – ele vai no estúdio por alguns dias e depois desaparece. No último álbum, eu ia falar com ele e era mais ou menos assim ‘Aqui está a música e aqui estão as 28 partes dela’. Mas, dessa vez, o Eno disse para mim: ‘Você tem que sumir daqui por um tempo. Dessa forma, o resultado final será muito mais uma questão de química da banda do que dos resmungos de um ditador’.

Ele trabalhou com todo mundo separadamente – exceto comigo -, só para produzir novos sons e aumentar a confiança deles. O Jonny é uma pessoa naturalmente tímida, mas, depois de passar um tempo com o Brian, ele estava pronto para assumir o papel principal assim que a gente começou a compor músicas, o que foi uma ótima notícia para mim [risos].

Por volta do nosso terceiro álbum, X&Y, todos nós ficamos um pouco musicalmente tímidos e provavelmente cometemos o erro em relação a escolher envergadura, em detrimento de atrair interesse [interestingness]. Esse álbum vendeu bem e tem várias músicas que a gente gosta, mas, em termos de tocar juntos como uma banda, a gente estava dependendo excessivamente de Pro Tools e a gente estava usando ele mais como um avaliador do que como um instrumento. Muitas pessoas que estavam gravando álbuns em 2004 estavam fazendo edições muito descompromissadamente, mesmo algo como Around the Sun [do R.E.M.] é culpado por isso.

Mas, quando o Brian Eno chegou, ele ficava falando ‘Vocês precisam cantar todos juntos’. O que ele mais gosta de fazer é cantar a capella. A gente realmente começava a funcionar de manhã cantando músicas gospel antigas antes de começarmos a trabalhar. Estávamos tão felizes por ter um professor, alguém para nos lembrar da alegria de tudo. Ele é muito inquisitivo e não tem medo do fracasso, o que é ótimo se você é um artista estabelecido. Ele não dá a mínima se ele ficar tocando alguma coisa ridícula por duas horas porque pode ser que, depois de duas horas e três minutos, uma faísca pode surgir – e a gente realmente está disposto a ficar tocando até que isso aconteça.

Nesse álbum, a música com a Rihanna, ‘Princess of China’, começou acústica, sem percussão e com todos os rapazes simplesmente tocando em círculo. Depois, pequenos sons começam a emergir e dar identidade à música. Tudo nesse álbum passou por esse processo.

Vocês realmente tocaram no estúdio com a Rihanna?

Eu toquei a música para ela no piano no estúdio, mas, depois, ela foi embora com a equipe mágica dela e tornou a música em algo grandioso. Eu só falei ‘Qualquer que seja o jeito que você queira cantar, por favor, faça isso’ [risos]. A voz dela é a minha preferida – a não ser pela do Bruce Springsteen ou a do Stevie Wonder, talvez. É tão rica, mas ela nunca se exibe. Ela sempre dá prioridade à música e não ao ego dela e te dá essas melodias metálicas [ironclad melodies] incríveis. Eu realmente tenho uma reação positiva a isso.”

Engraçado, o refrão “para-para” do novo single de vocês me lembrou do “ella ella” de “Umbrella”, da Rihanna.

É. A repetição de uma sílaba é um truque pop recente. Tenho esperado há anos para fazer isso. [Esse refrão] veio muito naturalmente em ‘Paradise’ porque eu estava escutando muito esse tipo de música. Eu acho que quanto mais variado for aquilo que você escuta, mais você aprende os truques de outras pessoas. Eu fico pensando ‘Será que a gente poderia tentar algo desse tipo, mas no tipo oposto de música? Como cabos cruzados. Tem esse cântico húngaro que a gente estava escutando há um tempo, que inspirou ‘Hurts Like Heaven’ – tem algo na batida dessa música que é conseqüência de ficar escutando essa mulher húngara.”

Você mencionou essa idéia de confiança e, apesar de você ser um cantor popular de uma banda de sucesso massivo, você é muito auto-depreciativo e meio pateta. Tipo, quando vocês estavam tocando no “Live on Letterman” no mês passado, você literalmente caiu do palco dançando.

[risos] É, eu estava girando. Eu perdi o equilíbrio.

Mas todo mundo adorou. E, quando eu vi vocês no Madison Square Garden, no começou da turnê Viva, você errou alguns dos versos, mas, de alguma forma, conseguiu fazer isso funcionar. Ao mesmo tempo, não posso deixar de pensar que artistas como Bruce Springesteen provavelmente não fariam coisas desse tipo.

Eu tenho certeza que o Bruce comete alguns erros ocasionais – não muitos, eu admito, mas já ouvi ele ca*** duas ou três coisas [risos]. Mas mesmo que algumas das coisas que eu faço acabem sendo consideradas nerdes ou falta de profissionalismo, pelo menos é algo sincero da minha parte. Agora, mais do que nunca, tentar não ser eu mesmo acabaria ainda pior. Eu não acho que dê para ser uma estrela do rock misteriosa como uma de 1965 porque tem informação demais. Tudo o que você faz está sempre noticiado. A única coisa em que você pode confiar é não ser falso. Essa é realmente a nossa única regra e eu acho que é isso que deixa as pessoas tão bravas com a gente, já que não tem mistério o suficiente. Mas é também porque as pessoas gostam da gente, é porque tudo vem direto do coração. Não há nada no caminho. Quando eu caio, eu caio. Na verdade, isso acontece com bastante freqüência, só que nem sempre na presença de câmeras – isso foi embaraçoso [risos].

Concordo que, hoje em dia, está mais difícil evocar esse mistério em torno de estrelas do rock, mas eu acho que o Jay-Z ainda dá conta.

Mas ele é a única pessoa. Ele é de verdade o cara mais descolado do mundo.  Ninguém ia questionar isso. Mas quem mais?

Bom, alguém como o Kanye…

Não o Kanye. Ele tuíta sobre a po*** das cortinas deles!

Você está certo, mas o Kanye conseguiu tornar descolada a sua própria não-misteriosidade.

[risos] Tá bom. Eu adoro o tuíter dele, igual a todo mundo, mas o Kanye só está sendo ele mesmo e deixando as pessoas decidirem se gostam ou não. Não dá para fingir.

Você acha que era mais fácil para artistas como Neil Young ser descolado nos anos 60 e 70 do que é hoje?

Sim, com toda certeza. Seria muito mais difícil criar o lendário Tom Waits com as pessoas tirando foto dele abastecendo o carro ou lavando roupa. Todo mundo tem que fazer essas coisas não-glamurosas, mas, no passado, era fácil de acreditar que talvez a Joni Mitchell não precisava fazer isso e que ela existia nesse mundo mágico. Mas a tecnologia mudou isso.

A Lady Gaga consegue muito bem manter tudo no universo dela, mas alguém vai acabar encontrando uma foto dela na piscina de algum lugar, o que me faz sentir chateado por ela porque eu sei que isso não faz parte do projeto artístico dela. É a mesma coisa que alguém gravar um vídeo de você tropeçando ou tendo uma hemorragia nasal. É difícil, mas é como as coisas são.

Para mim, é interessante o jeito que você consegue disfarçar com esses deslizes como o do Letterman.

Bom, durante um show, você pode disfarçar um cag*** de grandes proporções. Mas, aí, não dá mais para usar os seus créditos. Se alguma coisa acontecer, tudo bem, mas eu fico secretamente preocupado. O público vai perdoar um tropeço na corda bamba, mas, se isso acontecer duas vezes, eles vão pensar ‘Mas você não consegue fazer nem isso!’.

Eu também estive na gravação para o Colbert Report e você tocou a nota errada no começo de ‘Up in Flames’ e teve que começar de novo. Isso é só nervosismo?

Todo mundo fica um pouco nevoso. E a gente tinha tocado essa música só uma vez antes. Na TV, você não vai querer chegar se achando o maioral porque você é apenas o entretenimentos musical do final do programa. Você precisa saber o seu lugar. Num show nosso, em um estádio, a coisa é diferente. Você viu o Radiohead tocando no Colbert? Foi bom?

Foi muito bom. Eles tocaram várias músicas do álbum novo, apesar de eu achar que algumas pessoas teriam gostado mais se eles tivessem tocado algumas mais antigas. Bandas como o Radiohead e o U2 são conhecidas por se reinventarem e, ainda assim, manter um grande público, o que é parece uma façanha incrivelmente difícil de realizar. Acho que o Coldplay meio que faz isso, mas vocês já pensaram em alguma mudança musical mais radical? Essa idéia atrai vocês?

A gente é diferente do Radiohead – que é inegavelmente brilhante – porque, no final das contas, eu ainda sou vidrado em músicas com apelo popular. Eu adoro quando todo mundo canta junto. E, nos limites disso, a gente vai tentar qualquer coisa. Mas a gente está em algum lugar no meio dessa escala porque eu adoro ‘Last Friday Night’, da Katy Perry quase o tanto que eu gosto de ‘Karma Police’ e, se você quiser de gostar das duas coisas ao mesmo tempo, você precisa estar armado.

O Thom Yorke tem uma filosofia diferente e é por isso que eles são tão bons. Eles são muito mais corajosos, em um certo sentido. Eles sempre te desafiam. Quando Kid A foi lançado, eu ouvi o álbum uma vez e fiquei muito irritado. Eu fiquei ‘Onde estão as músicas de estádio?’. Depois, com toda certeza, ele se torna o seu preferido. Isso é maravilhoso.

Reivenções como Kid A e Achtung Baby eram naturais, mas a gente não faria isso porque isso já foi feito. A gente tenta ficar mudando da nossa própria maneira – a sonoridade da nossa banda hoje é muito diferente da do primeiro ou terceiro álbum. Eu sei que a gente nunca vai estar no mesmo lugar que essas pessoas, mas a gente tem algo que é nosso, então, tudo bem. Você acha que é normal que grandes bandas tenham pessoas que as odeiem e altos e baixos?

Sim. Como seria possível que não?

Mas com pessoas como Bruce ou U2, eles estão muito além disso – eles são respeitados. Recentemente, eu adotei um hábito do Bruce, que é fazer uma pergunta para o público. Eu meio que roubei isso.

Como assim?

Eu não quero nem dizer.

Vâmo…

Ele pergunta: ‘Tem alguém vivo aí?’ [‘Is there anybody alive out there?’]. Eu adoro isso. Da primeira vez que eu vi ele, mais ou menos três anos atrás, ninguém tinha me falado do jeito que todo mundo fala ‘Bruuuuce‘. Ou seja, assim como todo mundo, eu ficava perguntando ‘Por que ca***** todo mundo fica vaiando ele depois de cada música?’ [risos]. Desde então, eu assisti um monte de shows dele.

A sua amizade com o Jay-Z é fascinante para mim. Estou curioso: o que vocês têm em comum?

Acho que muitas pessoas ficam se perguntando por que a gente é amigo e, às vezes, essa pergunta é basicamente racista – mas não vindo de você [risos]. Se os dois fossem brancos ou os dois negros, ninguém ia questionar. Eu entendo: cada um tem repertórios muito diferentes. Mas a gente adora tudo o que todo o mundo adora. Eu adoro a música dele, ele é um cara super legal e ele é genuíno. Eu respeito as decisões dele e a gente tem os mesmos pontos de vista em relação a ser verdadeiro com a a arte. O que acontece é que um de nós é um nerde e o outro, o multi-empresário do planeta.

Acho que a maioria das pessoas se pergunta por que ele é amigo meu. É claro que eu quero ser amigo do Jay-Z – ele é legal demais. Na Grã-Bretanha, todo mundo fica perguntando ‘Como você é amigo do Jay-Z?’. É quase como se eles estivessem com ciúmes. É a mesma coisa com a minha esposa: ‘Como ca***** você conseguiu fazer isso?’. E a minha resposta é: ‘Eu não faço idéia’ [risos].

Você e o Jay, tipo, jogam jogos de tabuleiro juntos? Trivial Pursuit?

Não, a gente não joga isso. Mas a gente joga touch football [variação de futebol americano]. Ele é muito bom no futebol americano – ele não apenas tem todos esses talentos, como também consegue lançar a bola em uma espiral perfeita, que acaba indo direto na direção da minha cabeça [risos]. Na Inglaterra, ninguém te ensina a lançar um espiral, o que quer dizer que o meu parece um ovo manco voando pelo ar.

Quando vocês intitularam o álbum Mylo Xyloto, vocês deviam estar sabendo que todo mundo ia perguntar o que isso significa.

Não tem resposta de verdade. Eu já dei 18 respostas para essa pergunta. A verdade é que eu não sei. É como a música ‘Yellow’. Tem algums coisas que o seu cérebro simplesmente te diz e você não pode mudar. Essas coisas vêm de um jeito bem natural. Quando você tenta mudar mesmo, não parece ser o correto a fazer, ainda que faça mais sentido.

Mesmo que você seja muito auto-depreciativo e humilde, é necessário uma quantidade robusta de ego para o intitular o seu álbum desse jeito ou lançar um single chamado ‘Every Teardrop Is a Waterfall’, sabendo que vai ter muita gente que vai simplesmente achar que ‘é outra música do Coldplay sobre chorar’ mesmo sem ouvi-la.

Bom, considerando tudo o que eu falei, eu tenho muito orgulho da minha banda e eu adoro quando a gente está tocando junto. Isso me deu tudo o que eu tenho de bom na vida. Tudo. Mas eu sei que a gente não é a banda preferida de todo o mundo. Eu peço desculpas por isso, mas isso não vai me parar. Eu realmente gosto desse título, ‘Every Teardrop Is a Waterfall’, porque eu sei que é sobre transformar coisas ruins em boas; a música pode ser uma maneira de fuga ou de tornar as coisas um pouco mais suportáveis. O bom da internete é que todo mundo odeia tudo, então, você pode simplesmente seguir em frente e fazer o que você quiser.

Quando eu conheço alguém que odeia o Coldplay, às vezes, eu falo para a pessoa assistir a sua participação especial no ‘Extras‘, do Ricky Gervais, em que você está realmente tirando uma com a sua própria cara. Você se importa se as pessoas sabem que você tem senso de humor, apesar de não haver ironia verdadeira na sua música?

Não, não tem – e não é para ter. Eu simplesmente parei de me importar com o que as pessoas pensam. Se alguém achar que eu sou um babaca, legal, vai escutar o álbum de outra pessoa. Não é um regime totalitário; ninguém é forçado a ouvir Coldplay. Na verdade, é até meio elogioso quando você representa algo a que as pessoas podem se contrapor. Abrimos os braços para isso. Mas, em termos de personalidade e humor, nenhuma das nossas músicas engraçadas consegue chegar em um álbum [risos]. A gente tem várias músicas bobas, mas o Will, o nosso baterista, nunca deixa elas passarem.

Me diz uma que é engraçada.

Na verdade [sorriso malicioso], a gente escreveu uma ontem sobre uma garota com três mamilos, mas o Will disse ‘Não é um single’.

Fonte: Pitchfork

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