La Republica – O retorno do Coldplay: “o nosso rock positivo”

15 setembro, 2011

Entrevista que o portal italiano LaRepublica.it fez com Will e Chris:

No dia 24 de outubro, chega, após quatro anos, o ansiosamente aguardado álbum da banda, o quinto desde a sua criação, em 2000. Enquanto é lançado o single Paradise, Will Champion e Chris Martin falam deste “álbum conceitual”.

Will Champion e Chris Martin estão satisfeitos. O novo álbum do Coldplay, Mylo Xyloto, será lançado em 24 de outubro, ao passo que, há dois dias, o novo single, Paradise, já está disponível. Inicia, assim, uma série de encontros com jornalistas em Londres, uma longa empreitada que vai testemunhar um Coldplay comprometido durante o próximo ano em torno deste novo trabalho, uma espécie de “álbum conceitual” que tenta delinear os contornos de uma vida fantástica e em que a música é a protagonista absoluta.

[O álbum contará] Com convidados importantes e bastante curiosos, Rihanna, antes de mais nada, que irá interpretar a personagem feminina do álbum e fará um dueto com Martin em Princess of China.

Assim, a primeira pergunta óbvia é: o que significa Mylo Xyloto? [Esse título] tem um certo sabor exótico…
Nenhum significado: [esse título] poderia ser definido como uma verdadeira experiência neo-lingüística. Eu realmente queria algo novo, que não existisse antes e que tivesse resultados em nenhuma ferramenta de busca como Google, Yahoo ou Bing. Algo usado somente pelo Coldplay e, portanto, associável [somente ao Coldplay].

Depois do sucesso Viva la Vida e da turnê [homônima], vocês começaram a trabalhar nesse novo disco. Qual foi o pontapé inicial?
Começamos a pensar sobre a gravação de um álbum que fosse acústico e tranqüilo e nós nos concentramos nisso. Mas, depois de um tempo, achamos que não era exatamente o que queríamos; preferíamos fazer um disco cheio de vida e cor. E a gente também não queria que fosse simplesmente uma coleção de músicas, mas, de alguma forma, contar uma história, mesmo que não precisa. Como se fosse a trilha sonora de um filme já feito, com personagens e acontecimentos, um álbum que eu chamaria de ‘narrativo’, se o adjetivo não soar muito pomposo. Estamos muito feliz com a forma como o trabalho está se desenrolando. O álbum ainda não está terminado. Estamos dando os toques finais. Vai ser uma história de amor com um final feliz.

O que fez com que vocês decidissem trabalhar dessa maneira?/
Acho que a principal motivação foi tentar mudar o ponto de vista, tentar escrever canções de uma perspectiva diferente. Obviamente, não usamos regras rígidas; continuamos, nesse álbum, falando sobre temas pessoais, mas a forma que acercamos as letras foi muito nova para nós. E foi uma satisfação, porque encontrar uma formas de nos expressarmos de maneiras novas nos deu uma grande sensação de liberdade e alegria.

O som de Coldplay, desde o álbum anterior, mudou…
Sim, tem uma coerência com os trabalhos anteriores. Muitas das técnicas que usamos partiram dess álbum: instrumentos novos, maneiras diferentes de tocar e também de compor. Podemos dizer que um dos objetivos principais deste álbum foi fazer com que a sonoridade tivesse consistência particular e nova para nós. A ênfase do nosso trabalho é a melodia, a emoção, o impacto emocional da nossa música. Mas, já a partir do último álbum, começamos a trabalhar de outra maneira. A idéia de base era criar um mundo completo em torno de uma canção, fazer com que o álbum fosse em cada uma de suas porções.

É curioso que, nos anos 2000, uma banda pense em fazer algo como um “álbum conceitual”.
Não é tão estranho, na verdade, muitos álbuns são pensados como obras completas e não simplesmente como uma coleção de músicas. Há um fio condutor, os nossos álbuns anteriores foram concebidos como uma obra global. Quando você começa a escrever, sempre algo em mente que, eventualmente, reúne em torno de si todo o restante do trabalho.

Deixamos o público livre para ouvir e, se eles quiserem, podem antentar para o fio condutor que amarra tudo. Se eles não quiserem, não são obrigados. É claro que queríamos que Mylo Xyloto pudesse ser um fluxo, uma viagem, doze canções com um sentido [Veja aqui o repertório do álbum, com 14 faixas].

E o relacionamento com Brian Eno? O quanto ele é importante no desenvolvimento de vocês?
O relacionamento com ele é sempre importante. Para o álbum anterior, ele exerceu o papel de produtor, mas agora nos ajudou desde o início, nos encaminhando para direções diferentes. O Eno não é um músico tradicional, ele gosta de começar as coisas com idéias diferentes, transitar rapidamente entre muitas hipóteses e ele esteve muito mais envolvidos na criação das músicas, muito mais um autor do que produtor.

Ser uma das bandas de maior sucesso no mundo não deve ser muito fácil. Há uma longa lista de espera, muita pressão da gravadora?
Eu sei que parece uma frase feita, mas, essa pressão, nós sentimos não nunca. Quando estamos no estúdio, não nos sentimos como uma banda grande, somos quatro amigos, em um mesmo lugar, fazendo música. Você não vive como uma estrela se escondendo em um estúdio por quase dois anos. Quanto mais velhos ficamos, mais ficamos assim. Gostamos de fazer coisas diferentes no estúdio, não temos medo de parecermos bobos ou de fazer coisas ridículas. Temos mais liberdade e não temos medo de estarmos errados. Já erramos no passado e aprendemos com os erros.

Como foi o trabalho de gravação e a mixagem do álbum?
Foi um trabalho de experimentações com muitas etapas… […]. Durante a gravação, todas as manhãs, antes de nos vermos e nos reunirmos no estúdio, nós nos tornávamos fãs, antes de sermos músicos em uma banda. Cada um de nós ouvia, por duas ou três horas, músicas e álbuns de artistas e gêneros diferentes.

Há dois dias, foi lançado Paradise, o novo single. Já estão sentindo ansiedade de começar de novo?
Sempre perguntam se as nossas músicas vão ter reações positivas dos fãs. Há uma certa dose de medo. Mesmo porque, muitas vezes, lemos coisas na internete não muito agradáveis sobre nós. Em resumo, é melhor você não fazer uma busca no google com ‘Coldplay’…

Última edição: 16/09/2011
Fonte: LaRepublica.it | Agradecimentos: Coldplayzone.it

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