[Let’sTalk #04] Now my feet won’t touch the ground

08 junho, 2010
O Let’s Talk  deste mês traz um texto que propõe analisar as músicas do Coldplay  por um prisma, digamos, um pouco diferente. Polêmico ou não, clique no leia-mais dê a sua opinião. Ppara ler a edição anterior do [Let’s Talk] clique no link abaixo:
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[Let’sTalk #04] Now my feet won’t touch the ground

Um artista realiza sua obra inspirando-se naquilo que sabe, naquilo que vê. Se observarmos a história de vida dos grandes mestres da pintura universal, por exemplo, e analisarmos sua obra, será possível perceber que  esses dois aspectos – vida  e obra – estão  interligados. Picasso pintava suas amantes:  lindas, na fase do encantamento amoroso, e tenebrosas, quando já não gostava delas. Van Gogh retratou a cidade onde vivia, o quarto da pensão onde morava, e até mesmo o resultado de seus momentos de loucura, como num auto-retrato  com a orelha decepada por ele mesmo. Essa é a principal característica de um grande artista, seja ele pintor, escultor ou músico: retratar sua própria história e a história de seu tempo. O baterista do Coldplay, Will Champion, disse certa  vez que “Honestidade é a chave de tudo. (…) Você  tem que cantar sobre o que conhece. Nós não cantamos sobre gigolôs  e prostitutas nas ruas de Campton.”

Vamos, então, trazer essa constatação sobre a criação artística e tentar encaixá-la na obra do Coldplay. Quem escreve as letras da banda é o Chris Martin. Logo, sua vida deve ter sido sempre cheia de afeto, já que suas canções falam basicamente de amor, seja ele bem-sucedido ou não. Mas, eu acredito que algumas dessas canções falam de outro tipo de amor.

Falam de um ‘amor maior’. Falam de religiosidade! E como já é notório, Chris Martin sempre cita a educação religiosa que teve  e o quanto ela foi determinante na formação da sua personalidade e do seu caráter. Essa religiosidade – e  aqui eu preciso definir que, no meu entender, religiosidade é o sentimento que nos liga à Criação e não tem, necessariamente, que estar vinculado a missas católicas, cultos evangélicos, palestras espíritas, etc – está na vida do Chris de maneira flagrante. Seus filhos, por exemplo,  se chamam Apple e Moses. Apple (maçã)  é  na Bíblia, o fruto proibido que leva Adão e Eva ao Pecado Original e consequentemente, à criação da humanidade; e Moses (Moisés) foi quem abriu as águas do Mar Vermelho, quem recebeu de Deus os Dez Mandamentos.

Chris Martin  já revelou numa entrevista, que deixou de cantar “Sympathy of the Devil”, da banda Rolling Stones, por achar que acabaria  no inferno. Outro exemplo é a presença do Oracle (oráculo) no site oficial do Coldplay.  Na Bíblia, o Oráculo diz saber de tudo, mas além de não inspirar confiança, é abominável aos olhos de Deus.

Obviamente, um aspecto tão importante e tão presente na vida do artista Chris Martin, não estaria  fora da sua obra.  Então, eu convido você a abrir sua mente e fazer uma viagem inusitada pelas canções do Coldplay. Uma viagem mais… ‘profunda’, eu diria. Vou mostrar alguns exemplos dessa música mais ‘espiritual’ que o Chris escreve, usando nelas a  camuflagem de ‘simples canção de amor’. Nessas músicas, às vezes ele parece estar confuso e arrependido de seus erros. Noutras vezes, se mostra grato, cheio de confiança e fé. Às vezes, parece profético. Noutras, ele canta como se fosse um porta-voz da mensagem do Cristo. Escute as canções e se deixe expandir a mente!


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Quem me conhece sabe que Chris Martin é meu “assunto” favorito e que um dos meus passatempos é analisar e decifrar a personalidade dele. Você não precisa acreditar na minha “teoria da religiosidade”. Talvez você não concorde comigo e, talvez, também não concorde com o Chris. Seja como for, as canções do Coldplay fazem bem à alma, e com isso você certamente concorda!

Tanto faz se elas, as canções, são uma espécie de oração ou tão somente declarações de amor rasgado, sofrido, vivido. Feliz ou triste, tanto faz! O mais importante – como disse o colega Felipe, que inaugurou essa coluna do ViVa – em tempos de Rebolation, ouvir as músicas do Coldplay (sempre com mensagens positivas e conscientes) acalenta a gente. E acalentados, somos conduzidos a uma outra dimensão: o melhor de nós mesmos.

PS: Este é um texto autoral. O site Viva La Coldplay, não se responsabiliza pelas opiniões da autora.

Por: @Erika

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