Na década de setenta (quando os sistemas de som eram um pouco menos refinados e as medidas de saúde e segurança, um tanto mais vagas), o sinal de um bom show era a banda mandando o público para casa com um zumbido no ouvido. Montreal, nas últimas noites, meio que inverteu esse paradigma. O público canadense é sempre ótimo e barulhento, mas esse pessoal é genuinamente do outro mundo.
Eles estão fazendo uma ôla monumental mesmo antes do show começar. Assim que as luzes são apagadas, o som que eles fazem se parece com um avião decolando. Chega em um ponto que é até incômodo – mas o impacto emocional é surpreendente. Realmente, hurts like heaven [aqui, #42 se utiliza do título da música para descrever a sensação dupla causada pelo agito do público canadense]…
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Noites como essas aparecem de súbito em uma turnê e pegam você desprevenido. Este tipo de reação do público faz com que banda atinja outro nível na perfórmance e a energia trocada entre banda e público cria uma tempestade elétrica singular.
Normalmente, a única coisa que passa pelas mentes de todos durante shows como este é: “Meu Deus, por que não foi para esse show que eles contrataram uma dúzia de câmeras?”
Curiosamente, porém, ninguém está pensando nisso em Montreal. E por uma razão muito boa.
A razão, é claro, é que está de fato presente em Montreal uma dúzia de câmeras, capturando a coisa toda enquanto ela se desdobra.
Dado que eu já vi esse show mais de cem vezes até o momento, o fato de eu estar considerando a idéia de passar um tempo assistindo um filme sobre ele é bastante notável. O fato de que eu mal posso esperar para assisti definitivamente quer dizer alguma coisa.
Vamos torcer para eles terem conseguido, hein?
R42







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