Archive for junho, 2010

24
jun

#42 assiste o Coldplay criar

   Posted by: Viva La Coldplay   in Roadie #42

Blog #121

Saudações de dentro do Beehive pessoal. Estou à minha mesa, que fica escondida atrás de um dos pianos. Atrás de mim ficam dois velhos sofás surrados. Esta área “lounge”, como é conhecida, é onde se iniciam todos os dias de gravações, começando, como todo dia deveria, com café forte.

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Eu abordei no último blog as diferentes maneiras de se fazer um disco. Essas conversas iniciais são parte essencial do processo também. A banda passa muito tempo do dia tocando ao vivo. Essas discussões antecipadas, portanto, significam que todo mundo tem uma boa idéia do que estão tentando alcançar antes das coisas começarem a ficar barulhentas.

A discussão sobre a música de hoje está a todo vapor. Guy, Will, Chris e Phil estão com o produtor Markus Dravs. Jonny já está sentado em seu mundo de guitarras experimentando com novos sons. Sua guitarra está conectada em seu laptop. O que sai na outra ponta soa como se estivesse vindo de outro planeta.

Chris está discutindo apaixonadamente a música que será trabalhada hoje. É uma canção que o tem animado desde que ela surgiu e de repente ele está tendo grandes dúvidas se ela acabará no disco ou não. Em um estilo típico do Chris, ele chega ao meio de uma frase descrevendo suas preocupações até se interromper para gritar com o Jonny.

“Puta que pariu cara, isto é INCRÍVEL – Rik, certifique-se de que isto está sendo gravado…”

Ele continua de onde parou sem perder o ritmo, simultaneamente mantendo o desespero e a animação desenfreada. Um verdadeiro multi-tarefas…

Will e Guy, acertadamente, se recusam a aceitar a abordagem assustadora da faixa atual. Claramente será uma canção poderosa, ela apenas não achou ainda seu verdadeiro tom.

Não será surpresa para ninguém encontrar momentos de perda de confiança durante o desenvolvimento de uma música. É apropriado para este estágio e o sentimento pode surgir do nada e desaparecer do mesmo jeito. “Momentos” é exatamente o que eles são. A vibe geral é decididamente positiva aqui, com todos bastante animados com o que estão ouvindo.

Will é frequentemente citado como o membro da banda mais provável de dizer “não” para o Chris, ou de rejeitar uma idéia completamente. Eu sempre senti que essa é uma descrição injusta. Ele é igualmente teimoso e confiante para dizer “não, isso não é uma merda, de forma alguma. Vai ficar ótimo”. Essa recusa em retroceder e permitir que a dúvida prevaleça é parte essencial da espinha do Coldplay. Eu não posso imaginar como essa atitude tem sido essencial para o produto final nos últimos anos.

O Guy também pode observar o trabalho em progresso e contribuir com a sua própria experiência como produtor. Ele costuma ser descontraidamente provocado pelos outros pelo seu imenso arsenal de atividades extracurriculares, porém, a verdade é que, sua visão do processo de produção lhe permite analisar as qualidades, fraquezas e abordagens alternativas de forma pontual e essa experiência e conhecimento alimenta diretamente o projeto Coldplay.

Eles começam a discutir o que faz uma excelente canção ser excelente e o que eles gostariam de tentar na ocasião. Fica claro que não só os quatro têm um grande conhecimento de boa música, mas que eles ainda são muito animados com isso. Eles são admiradores de uma grande quantidade de artistas.

Galvanizados pela conversa, eles se mudam para a parte principal da sala e começam a pegar seus instrumentos. Tenho que dizer que esta área do Beehive está com um visual incrível agora. Em um esforço de amortecer o som, foram penduradas cortinas pesadas nas paredes e bonitos tapetes foram colocados no chão.

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Também enfeita o ambiente uma gama de plantas, fornecendo ao local uma sensação de um conservatório ou de um jardim botânico. Essa sensação é reforçada pelo calor de verão e pelo fato do ar condicionado estar simplesmente alto demais para você se ouvir pensando.

A banda está disposta da mesma maneira que estariam em um palco, com Will atrás e Jonny, Chris e Guy alinhados à sua frente. Esse lugar é o local de ensaios mais descolado que eles já tocaram. Eles começam a trabalhar na música novamente. Como sempre, quando as vozes se calam e a música começa, tudo imediatamente começa a ficar melhor.

Esta, e todas as outras músicas certamente passarão por muito mais remodelagens e adulações antes de emergirem das portas do Beehive para o mundo.

Por enquanto, está claro que o disco está em excelentes mãos.

R#42

3
jun

#42 retorna com novidades do estúdio

   Posted by: Viva La Coldplay   in Roadie #42

Blog #120

Saudações de Budapest. Estou chegando ao fim de uma pausa de duas semanas do estúdio. Estamos de volta na segunda-feira. Saúdo-os levantando a cabeça e implorando perdão. Sim, sete semanas é um tempo imoralmente longo para deixá-los pendentes. Independente de ser um civil essas duas semanas, minha distração principal foi que eles me pediram para ficar mais envolvido na engenharia da gravação. Isto significa que passei grande parte do tempo tentando planejar exatamente onde as coisas se ligam e mais importante, por quê.

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Estou longe o suficiente da curva de aprendizagem agora, entretanto, retorno para minha atividade principal de manter vocês, pessoas maravilhosas, informados do desenvolvimento. Se vocês me perdoarem desta vez, prometo que quando fizermos isso de volta próxima semana eu irei mais que compensá-los – como é aquilo? ;-)

De qualquer maneira, chega de desculpas, o que vem acontecendo? Bem, “your skin and bones, turn into something beautiful….’’ foi o primeiro gancho que o Coldplay mergulhou em muitas pessoas – e isso muito perfeitamente descreve também a evolução ao longo do último mês.

Com o projeto de ter algo a reiniciar depois da América Latina, eles estão muito de volta à frase exploratória de novo. Como descrito no blog anterior, há uma lista de canções agora e essas canções tem versos, refrões, riffs, letras e assim por diante. Esses são os materiais crus, no entanto. Não refinado e inacabado, esta é a pele e os ossos do álbum, se assim quiser. A parte “turn into something beaultiful {se transforma em algo bonito}’’, é o resultado de duas metodologias.

A primeira é uma enorme quantidade de puro trabalho duro e atenção a detalhes. Brian Eno chama isso de “trabalho chave de fenda’’ e ele não é muito fã disso. É a habilidade real da fase de composição. Tudo é tentado e mudado, analisado e re-avaliado. Todos em busca de um caminho que trará a magia que eles estão procurando. Não deixar pedra sobre pedra significa que o ilusório “arranjo perfeito’’ ou “colocar as coisas no lugar certo’’ será alcançado não importa quanto trabalho é necessário para se chegar lá.

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O Segundo método é o relâmpago de “acidentes felizes’’. Às vezes, a coisa que incendeia uma música parece sair completamente do nada – e você precisaria repassar muitas vezes os passos apenas para descobrir exatamente quem o desencadeou. Isso poderia ser tão simples quanto alguém tocando com o som errado por engano, ou poderia ser Will improvisando distraidamente na sua bateria e Chris colocando isso sobre um verso de uma canção de outro dia.

Ambas as coisas fazem o álbum feito e nenhuma pode ser invocada pela tentativa da outra. Ficar à toa esperando por inspiração não torna o trabalho duro feito e longas conversas e caminhos metódicos podem desperdiçar horas quando um simples estalo de brilhantismo pode mudar tudo em um instante.

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É este crescimento e evolução das canções no estúdio que eu nunca havia testemunhado antes (anteriormente, só estive com os caras na estrada). Eu lembro primeiramente de ter ouvido Lost! durante a turnê X&Y. Estávamos em uma arena vazia uma tarde em Chicago. Chris me pediu para gravar um monte de demos com apenas ele no palco no lugar vazio no piano que ele toca no show. Ele anota cerca de uma dúzia de idéias aquele dia, mas eu lembro de Lost! transpondo em mim imediatamente como uma grande canção, mesmo apenas como um esboço em uma arena que ecoa.

A vez seguinte que ouvi Lost! foi quando o álbum tinha ficado completo e estávamos fazendo os preparativos para a turnê. Foi como ver o sobrinho favorito pela primeira vez após anos e dizendo “como você cresceu’’. (Embora eu me lembre corretamente, minha frase exata no momento foi “Wow, eu sempre amei essa canção estou muito feliz de vocês não terem acabado com ela…’’). Já há muitas melodias para este próximo álbum que todos estão de olho – e claramente não há intenção absoluta de acabar com elas.

Em outras notícias, Brian vem perdendo terreno regularmente, mas também tem deixado a banda avançar com as coisas sozinha. É notável que ele esteja tendo tanto efeito sobre a gravação quando ele não está aqui quanto quando ele está. A banda observou há pouco tempo que muito frequentemente quando eles estavam trabalhando sem ele e ficando presos, eles pensariam em algo que ele diria e aplicariam isso, fazendo-os “passar o mais difícil’’.

Para este fim, eles pediram a Brian para propor dez mandamentos que poderiam ficar na parede e poderiam ser aplicados para cada dilema. Claro que isto não é novidade, as Cartas de Estratégia Oblíqua de Brian são por si mesmo tão famosas quanto muitas peças de equipamento do estúdio. Aqui, no entanto, os dez mandamento de Brian (os quais naturalmente eram onze) estão adaptados a este projeto e fornecem fortes orientações para como essas canções vão crescer.

Assim como a cada criança precisa ser mostrado o certo e errado, as canções estão agora livres para expressar a si mesmas em qualquer forma que eles escolherem – embora sabendo que se eles estão presos fazendo o que sabem eles não deveriam, eles estariam ficando com um olhar fixo no mínimo. Eu vi Chris em mais de uma ocasião ficar no meio do caminho tocando algo muito enfeitado ou “feito antes’’, antes de cair na risada e balançando sua cabeça, dizendo “Tudo que posso ouvir por trás da minha cabeça é Brian me repreendendo’’.

Tem que ser dito, que pela banda inteira, as personificações de Eno estão se tornando muito estranhas.

Tudo isso naturalmente, faz soar como se Brian fosse um pouco tirânico e negativo, o que simplesmente não poderia estar mais longe da verdade. Quando ele chega na sala de controle do estúdio ele traz consigo seu próprio brilho de entusiasmo portátil. Seu entusiasmo é muito contagiante e viciante. Ele é como um colega de escola desobediente que incentiva qualquer um que ele entra em contato a tentar coisas que talvez eles não fizessem, ou talvez ir explorar algum lugar excitante que seus pais haviam dito para ficar longe dele. Ele é uma verdadeira dicotomia, parte professor benevolente (aceno para Phil…) e parte maravilhosamente má influência. Ele interpreta os dois papéis muito bem e os resultados falam por si.

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Então, estamos em descanso por duas semanas, dando a todos a chance de passar algum tempo com suas famílias. Como antes, um intervalo no procedimento feito por um grande prazo e o prazo se torna um grande motivador. As mais recentes semanas foram um esforço real para empurrar cada canção para um lugar que todos estavam esperando.

Qualquer coisa que não é tão boa quanto a atual canção favorita recebe forte foco. Os problemas assumem o centro das atenções de modo que eles não podem esconder. Um verso que não está fluindo normalmente no caminho pode ter um dia inteiro de atenção – as chaves de fenda têm suficientemente e verdadeiramente saído.

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A guerra em curso nos obstáculos à grandeza foi ainda aumentada com a chegada de Markus Dravs. Ele estava de volta ao campo pelos últimos dias antes da pausa. Eu o vi referido como “Instrutor Dravs’’ em um dos quadros do estúdio e agora eu posso ver por quê. Ele não é de deixar as pessoas de folga. Markus, para aqueles que não sabem, é alemão.

Sua compreensão da língua inglesa é perfeita – ainda que se estenda bem abaixo do caminho de uma ótima apreciação do seco humor britânico. Quando ele estava estudando o livro de expressões, entretanto, ele aparenta não ter entendido as frases “que eu irei fazer’’ ou “bom o suficiente’’. Não imagino que ele nunca pronunciou as palavras “não posso ser incomodado’’ também. Não admira que ele se encaixa muito bem por aqui…

Para terminar a última semana antes das férias, Rik foi convidado a unir “mixagens’’ de todas as canções em andamento. A banda e Markus sentaram para ouvir tudo no último dia. O plano é trabalhar até o fim cada uma das canções em andamento – ouvi-las, discuti-las e então tocá-las juntos na sala.

Inevitavelmente, é um plano ambicioso e o dia passa despercebido antes deles alcançarem a lista inteira. Algo muito interessante acontece quando eles fazem isso ouvindo as primeiras canções.

Depois de semanas e semanas de trabalho em pequenos detalhes, de apenas prestar atenção nas falhas, eles estão agora recuando e tentando objetivar a experiência o que eles fizeram até agora. Isso poderia ser enganoso, mas verdadeiramente deu a sensação que teve uma grande animação espalhada pela sala. Talvez tenha começado a aparecer nos caras que o que eles tem aqui é mais do que apenas uma coleção de intros, versos e refrões.

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As canções ainda não assumiram sua bela forma final, mas eles estão muito longe de sua fase pele e ossos. O que é impossível não concluir, no entanto, é que eles têm umas melodias matadoras. Não tenho idéia se os caras partiram para a pausa orgulhosos do que eles arquivaram até agora e animados com o que eles têm aqui, mas eu realmente espero. Eles deveriam estar.

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