15 anos de “X&Y” – tudo o que você precisa saber ou relembrar sobre o terceiro álbum de estúdio do Coldplay

Vitor Babilônia
7 jun 2020

Há 15 anos era lançado o disco X&Y – terceiro álbum de estúdio do Coldplay. Quem se envolveu com o lançamento na época ou, mais recentemente, assistiu ao documentário “Coldplay: A Head Full Of Dreams” (2018) sabe que o trabalho balançou a banda, que carregava a pressão de suceder o vencedor do Grammy “A Rush Of Blood to The Head”.

Antes do álbum chegar às prateleiras das lojas em 6 de junho de 2005, o Coldplay enfrentou controvérsias com a gravadora. A banda não estava contente com as faixas já finalizadas e prontas para entrar no álbum, e reagiu postergando o lançamento. Depois do grupo solicitar novos prazos, Chris ainda decidiu, de última hora, incluir a música “Talk”. Segundo ele, aquela seria a “faixa de destaque” do álbum. A gravadora não ficou muito contente com o pedido e Chris Martin falou sobre o atraso:

“O único benefício desse tempo maior é que tivemos a chance de trabalhar mais e esperar por músicas adequadas. A última canção a entrar no álbum surgiu de uma conversa que eu tive dentro de casa depois que pensávamos que já tínhamos terminado as gravações. Defendi que ainda estava faltando aquela canção. Eu fiquei realmente irritado e agressivo, mas depois de uma semana estava tudo feito.”

O atraso acabou fazendo com que a banda vivesse um momento de recessão da gravadora EMI, que perdeu ações. Como consequência, o Coldplay deixou de receber um grande bônus financeiro. A banda não ligou muito para o prejuízo, “quando esquecemos o dinheiro nos sentimos livres para irmos até os nossos limites e fazer o melhor álbum possível”, disse Martin. A versão do álbum que temos a oportunidade de escutar hoje é o resultado de muitas mudanças no estúdio e faz parte de uma terceira sessão de gravação.

Coldplay/ Reprodução.

No processo, que começou em 2004, muitas alterações foram feitas – por exemplo a dispensa de Ken Nelson, que produziu os dois álbuns anteriores do Coldplay e começou a produzir o “X&Y”, mas foi retirado do projeto quando todo o grupo optou por outra direção sonora. A estimativa é que 60 músicas foram descartadas depois de já compostas e trabalhadas no estúdio.

Chegando na velocidade do som

Com a definição da data de lançamento, a faixa “Speed Of Sound” abriu os trabalhos e foi divulgada como single no dia 18 de maio de 2005. A BBC Radio 1 foi a primeira a tocar o single e recebeu o lançamento das mãos de Chris Martin e Jonny Buckland. “Chris e eu entregamos o single para Steve Lamacq, da BBC. Nós estávamos nervosos para saber qual seria a reação dos ouvintes, especialmente as respostas por e-mail. Eu tenho certeza de que eles (rádio) escondem as mensagens negativas”, contou Jonny.

“Speed Of Sound” repercutiu muito bem e alcançou um feito até então inédito para uma banda britânica, que não tinha um artista de lá no Top 10 da parada estadunidense desde o lançamento de “Hey Jude” – faixa que foi lançada pelos Beatles em 1968 e que alcançou a 10ª posição. O single do Coldplay estreou na 8ª posição na lista Billboard Hot 100. No Reino Unido a música foi barrada pelo hit momentâneo “Crazy Frog” e estreou na 2ª colocação.

 

Por trás do título

“Zero Theory” foi uma ideia considerada para nomear a obra, mas o título “X&Y” foi o escolhido. O vocalista Chris Martin contou que o nome acompanha os altos e baixos da vida, e coincide com a ideia por trás das faixas – a maioria discute o desconhecido ou fala sobre respostas que buscamos enquanto vivemos.

“X&Y é a fórmula matemática que deve ser usada quando você não sabe a resposta. Mas funciona, também, como o preto e o branco, a esperança e o desespero, o otimismo e o pessimismo. Há uma tensão entre opostos e isso está por todos os lados. Meu dia é uma mistura (de todas essas coisas) e isso é revelado nas formas mais extremas. Para mim, o X&Y representa os dois lados.”


Coldplay / Divulgação.

Outro elemento que chamou atenção na era foi a capa do álbum. A arte foi desenhada por Mark Tappin e Simon Gofton e trouxe blocos coloridos representando uma codificação no Código Baudot (ITA2, uma codificação alfanumérica de 5 bits utilizado por telégrafos). O encarte do disco também contém o alfabeto ITA2 codificado.

E depois de Speed Of Sound? Os outros singles

No dia 5 de setembro de 2005 a banda lançou “Fix You” como segundo single do álbum. Anos depois, a quarta faixa do “X&Y” segue como um dos maiores sucessos do Coldplay. Na época, Chris Martin revelou que, na criação da canção, foi influenciado pela banda Muse – que já havia usado órgãos de igreja na construção da faixa “Megalomania”. Na falta do mesmo elemento, Chris usou um teclado que foi deixado pelo pai de Gwyneth Paltrow como herança para a filha. O vocalista era casado com Gwyneth e há uma história de que ele escreveu “Fix You” para ela – que sofreu de depressão estimulada pela morte do pai.

A gravação do clipe de “Fix You” foi realizada em julho de 2005 durante os shows no Reebok Stadium, no Reino Unido. Foi a primeira vez que a banda se apresentou em um show solo em estádio. Com mais de 50 mil pessoas no espaço, eles gravaram imagens das apresentações do dia 4 e 5 e, para garantir bons takes, repetiram a música duas vezes em cada dia. Lançado em setembro de 2005, além de mostrar Chris Martin chegando ao estádio, o clipe faz uma homenagem às vítimas de atentados ocorridos em Londres em julho daquele ano. No vídeo, Chris anda por túneis da cidade que ficam próximos da estação London Bridge – espaço de coordenação de transporte público que sofreu com uma série de explosões. Foi um ataque terrorista que deixou mais de 700 feridos e matou mais de 50 pessoas.

 

“Talk” foi a escolha para terceiro single do “X&Y”. A faixa tem uma forte influência da música eletrônica europeia e conta com o sample de “Computer Love”, música da banda alemã Kraftwerk. O Coldplay gravou três versões diferentes de “Talk”. Além da versão do álbum, uma das versões vazou na internet no início de março, ou seja, antes do lançamento do disco. A versão vazada apresenta letra e estrutura diferentes, com bem menos guitarra. Nos Estados Unidos a canção alcançou a posição 86º no Hot 100. N0 49º GRAMMY, em 2006, a música foi indicada na categoria “Melhor performance de Rock feita por um duo ou Grupo”.

 

Em dezembro, foi a vez do Coldplay lançar “The Hardest Part” como 4º single. A banda confessou que se inspirou na faixa “Losing My Religion”, do R.E.M. A música foi amplamente divulgada no Reino Unido e em junho do ano seguinte foi lançada até mesmo com single físico em alguns países, incluindo Canadá, Japão, Austrália e cantos da Europa. A canção ganhou um clipe filmado na Florida e dirigido por Mary Wigmore.

 

Em junho de 2016, a faixa “What If” também foi lançada como single, mas apenas em rádios da França, Bélgica e Suíca. Algo semelhante aconteceu com “White Shadows”, que foi lançada como single na América Latina para promover a passagem da banda pelo nosso continente em 2007.

Críticas e Prêmios

Inicialmente a crítica repercutiu bastante a faixa “‘Til Kingdom Come”. A justificativa está por trás da história da canção, que foi concebida com a ideia de estabelecer uma colaboração reunindo as vozes de Chris Martin e Johnny Cash. Isso acabou não acontecendo, já que Cash infelizmente faleceu antes de ter a oportunidade de gravar. Após o lançamento do “X&Y”, a música, que foi lançada como ‘uma faixa escondida’, foi uma das que recebeu as melhores avaliações dos críticos.

Apesar do afeto demonstrado com “‘Til Kingdom Come”, em geral “X&Y” não agradou os críticos ao redor do mundo, especialmente nos Estados Unidos (onde o álbum, apesar disso, foi número 1). O The New York Times, por exemplo, comparou o álbum com a tristeza e os sintetizadores do Radiohead – mas sem alguns de seus elementos melódicos e letras grudentas. A publicação disse que a banda não conseguiu levar a beleza de Clocks, do álbum anterior, para as músicas do “X&Y” – apesar de se “esforçar” para fazer isso com “Speed Of Sound”. Apesar disso, a revista elogiou a abertura maior das composições – que, segundo eles, passaram a falar mais “sobre o outro” e se distanciavam de uma narrativa mais focada na primeira pessoa.

A Billboard talvez tenha divulgado uma das críticas mais positivas do álbum. Apesar de não se aprofundar, a revista disse que o Coldplay soa “alto e orgulhoso” no “X&Y”. “O Coldplay oferece uma versão do seu som que ainda não conhecíamos, agora com mais pop/rock – mas com muito barulho”, disse a revista. A Billboard também arriscou que “Square One” se tornaria uma das favoritas dos fãs para se ver em turnê, além de opinar que “A Message” seria uma escolha “mágica” para próximo single. A publicação também demonstrou surpresa com a versão de “Talk” que foi inserida no álbum. “Desde que a música vazou a banda reformulou completamente a estrutura. Há um contraste com a melodia de “Computer Love”, faixa do Kraftwerk que eles usaram. Enquanto Computer Love tem sintetizadores, Talk substitui essa parte com o riff principal tocado em guitarra”, completou a revista.

A Rolling Stone, que antes classificou “Parachutes” e “A Rush Of Blood to the Head” com 4 estrelas, deu três estrelas para o “X&Y” e disse: “Parece que o Coldplay não está destinado a grandeza”. Apesar de configurar uma crítica basicamente negativa, a revista elogia “Fix You” e finaliza enaltecendo “‘Til Kingdom Come” afirmando que os ouvintes que persistiram até o fim do disco encontram uma recompensa na música.

A BBC fez uma das melhores críticas ao álbum. “Chris prova mais uma vez que ele é um excelente cantor”, diz a crítica. A publicação ainda destaca “Talk” como uma música fantástica e uma prova de que o Coldplay pode chegar “muito mais longe”. “A paixão de Chris Martin é genuína, e ele está vivendo seu sonho fazendo música com seus melhores amigos. Eles têm o objetivo de fazer música para alcançar o mundo inteiro, e no épico “X&Y” eles estão próximos de alcançar isso”, finaliza a BBC.

O The Guardian disse que as letras eram “sem personalidade”, enquanto o Pitchfork deu a nota 4,9 (o total seria 10) afirmando que é “agradável, mas nada memorável”.

As críticas negativas ao “X&Y” afetaram a banda e isso fica claro no “Coldplay: A Head Full Of Dreams”, documentário dirigido por Mat Whitecross e lançado no ano de 2018.

As premiações consideradas mais relevantes pela indústria musical têm vários críticos de revistas entre seus votantes, por isso não foi surpresa ver o “X&Y” em poucas delas.

Na 48ª edição dos GRAMMY Awards, realizada em 2005, o “X&Y” foi indicado a “Melhor álbum de Rock”, enquanto “Speed Of Sound” concorreu na categoria “Melhor performance de Rock por um duo ou grupo”. O álbum perdeu para “American Idiot” (do Green Day) e o single para “Vertigo” (U2). No ano seguinte, na 49ª edição do GRAMMY, “Talk” foi indicada na categoria “Melhor performance de Rock por um duo ou grupo” e perdeu de “Sometimes You Can’t Make It On Your Own”, música do U2.

Mas nem só de Grammy vive uma banda. Em 2005, no MTV Europe Music Awards (EMA), o “X&Y” perdeu a categoria Melhor Álbum, mas o Coldplay venceu a categoria “Melhor Banda Britânica e Irlandesa” e “Speed Of Sound” levou para casa o troféu de Melhor Música.

 

Em casa, nos BRIT Awards, a banda acumulou prêmios em 2006. Coldplay venceu nas categorias Melhor Grupo Britânico, Melhor Performance ao Vivo, Melhor Single Britânico (com Speed Of Sound) e Melhor Álbum Britânico,  esse último com troféu entregue por Madonna.

 

A era “X&Y” ainda viu o Coldplay sair vencedor em outras premiações, como na cerimônia do GQ Awards, em que a banda venceu na categoria Banda do Ano, e no Echo Awards – com a categoria de Melhor Grupo Internacional.

Twisted Logic Tour

Antes mesmo de começar a divulgação do “X&Y”, a banda realizou apresentações intimistas e conhecidas como “shows secretos”. Eles viajaram para as cidades Amsterdã, Cologne e Madrid para testar a reação do público em relação ao novo som. A parcela tímida de registros é um ponto que coincide com a ideia secreta das performances, mas sabemos que nos três dias o setlist seguiu as canções:

Setlist do dia 6/4/2005, em Amsterdam

No dia 11 de março daquele ano, a banda também fez um show secreto em Los Angeles, nos Estados Unidos. O local escolhido foi o Troubadour. O setlist contou com 11 canções, sendo quatro delas do álbum “X&Y” (“Square one”, que abriu o show, “White Shadows”, “A Message” e “What If”).

Antes de dar o pontapé inicial na turnê, a banda promoveu um show de lançamento em Londres. A apresentação foi realizada no dia 19 de abril de 2005, em uma terça-feira à noite, na Round Chapel – uma igreja localizada em Hackney, região de Londres. Na ocasião, o Coldplay recebeu convidados como Noel Gallagher e a MTV – que gravou e exibiu a apresentação ao redor do mundo.

 

Única turnê até hoje que não incorporou o nome do álbum em seu título, a Twisted Logic Tour começou oficialmente no dia 29 de abril, em Las Vegas. De abril a maio a banda passou por Estados Unidos e Canadá, mas entre junho e julho viajou por diversas cidades da Europa e uma no Japão. Do início da turnê até junho do ano seguinte (2006) o Coldplay percorreu muitas cidades na América do Norte e em toda a Europa. As pernas mais amplas da tour começaram a ganhar vida no fim de junho de 2006, quando a banda fez uma série de shows na Austrália. O capítulo seguinte foi o Japão, que a partir do dia 10 de julho viu o Coldplay ao vivo em seis apresentações realizadas em seis cidades diferentes.

A América Latina também entrou na rota, recebendo o Coldplay entre fevereiro e março de 2007. Os países Chile, Argentina e Brasil receberam três shows cada. No nosso país, as três apresentações foram realizadas na cidade de São Paulo. A banda encerrou a tour no dia 4 de março de 2007 com um show na Cidade do México.

Com a pegada de álbum reflexivo e, em certos momentos, rebelde, a turnê conversou bem com esses dois lados – já especificados por Chris como esperança e desespero. A Twisted Logic Tour não poupou efeitos cênicos e técnicos grandiosos.

O Coldplay investiu nas luzes do palco e na estrutura de dois andares que ficava atrás da banda, formando um imenso painel panorâmico. O telão era bastante utilizado durante o show, com destaque para uma contagem regressiva digital que era feita durante a abertura, com a música “Square One”, e que chegava ao zero quando o refrão da faixa explodia e tomava o espaço. As bolas amarelas gigantes, que passam pelas mãos dos fãs, também fizeram parte desta turnê.


Coldplay / Divulgação

Outra atração eram as fotos tiradas por Guy Berryman. Utilizando máquinas descartáveis, o baixista registrava os colegas de banda e as fotos eram distribuídas para a plateia. Claro que a famosa lâmpada que Chris Martin balançava durante “Fix You” também foi uma atração à parte, além dos lasers que iluminavam a plateia em “Clocks”.

Era esperado que toda a produção ficasse eternizada em um DVD. Os shows em Toronto, no Canadá, realizados nos dias 22 e 23 de março de 2006, foram gravados com essa finalidade. Acontece que por algum motivo a ideia ficou pra trás e a apresentação foi exibida apenas no Much Music (que é basicamente a MTV canadense). A exibição foi realizada pela primeira vez em dezembro de 2006 e hoje está disponível na internet.

 

Divulgação na América Latina

Pensando em usar a série de shows na América Latina para promover mais a banda por aqui, a gravadora resolveu lançar um álbum duplo intitulado “X&Y Latin American Tour Edition”. A edição limitada era uma versão repaginada do já conhecido “X&Y”. Uma das novidades do lançamento era a cor vermelha na capa do álbum, além do disco 2 que reuniu clipes, b-sides e uma entrevista contando o significado por trás de cada faixa. O curioso é que mesmo sendo voltado para o público da América do Sul, o conteúdo não conta com legendas em português.

 

Twisted Logic Tour no Brasil

A “Twisted Logic Tour” marcou a segunda vez do Coldplay no Brasil – a primeira passagem da banda por aqui foi em 2003, com a turnê do majestoso “A Rush Of Blood to the Head”. Naquela oportunidade, foram apenas duas apresentações: uma em São Paulo (no Via Funchal) no dia 3 de setembro; e outra no Rio de Janeiro, no ATL Hall (atualmente Km de Vantagens Hall) no dia 4.

A era “X&Y” rendeu mais shows ao nosso país, mas dessa vez em uma única cidade. Nos dias 26, 27 e 28 de fevereiro de 2007 a banda tocou em São Paulo, na extinta casa de shows Via Funchal, para cerca de 2.700 pessoas em cada noite. Naquela época o Coldplay já era mais popular, com músicas em novelas e fãs que não paravam de surgir. Os ingressos começaram a ser vendidos no dia 4 de dezembro do ano anterior e a disputa foi grande.

Via Funchal recebe Coldplay

Via Funchal recebe Coldplay

Nos dias das apresentações, voluntários recebiam os fãs na porta e falavam sobre a “Make Trade Fair” (MTF) – iniciativa que discutia igualdade de comércio entre os países mais ricos e os mais pobres, e que foi massivamente apoiada pelo Coldplay (a banda, inclusive, usou o alfabeto codificado para inserir a logo da MTF na última página do livreto do “X&Y”). Além de escutar sobre o projeto, os fãs ganhavam tatuagens temporárias. Também estava presente a Oxfam, iniciativa sem fins lucrativos igualmente apoiada pela banda. É por conta desse projeto que Chris usava duas listras pintadas em suas mãos – movimento que muitos fãs, que estavam na plateia, repetiram em suas próprias mãos.

Os shows na capital paulista começavam com a intensa “Square One”, faixa que já deixava os fãs enlouquecidos logo nos primeiros acordes da guitarra de Jonny Buckland. Na sequência, uma das músicas mais potentes da carreira da banda preenchia o espaço: “Politik”, uma faixa perfeita para se ver ao vivo, que faz vibrar e viver uma energia crescente.

Logo depois a pegada acústica e limpa de “Yellow” suavizava um pouco os ânimos no Via Funchal, além de deixar os fãs engajados passando de mão em mão as grandes bolas lançadas na plateia. No dia 26, Chris foi além e finalizou a música jogando sua guitarra para o alto.

Em um dos momentos da apresentação, também no dia 26, Chris arrancou risadas da plateia ao dizer: “puta chuva”, se referindo a chuva forte que caiu em São Paulo na tarde daquele dia. O fã Luciano Lima registrou o momento, que em seguida deu espaço para a performance da música “Sparks”, e por outras frases que Chris arriscou em português. “Boa noite, galera bonita”, disse ele.

 

“Trouble”, que só foi apresentada no primeiro dia, provou ao Coldplay que os fãs brasileiros estavam com as letras na ponta da língua. No início da performance, Chris cantou a letra de forma invertida, ou seja, começou pelo final. O público não se confundiu e cantou alto, o que fez o vocalista classificar a reação dos fãs em português com “maravilhoso”.

Outro momento de destaque dos shows em São Paulo foi o deslocamento da banda para mais perto dos fãs que estavam nas plateias laterais. De lá, a banda cantou a emotiva, e com cara de folk, “‘Til Kingdom Come”. Foi a parte mais intimista e acústica do show, e agitou bastante os fãs que se movimentavam na esperança de ficar mais próximos dos integrantes da banda. No segundo dia, “Green Eyes” substituiu “Til Kingdom Come” e manteve a onda mais intimista e acústica.

Nos três dias, a banda escolheu a música “Talk” como encerramento, mas o bis aconteceu em todos os shows e eles voltaram ao palco para apresentar “Swallowed in the Sea”, “In My Place”, e “Fix You”. Na verdade, esse era o cronograma do Coldplay. Tudo foi alterado quando os fãs, dos dias 26 e 27, pediram “Shiver” logo após “Fix You”. O coro foi tão alto e entusiasmado que convenceu a banda a voltar ao palco e apresentar a faixa de improviso. “Faz muito tempo que não tocamos esta música”, disse Chris. No último dia, 28 de fevereiro, o grupo já antecipou a vontade dos fãs e incorporou “Shiver” na 8ª posição do setlist.

 

A lista de músicas das três apresentações sofreu algumas alterações, com canções flutuantes (mudando de ordem) em alguns dias, enquanto outras só foram tocadas em algumas das datas. Como já contamos “Trouble” só foi apresentada no primeiro dia; “Daylight” não foi performada na última noite; “What if” não foi tocada no primeiro show, “Green Eyes” só fez parte do show dois, substituindo “’Til Kingdom Come” (ausente apenas neste dia); “Parachutes” só foi para o palco no dia 28, assim como “Love Me Tender” (cover do Elvis Presley).

Em sequência: setlists dos dia 26, 27 e 28 de fevereiro de 2007

Ainda durante a passagem do Coldplay por são Paulo, em 2007, Will, Jonny e Chris surpreenderam e convidaram brasileiros para jogar futebol.

 

Algo parecido aconteceu em março de 2010, quando Jonny, Will e Phil visitaram o treino do Corinthians.

Ainda falando sobre a passagem da banda por aqui em 2007, provando o seu desejo de interagir mais do que nunca com os fãs durante a “Latin American Tour”, o Coldplay escreveu cartões postais destacando as cidades pelas quais passaram e publicando o conteúdo especial no site oficial. No Brasil, Chris foi responsável por um dos cartões. “Aqui em São Paulo é divertido”, ele escreveu.

Postal referente a São Paulo

Postal referente a São Paulo

As vendas e os números
Com o lançamento no dia 6 de junho de 2005, o álbum alcançou a primeira colocação em 28 países e marcou a primeira vez do Coldplay no topo da lista de álbuns mais vendidos nos Estados Unidos (“Parachutes” e “A Rush Of Blood to the Head” conquistaram as posições 51ª e 5ª , respectivamente).

Em terras estadunidenses o “X&Y” vendeu pouco mais de 737 mil cópias na primeira semana e continuou com bons números até o final do mês – o que garantiu ao Coldplay mais de três semanas no topo (impedindo que grandes lançamentos, como do Foo Fighters, chegassem ao primeiro lugar em suas semanas de lançamento). No Reino Unido, o “X&Y” vendeu 464 mil cópias na semana inicial e garantiu o primeiro lugar ao grupo, segurando a colocação até a terceira semana. O saldo final do ano de 2005 inseriu o “X&Y” na 2ª colocação entre os itens mais vendidos no site da Amazon.

Considerando apenas o ano de lançamento, o disco atingiu mais de 8 milhões de cópias ao redor do mundo e se tornou o álbum mais vendido do ano 2005! O “X&Y” tem na conta o certificado de ouro no Japão e mais de 50 certificados de Platina ao redor do mundo. Os maiores destaques são: Reino Unido, líder que com nove vezes platina para a obra do Coldplay; Irlanda, que deu oito discos de platina para o álbum; Austrália, que consagrou o trabalho em seis vezes platina; e Canadá, com seus cinco discos de platina para o “X&Y”.

Hoje, o álbum tem mais de 15 milhões de unidades vendidas globalmente e, em maio deste ano, passou de 1,1 bilhão de reproduções no Spotify.

Vitor Babilônia

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