Em rádio de Los Angeles, Coldplay faz show intimista e Chris Martin e Will Champion concedem entrevista

Vitor Babilônia
18 jan 2020

Ontem, 17 de janeiro, Coldplay foi a banda responsável por marcar a reabertura do HD Radio Sound Space, em Los Angeles. No novo espaço, o grupo fez uma performance intimista que contou com alguns fãs na plateia, separados da banda por uma distância bem pequena, além de milhares de fãs conectados através do site e do app da Kroq Radio.

Com um palco tomado por sol e estrelas, elementos visuais do álbum “Everyday Life”, o show contou com um setlist formado por 11 músicas.

Um dos destaques do show ficou por conta da faixa “Arabesque”. Durante a música, a banda dividiu o palco com Femi Kuti, estrela Nigeriana do Afrobeat. Kuti está na versão de estúdio da faixa e já acompanhou o grupo em outras performances. Além dele, outros instrumentistas nigerianos ocuparam o palco e contribuíram para preencher o espaço com a melodia crescente da música. Ainda sobre “Arabesque”, no palco da rádio Chris Martin cantou a parte da letra em francês, versos que na versão de estúdio foram interpretados pelo belga Stromae.

Em “Cry Cry Cry” o vocalista do Coldplay parou a música logo no início e pediu perdão por ter errado o tempo. Antes de tocar a última canção, “Champion Of The World”, Chris Martin parou o show para cantar parabéns para uma fã sortuda que avisou, da plateia, que estava comemorando o seu aniversário por lá. Assista à apresentação completa:

Sunrise

Orphans

Viva La Vida

Trouble in Town

BrokEn

Lovers in Japan

Arabesque

Na Tha Way Be That

Fix You

Cry Cry Cry

Happy Birthday (Bônus)

Champion Of The World

Mesmo com as 11 músicas definidas antes de entrar no palco, Chris Martin tentou atender a um pedido de uma fã que antes do show se destacou na transmissão ao afirmar aos apresentadores que aquela seria a 45ª apresentação que ela assistiria da banda. Sentado ao piano, o vocalista ouviu a fã e tentou tocar e cantar “Amsterdam” — faixa que integra o álbum “A Rush Of Blood to the Head” (lançado pelo Coldplay em 2002).

Apesar da tentativa, Chris não se lembrou direito da letra. “O que está acontecendo, cara? Eu não consigo me lembrar o que vem depois (…) Você quer saber? Eu preciso escutar e a gente deveria fazer isso de novo amanhã”, disse ele depois de deixar a plateia inflamada com uma música tão nostálgica para os fãs mais antigos da banda. Assista ao vídeo do momento:

SETLIST DO SHOW

“Sunrise”, “Orphans”, “Viva La Vida”, “Trouble in Town”, “BrokEn”, “Lovers in Japan”, “Arabesque” (Femi & Horns), “Na Tha Way Be That” (Femi & Horns), “Fix You”, “Amsterdam” (trecho), “Cry Cry Cry” , “Happy Birthday” e “Champion Of The World”.

Além do show, Chris Martin e Will Champion voltaram ao palco para conversar com os apresentadores Stryker e Klein. “Toda vez que vocês forem inaugurar um novo espaço, nós vamos fazer a abertura para vocês”, disse Chris destacando o fato de que a banda foi a primeira a subir no palco do novo espaço. O vocalista ainda brincou: “A gente se recusa a tocar em um prédio que alguém já tenha tocado antes”. Assista a íntegra do vídeo da entrevista a seguir, e abaixo do vídeo confira a tradução completa do papo:

Tradução da Entrevista

Os apresentadores relembraram a passagem do Coldplay em 2011, período em que a rádio também estava inaugurando um novo espaço e que o Coldplay divulgava o álbum “Mylo Xyloto”. Stryker então questionou o baterista se shows como o que rolou na rádio, em que os fãs estão posicionados a uma distância mínima do palco, ainda o deixam nervoso depois de tantos anos de carreira:

“Eu acho que sim. Quando estamos tocando em um de nossos shows, se a gente cometer um erro nós vamos ter várias chances para compensar isso”, Will explicou. “Mas em rádios e na televisão as coisas são gravadas nas memórias das pessoas de uma forma que não pode ser deletada, já que elas vão assistir quantas vezes quiserem. Então eu com certeza fico mais nervoso para tocar em rádio ou TV do que fico em nossos shows”.

Questionado sobre o primeiro show que o Coldplay fez em Los Angeles, Chris lembrou que a apresentação ocorreu há 20 anos para a mesma rádio (KROQ). Na época a banda ainda começava a divulgar o primeiro álbum nos Estados Unidos. “O show aconteceu onde hoje fica Hogwarts, no parque da Universal Studios”, brincou Chris completando que a apresentação estava um pouco vazia “isso foi antes de Harry Potter vender tantos álbuns”.

Ainda sobre o primeiro show, os apresentadores concordaram com Chris com a lembrança de que a apresentação foi no Almost Acoustic Christmas, um programa especial que a rádio promove por anos na véspera do natal. O vocalista comentou que foi nesse período que as rádios estadunidenses começaram a tocar o som da banda britânica. “Foi a hora de vir para a América e tem sido um milagre desde então”. Martin confessou que tudo aquilo era novo pra banda e Will completou:

Chris relembrou os shows de abertura que o Coldplay já fez. O vocalista contou que a banda abriu o show do Muse antes do álbum “Parachutes” ser lançado. “Nós não temos nada além de amor por eles, nós viemos da mesma área no território britânico”. A outra banda, para a qual o Coldplay abriu um show, foi U2: “Foi um grande acordo. Nós estávamos no fim da divulgação do nosso primeiro álbum e eles foram muito gentis com a gente”, disse Chris.

Falando sobre as metas que o Coldplay tinha antes de se tornar uma das maiores bandas do mundo, o baterista Will Champion relembrou: “Nós tínhamos uma lista na parede. A primeira meta era conseguir um baterista”, disse rindo antes de completar: “Essa lista foi feita antes de eu entrar, então eu fiquei grato por poder riscar esse item”. Will continuou falando sobre a lista: “Tocar nas rádios, conseguir um contrato para lançar um álbum… E nós fomos muito sortudos por ver tudo isso acontecendo em consideravelmente pouco tempo”. Champion lembra do início com muita gratidão.

“Nós não imaginamos que iríamos conseguir vir para a América tão cedo. Isso é muito difícil para bandas britânicas. Se você ler conteúdo da imprensa britânica vai perceber que bater recordes na América é sempre interpretado como algo -quase- impossível para os britânicos. Eu não achei que o nosso primeiro álbum seria lançado na América, mas por sorte o Dave Holmes (manager do Coldplay nos Estados Unidos) quis trazer o álbum para cá e eles o lançaram aqui com um novo selo”.

Os apresentadores celebraram o fato de que por mais que Coldplay seja uma banda gigante hoje, as pessoas não param de aprender lições com a forma que os membros da banda tratam uns aos outros e como tratam os fãs. “A presença de palco e tudo o que vocês entregam nos seus shows, eu acho tudo isso incrível desde o primeiro dia”, disse um dos apresentadores. Chris, então, respondeu:

“Nós nos conhecemos muito bem, então alguns dos nossos atos podem parecer gentis (para os outros), mas nós (olhando para o Will) poderíamos contar uma história diferente (por trás do que está sendo mostrado). Nós somos humanos. Mas nós realmente amamos os nossos fãs e nós não temos nenhum problema em mostrar isso. A razão por estar na banda é entender que nós estamos no planeta ao mesmo tempo que todas as outras pessoas, e assim tentar conhecer e trocar com a maior parte possível dessas pessoas”.

Sobre estar com a mesma formação de banda por tantos anos, Chris Martin disse:

“Existem alguns segredos (para dar certo). O primeiro deles é dividir o dinheiro, dividir os créditos, se comunicar e entender que tudo é dado. Se você pode escrever uma canção então é um presente, se você encontra as melhores pessoas para fazer isso… Tudo vai muito além do seu controle, sabe. O que ajuda é ser extremamente grato. Mas eu posso dizer que nós (membros do Coldplay) somos iguais em todo sentido que pode ser medido”, disse o vocalista realçando que a banda divide igualmente tudo que pode ser mensurado, tanto em criatividade quanto em dinheiro.

Sobre os filhos participarem de algumas faixas da banda, inclusive no álbum “Everyday Life”, Chris brincou: “Bem, nós sempre forçamos as nossas crianças a trabalhar. Nós realmente gostamos dos tempos Vitorianos em que as crianças britânicas recebiam um salário honesto por dia”. E completou: “Quando estamos em turnê, se qualquer uma das crianças estiver por perto a gente os leva para o palco e de vez em quando isso também acontece quando estamos gravando as demos das músicas. Eu apenas pergunto aos meus filhos, e aos seus amigos, se eles gostariam de cantar como coral nas músicas. É claro que a gente os paga de maneira apropriada. Eu realmente gosto de escutar eles. Para mim, eles fazem a canção soar ótima”.

Um dos apresentadores pontua que a música “Orphans” partiu de uma gravação que Chris tinha salva no celular e pergunta se o vocalista tem mais arquivos, no celular, que podem se tornar canções no futuro. “Eu vou contar a verdade. Eu não sei de onde as músicas vem. Eu me sinto como um surfista aguardando as ondas. Toda vez que eu tento estruturar uma canção por mim mesmo tende a não ser algo muito bom”, disse Chris sobre a dificuldade de forçar a criação de uma música se ele não tiver recebido nenhuma influência externa. “No meu celular tem cerca de oito mil e setecentas gravações de voz, mas apenas 10 delas devem ser aceitas por esse cavalheiro”, disse Chris apontando para Will.

O vocalista confidenciou que sempre tem medo de compartilhar o que está criando com Will e com os outros membros do Coldplay e brincou com o apresentador depois que ele disse que pegaria o celular de seu bolso: “você provavelmente vai achar tudo muito ruim”, disse Martin.

Sobre a dinâmica de gravação do Coldplay, Will comentou: “Eu acho que depois de 20 anos nós finalmente encontramos um caminho eficiente e agradável para criar a gravar. No passado nós costumávamos passar muito tempo juntos, mas não necessariamente sendo produtivos. Nós ficávamos apenas brincando e não nós esforçávamos o suficiente. Não éramos muito focados. Mas agora a gente tende a trabalhar em períodos mais curtos, mas extremamente intensos. Nós reservamos períodos de duas semanas em que a gente vive juntos, come juntos… É como um acampamento de treinamento. Nós podemos gravar em qualquer momento desses dias. Depois nos temos um período a distância em que a gente tem tempo para refletir, ouvir, compartilhar. Depois a gente volta e faz mais um período juntos. Percorremos círculos até chegar ao meio”.

Chris completou: “É algo como funciona nos filmes, nos dias de filmagem. E eu acredito que para os personagens, que são a banda, isso se torna mais animador. Agora quando a gente reserva 10 dias de estúdio nós ficamos ansiosos e esse tempo se torna mais precioso”.

Foto de capa de KROQ Radio via Getty Images.
Clique aqui para conferir mais fotos do show na rádio!

Vitor Babilônia

error: Content is protected !!