Phil Harvey e Dave Holmes falam em entrevista sobre trajetória do Coldplay até aqui e qual o futuro da banda

Carolina Estrella
7 mar 2018

A série World’s Greatest Managers da Music Business Worldwide (MBW) põe em foco os melhores empresários de artistas na indústria musical. Desta vez, Phil Harvey e Dave Holmes falam sobre como é gerenciar uma banda como Coldplay. Confira abaixo a entrevista traduzida pela equipe do Viva Coldplay:

É comum o empresário de uma banda ter um amigo que o ajuda a todo o momento, alguém que assume esse papel quase acidentalmente – e devido a falta de alternativa.

O que é menos comum é esse amigo administrar a banda e alcançar uma dominação mundial, sair, percorrer quase o mundo todo para conseguir um diploma (sendo que, originalmente, havia deixado a Universidade de Oxford para cuidar da banda), recuperar-se e se juntar novamente à banda, não apenas como co-empresário, mas como diretor criativo e quinto membro não oficial.

Essa banda, claro, é Coldplay e esse amigo/empresário é Phil Harvey.

Ele ainda luta contra a palavra ‘empresário’, mesmo com o prefixo ‘co’. Felizmente, não é por destravar memórias obscuras, mas por causa do homem que ele chama de “verdadeiro empresário do Coldplay” e “o adulto”, Dave Holmes.

Qualquer que seja a demarcação de papeis e as palavras exatas no mundo dos negócios, os dois – às vezes de forma individual – mas, na maioria das vezes, juntos fizeram um excelente trabalho pela banda que agora vendeu aproximadamente 75 milhões de álbuns ao redor do mundo e, no ano passado, completou seu 122º show da terceira maior turnê de todos os tempos – a maratona A Head Full Of Dreams, arrecadando cerca de $523 milhões em ingressos, atrás apenas das turnês A Bigger Bang, do The Rolling Stones e 360º, do U2.

Em entrevista, Harvey é entusiasta e tangencial enquanto Holmes é cauteloso e pontual – complementando um ao outro, assim como em seus trabalhos diários.

No meio disso, eles contam os bastidores da história da ascensão de uma das maiores bandas do mundo atual.

[1] Phil, você, obviamente, já conhece a banda há muitos anos – antes mesmo de serem uma banda. Do que você se lembra sobre o primeiro encontro e como foi conhecê-los melhor?

Phil: Chris e eu éramos amigos na escola desde os 13 anos. Nós estivemos em uma banda chamada The Rockin’ Honkies, uma banda soul/R&B no estilo da The Commitments, eu acho. No entanto, nosso tempo na banda nunca coincidiu. Eu fui um fundador, mas logo passei a ser o guitarrista sem talento, então fui substituído e ganhei o posto de técnico do som antes do Chris entrar como o pianista. Não o vocalista, mas sim o humilde pianista.

Nós éramos melhores amigos e até sonhávamos em fazer algo juntos na música. Felizmente, eu tive auto-conhecimento para saber que eu não seria um artista, mas o Chris era um prodígio mesmo com 13 anos.

Depois da escola, Chris foi para Universidade College London e eu fui para a Tinity College, Oxford. Ele conheceu Jonny, Will e Guy no primeiro ano e ele dividiu um apartamento com Jonny na Camden Road, onde eu podia passar a noite. Eu estava ciente de que eles estavam começando a escrever músicas juntos e falavam sobre começar uma banda.

[2] Como você se envolveu?

Phil: Nos primeiros shows, eles não tinham um empresário – eles mal tinham um kit de bateria. Então, depois de um tempo, eu sugeri ser o empresário. Eu disse: “Eu não vou fingir que sei o que estou fazendo, mas tem duas coisas que nós vamos ao menos tentar e fazer: lançar um single e fazer nosso próprio show”.

Eu peguei emprestado um dinheiro com o meu pai e alguns amigos. Eu acho que custo cerca de £1,500 para fazer o que ficou conhecido como o EP Safety. Então, nós marcamos um show em Dingwalls (em Camden, Londres) e conseguimos juntar 350 pessoas, o que significava que eu podia pagar o empréstimo de volta.
Isso foi perto de Maio de 1998 e eu pensei, “isso vai acontecer…” e, então, tudo ficou mais calmo. Foi um realidade dura de aguentar… A realização de que eu não tinha nenhum contrato na indústria musical e, apesar de termos nosso pequeno lance rolando, as empresas não faziam a mínima ideia de que aquilo estava acontecendo.

Eu mandei para todos o EP, mas não obtive resposta. Nesse ponto, eu deixei a Oxford porque eu estava determinado a fazer isso acontecer e não desapontá-los. Eu, literalmente, acordei no dia da prova, fui até a faculdade e falei para o meu professor que eu estava saindo para cuidar de uma banda de Rock.

Mas as respostas de todas as ligações que eu fazia eram: “É… A música é ok, mas você não se encaixa aqui”. Eu, provavelmente, tentei 20 departamentos diretamente e todos recusaram. Eu me simpatizo com eles porque a banda era uma bagunça! Você não olharia para eles e pensaria que era uma banda que, mais tarde, conquistaria o mundo.

Eu fiquei um pouco mal comigo mesmo porque a banda não conseguiu um contrato de gravação – e eu sabia que eles estavam prontos.

Eu achei o meu diário daquele ano outro dia. Eu escrevi: “Eu preciso me afastar para dar a eles uma verdadeira chance; eles precisam de um verdadeiro empresário”.

[3] O que mudou as coisas para você – e para eles?

Phil: Eu recebi uma carta da In The City dizendo que o Coldplay era uma das 50 bandas sem gravadora que foram selecionadas para tocar. Isso me impressionou, porque nós não tínhamos nenhuma divulgação e, certamente, não éramos o Muse ou Elbow, que também estavam sendo criadas naquele ano.

Claro que, no final, nós tocamos em um pequeno Café. Nós éramos os primeiros e, honestamente, havia quatro pessoas na plateia. Eu estava devastado, mas deixei meu cartão de contato na mesa.

Eu me senti como uma falha épica. Mas, na manhã seguinte – eu nunca vou esquecer – Eu estava dormindo no chão do apartamento do Chris e Jonny quando acordei com uma ligação da Debs Wild, uma funcionária da Universal Music dizendo que ela estava no show e achou incrível.

Aquele foi o momento definitivo de quando as coisas começaram a acontecer para a gente. [Wild ainda faz parte da equipe como, junto a outras coisas, a pessoa que facilita a interação com os fãs].

[4] Vocês não assinaram com a Universal apesar disto, nas gravações pelo menos.

Phil: Não, mas o que aconteceu foi que Debs nos apresentou para Caroline Elleray na Universal Music Publishing, ou BMG como era naquela época, e ela nos assinou; nos colocou em contato com Gavin Maude, que tem sido nosso advogado desde aquela época; e ela levou o CD para Simon Williams na NME, que levou a eles nos colocarem dentre seus palpites para 1999.

Simon também gerenciava – e ainda gerencia – uma gravadora chamada Fierce Panda, e ele foi generoso o suficiente para lançar o nosso primeiro single, Brothers and Sisters.

O próximo show que nós fizemos foi com a Fierce Panda no The Bull & Gate, cara a cara com os melhores da indústria. Nós estávamos funcionando.

[5] Quem estava na disputa para contratar vocês e porque a Parlophone ganhou?

Phil: Uau, eu realmente não consigo te dizer quem estava na disputa. Haviam muitas ofertas.

Eu lembro que nós lutamos para decidir se ficávamos ou não com a Fierce Panda, que era definitivamente uma opção. Mas eu acredito que uma vez que o nome da Parlophone tenha aparecido, nós pudemos instantaneamente dizer que eles eram as pessoas certas para nós.

[6] O que sobre a banda e o lançamento de estreia que fez conexão tão rápido com tantas pessoas na sua opinião?

Phil: Na verdade, foi bem demorado para nós, porque depois que assinamos o contrato, nós lançamos um outro EP, o The Blue Room, que não fez sucesso algum. E aí, nós lançamos Shiver, que foi reproduzida algumas vezes na Radio 1 por Jo Whiley, e dentre o Top 40, ficou na 35º posição. Nós ficamos muito felizes com isto, era o máximo que poderíamos esperar. Então, Chris escreveu Yellow enquanto estávamos fazendo o primeiro álbum.

No momento que eu recebi uma ligação da gravadora dizendo que Yellow estava na 4º posição no Top semanal do Reino Unido, foi um verdadeiro choque, no corpo e na alma. Foi uma mudança de paradigmas, nós deixamos de ser uma banda que estava fadada a estar na lista “C” da Radio 1, para ter uma música no Top 5, perto de todos os gigantes do pop.

No momento em que recebi uma ligação da gravadora dizendo que Yellow estava na 4º posição no Top semanal do Reino Unido, foi um verdadeiro choque, no corpo e na alma.

Eu meio que enlouqueci, estava intimidado por isto e não tinha certeza se estava confortável em trabalhar neste nível. Eu estava consciente da minha falta de experiência e eu desesperadamente não queria deixar a banda para baixo.

O álbum saiu algumas semanas depois e ficou em número 1, nesta época, Yellow já fazia sucesso ao redor do mundo e aí aparece uma pressão enorme para preencher a agenda da banda o máximo possível. Isto tomava todo o tempo e foi uma época caótica.

Nos primeiros meses da loucura do Parachutes, era apenas eu na gerência até que eu finalmente contratei uma assistente, a incrível Estelle Wilkinson. Felizmente para mim e para a banda, ela era fenomenal. Na verdade, ela ficou tão permanente, que quando eu saí, 2 anos depois, ela começou a co-gerenciar a banda ao lado de Dave no A Rush Of Blood To The Head e no X&Y.

[7] Como você lidou?

Phil: Eu não tenho certeza que lidei muito bem. Eu definitivamente deveria ter tido mais ajuda no começo.

[8] Como você se sente relembrando isso?

Phil: Eu realmente não sei, tudo aconteceu tão rápido; era como uma faísca atingindo um derramamento de óleo. E então eu tive que apoiar porque, na sugestão da Parlophone, nós começaríamos a trabalhar com a Nettwerk, na América do Norte, onde, por uma grande fortuna, Dave Holmes estava trabalhando e tornou-se, rapidamente, nosso amigo confiável e depois nosso gerente americano.

[9] Dave, quando e como foi a primeira vez que ouviu o nome Coldplay?

Dave: Isso deve ter sido em 2000, quando ouvi pela primeira vez sua música. Voltei para conhece-los e acabamos acertando imediatamente.

[10] Como foi a primeira relação?

Dave: Foi através da Nettwerk, que teve uma associação com a Capitol Records e fazia parte da família EMI naquela época.

[11] E a Capitol/EMI não ficou terrivelmente interessada neles inicialmente?

Dave: Sim, e uma vez que eles passaram, a banda então teve a decisão de considerar outros selos independentes conectados à EMI e eles escolheram a Nettwerk.

Então, o Parachutes foi lançado na Nettwerk, mas eles conseguiram um arranque bem rápido, especialmente na rádio, e a Capitol tinha uma prática maior para trabalhar com isso e eles foram para cima rapidamente.

[12] Como a relação evoluiu para o gerenciamento?
Dave: Phil e eu trabalhávamos juntos cada vez mais e em algum momento ele trouxe isso à tona comigo, e ele disse que adoraria ter alguém na América do Norte e claro eu disse que adoraria – porém eu ainda trabalhei na Nettwerk por alguns anos depois disso.

[13] Como os limites apareceram naquela época?
Phil: Para o Parachutes, eu era o empresário e Dave era o empresário norte-americano, então nos tornamos co-empresários e então, e quando o A Rush of Blood To The Head foi lançado, foi quando eu decidi sair.

[14] O que aconteceu na construção do A Rush Of Blood que fez você tomar a decisão de sair na semana em que ele foi lançado?

Phil: Para ser sincero com você, eu estava lutando para lidar com isso. A pressão, praticamente desde que Yellow virou um sucesso, era apenas… Eu não estava me sentindo bem, e por alguma razão, a relação entre Chris e eu também estava sofrendo.

[15] Você teve que ter uma conversa com a banda para falar que você estava saindo?

Phil: [risos] Sim, e essa não foi uma conversa boa. Foi bastante dramática, e não apenas porque eu era o empresário, mas porque era o melhor amigo do Chris e estava indo para o outro lado do mundo. Fui viajar pela América do Sul e acabei indo para a universidade na Austrália. Eu finalmente consegui meu diploma! Então, três anos depois, quando me convidaram para voltar, eu estava prestes a começar meu treinamento com a NHS como psicólogo clínico.

[16] Isso foi difícil, pois eles não queriam que saísse? Presumo que você usou o argumento de que seria melhor para todos se você saísse. Certo?

Phil: Eu acho que eu não disse que seria melhor para todos. Na verdade, eu acho que eu estava sendo egoísta, pensando apenas em cuidar de mim mesmo. A minha saúde estava oscilando entra altos e baixos e eu não estava feliz. É difícil explicar.

Nosso relacionamento não era um típico relacionamento entre empresário e banda (se é que existe algo assim). Quando eu pensei em sair, existia o fato de que eu também era amigo deles. Eu fiquei ao lado deles, dormindo no chão, por quatro ou cinco anos. Então foi traumático e até mesmo agora, algum tempo depois, eu não consigo falar sobre isso e deixar de me sentir imensamente grato por a gente ter conseguido voltar a ficar juntos.

[17] Eles queriam que você ficasse?

Phil: Sim, eles preferiam que eu ficasse e isso ficou muito claro. Eu acho que de certa forma eles se sentiram abandonados e desapontados (e, do ponto de vista deles, eu acho que estavam certos).

[18] Eu acho que os pontos positivos no meio disso tudo se concentram em dois fatos: em primeiro lugar o fato de que Dave estava em cena para assumir o controle completamente e em segundo o fato de que depois você encontrou um caminho para voltar. Hoje vocês conseguem olhar para trás e concluir que foi uma escolha certa?

Phil: Meu Deus, com certeza foi a escolha correta. Eu não estaria falando com você hoje se isso tudo não tivesse acontecido. Juntamente com Estelle, o Dave fez um incrível e irreparável trabalho e cuidou muito bem das coisas sem a minha presença.

O álbum “A Rush Of Blood To The Head” foi um grande sucesso e não foi diferente com o sucessor “X&Y”. Apesar disso, se você conversar com a banda eles provavelmente vão dizer que esse período não foi o de maior alegria. Não quero que pareça que estou potencializando a minha importância, mas a verdade é que há um equilíbrio de forças fundamental quando nós seis estamos juntos.

Se você tirar um de nós as coisas ficam instáveis e isso definitivamente aconteceu. Eles tiveram algumas experiências difíceis entre os anos de 2003 e 2005.

[19] Dave, quais são as suas memórias desse período em que o Phil saiu?

Dave: Eu posso afirmar que foi uma decisão muito difícil para o Phil (e não tinha como não ser). E eu entendi e respeitei a situação.

[20] E como você acha que isso afetou o seu trabalho? Você teve que ser firme?

Dave: Sim, mas eu também senti que estava pronto. Olhando para trás agora, eu percebo que tinha muito a aprender, mas eu ainda tenho muito que aprender; eu acordo todos os dias querendo aprender. Mas sim, eu estava pronto, aquele era o momento e estávamos numa posição tão confortável que, quando começamos a nos preparar para o próximo álbum [X&Y], nós não tivemos de nos preocupar se teríamos, ou não, uma performance no Saturday Night Live ou se seríamos convidados para o Jonathan Ross show; todas as oportunidades estavam lá e nos restava apenas agendá-las, o que é uma posição incrível para se estar.

O seu trabalho é com certeza mais fácil quando você não tem dizer para o seu cliente “hmm, me desculpe, nós não conseguimos te colocar naquele programa de TV”. Estávamos numa ótima posição. Eu adorava isso, era excitante.

[21] Sua relação com a banda mudou e se estreitou naquela época?

Dave: Sem dúvida, sim. Nossa ligação ficou mais forte, com certeza. Nós meio que crescemos juntos e isto fez parte de tudo.

[22] Como aconteceu a reconciliação e reintegração?

Phil: Chris e eu começamos a sair de novo naturalmente quando eu voltei para North Londres. Depois de alguns passeios no parque, Chris disse “vamos lá, Phil, nós precisamos de você de volta na banda, como podemos fazer isso?” E, como eu disse, Dave foi fantástico.

[23] Como você define seu novo papel, como um título de trabalho ou como uma descrição de trabalho?

Phil: Bem, a banda me encoraja a dizer que sou o Diretor Criativo, o que eu odeio. Faz parecer que cuido de uma companhia de balé ou de uma agência de marketing. Eu não sei… Nas notas dos álbuns, eles sempre me listam como um membro da banda, o que é muito gentil.

Fico no estúdio com eles todos os dias, mas eu não toco nenhum instrumento, então… Bom, é difícil explicar o porquê ou mesmo se eu tenho qualquer valor, de toda forma.

Eu acho que, com o passar dos anos, eu aprendi a ser útil: aprendi a delinear um show ao vivo; aprendi a fazer vídeos; aprendi a A&R [sigla para Artistas e Repertório]. Eu meio que me encaixo nas lacunas.

[24] O quanto do seu papel inclui o que a maioria das pessoas chama de ‘gestão’?

Phil: [Pausa] Bem, Dave é sempre o ‘adulto’ da sala, ele é o verdadeiro empresário. Eu estou envolvido, mas se quiser o verdadeiro empresário, você tem que falar com Dave Holmes.

Dave: Phil é como um artista, ele é um indivíduo muito criativo. Eu vejo o Phil como outro membro do Coldplay, eu realmente vejo; Eu gerencio uma banda com cinco membros.

[25] Como as mudanças de domínio da Parlophone afetaram a banda?

Dave: Nós apenas lidamos com isso, porque a nossa equipe principal na Parlophone permaneceu constante. Então, o quer que estivesse acontecendo em volta deles ou a nossa volta, corporativamente, não nos afetava. A equipe era praticamente a mesma durante todos os álbuns, até recentemente.

[26] E quem são os membros-chave da equipe?

Dave: Certamente, hoje em dia, Tony Wadsworth, Keith Wozencroft, Mandy Plumb, Kevin McCabe, Murray Chalmers, Kevin Brown e Miles Leonard. E Mark DiDia, na Capitol Records era um defensor.
Mark DiDia é, sem dúvida, a razão para o Coldplay ter sido uma prioridade na Capitol Records, nos EUA. Ele foi o responsável por defender a banda naquela gravadora e nós devemos a ele nossa gratidão.

[27] O acordo com a Parlophone/Warner foi re-negociado várias vezes, qual a sua validade agora?

Dave: Bem, nós ainda temos alguns anos a mais [risos]; Nós continuaremos com eles por algum tempo. Nós amamos trabalhar com eles, são uma boa gravadora.

Tem sido um prazer trabalhar com Max [Lousada], além de Miles, Julie Greenwald e Craig Kallman, nós EUA. Nós somos abençoados.

Nós, finalmente, temos um ótimo grupo de pessoas que estiveram nesse lugar por muito tempo. Nós já passamos por muitas portas diferentes, então é bom estar em um lugar com estabilidade.

[28] O Coldplay esteve longe da plataforma de Streaming no passado; Qual é a visão agora?

Dave: Eu acho que é uma ótima plataforma em vários sentidos; É onde a música se concentrou assim que se tornou digital. Os artistas são pagos toda vez que alguém escuta sua música; Quem iria pensar nisso há 20 anos?

[29] Qual a sua perspectiva quanto a isso?

Dave: Neste ponto, nós não iremos mais recuar. Nós fizemos isso ao longo dos anos porque o Streaming estava em desenvolvimento. Nós nos movemos com o tempo assim como o Streaming cresceu ao longo dos anos.

Agora que o nível de compartilhamento se tornou amplo no mercado, você tem que lidar com isso e tratar da maneira que merece ser tratado.

No passado, nós recuamos porque o Spotify de 10 anos atrás não é o que o Spotify é hoje.

[30] Você hesitaria em ceder para assinantes não pagantes durante certo período?

Dave: Eu acho que não. Não. Não neste ponto.

[31] E sobre exclusividade? Se algum desses serviços viesse até você com um grande cheque na mão, você ficaria tentado?

Dave: Não, de novo. Não neste ponto. Estaria disponível para todos ao mesmo tempo.

[32] O que vocês pensam sobre a recente turnê A Head Full of Dreams?

Phil: Nós amamos, nós amamos cair na estrada e tocar em estádios. Chris tem uma energia ilimitável e é tão empenhado em fazer um grande show todas as noites. Você nunca irá ouvir um murmúrio dele, ele é tão grato pelo que faz e sente uma grande responsabilidade para dar às pessoas uma agradável experiencia. – assim como Guy, Will e Jonny. O humor é constantemente incrível durante a turnê.

Dave: Foram muitas coisas para cuidar, mas foi uma grande turnê. Houveram vezes em que nós testamos a paciência da nossa equipe, eu tenho certeza, mas eles são a melhor equipe do mundo e sempre estão dispostos. É bom que tenha acabado, mas também é triste porque nós tivemos muitos bons momentos. Principalmente, estou orgulhoso pela banda ter alcançado o que alcançou.

[33] O que vem agora nas atividades do Coldplay?

Dave: Nós estamos dando um tempo para dar uma respirada. Não entraremos em turnê novamente até 2021 no mínimo. Nós precisamos dar um tempo e voltar com algo realmente especial.

[34] Quais seriam suas maiores conquistas?

Dave: Houveram tantas que é difícil escolher uma. Mas, sabe de uma coisa, terceiro maior turnê da história? Isso é maravilhoso. Estou tão feliz por meus garotos.

Phil: Vai soar banal, mas é o simples fato que somos melhores amigos agora do que eramos há 20 anos.

[35] E por fim, quais seriam seus conselhos para os jovens empresários hoje?

Dave: Acredite no seu artista e o resto deve vir naturalmente. Eu sei que isso não soa muito esperto, mas é fundamental. Se tem uma coisa que me guiou, foi acreditar naquela banda, do primeiro dia até hoje. Se você acredita em um artista, você fará qualquer coisa por eles, você fará o que for necessário.

Phil: Eu concordo, e também levo em consideração o fato de que se o artista tiver a mesma confiança em você, isso é qualificação suficiente para levá-los aos patamares mais altos. No começo, você descobrirá que a indústria da música é cheia de jargões em constante mudança, e até certo, absolutamente todos estão aproveitando a onda. Existe uma simples razão para isso: sucesso na música é baseado em sentimentos e paixão, não é necessariamente uma indústria muito cerebral. Lembrem-se disso, e saibam que se seus artistas confiam em vocês e vocês confiam neles isso irá provavelmente dar certo.

Fonte

Carolina Estrella

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