Entrevista traduzida: Chris Martin é capa da Rolling Stone de fevereiro

Vitor Babilônia
12 fev 2016

Nos últimos dois anos, Chris Martin orquestrou grandes hits, enfrentou um divórcio exposto na mídia e ainda conseguiu manter-se na dele durante todo o tempo. Agora ele abre sua intimidade para a Revista Rolling de uma maneira surpreendente. O vocalista do Coldplay é capa da edição da revista que chegou hoje, 12/02, às bancas. Em uma entrevista longa e intima, Chris não teve papas na língua e falou sobre vários momentos de sua vida pessoal e profissional. Abaixo o Viva disponibiliza a entrevista completa e traduzida.

CAPA

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ENTREVISTA (TRADUÇÃO)

 Chris Martin: sofrimento e cura
Into The Great Wide Open

Como Chris Martin aprendeu a viver com os haters e a levar o Coldplay de volta ao sol

Entrevista por Josh Eells
Fotos por Peggy Sirota
Tradução: Vitor Porto (Viva Coldplay)

Em uma tarde ensolarada de início de ano, Chris Martin saltou de seu SUV (carro) com motorista. A frente de um luxuoso hotel à beira-mar, ele caminhou no píer de Santa Monica inalando o ar de maneira profunda. “Isso não é lindo?” ele disse, referindo-se a areia dourada e ao Pacífico. “Amazing day” (dia incrível). Inclusive, “Amazing Day” é também o título de uma das músicas de Martin e sua banda, Coldplay, e está no álbum mais recente deles: “A Head Full Of Dreams”.

Falando sobre as composições de Chris, posso afirmar que como pessoa ele se parece muito com o que escreve: é exuberante, um pouquinho sentimental (o que pode até soar como brega) e facilmente maravilhado.

Enquanto conversamos, Martin estica suas pernas e passa uns minutinhos tomando sol. Ele tem a estrutura óssea de um nadador. Alto, ombros largos, barba por fazer e aquele brilho que se espera encontrar em alguém famoso. Ele está usando um chapéu turquesa que reflete seu próprio semblante, o efeito é praticamente redundante- um ‘smiley’ (carinha feliz) em cima de um ‘smiley’. A escolha do tênis, que parece desconectado do restante da roupa, parece ter sido consciente.

Martin vive em Malibu, numa casa que ele e a ex-esposa, Gwyneth Paltrow, compraram pouco antes de se separarem (em 2014) por 14 milhões de dólares. “Bem ali”, ele disse apontando. Ele acordou essa manhã e ouviu dois episódios de “Serial” e então, num esforço pra se manter para cima e se preparar para o grande show do Coldplay, no intervalo do Super Bowl, ele assistiu a todos os episódios de ‘Rocky IV’. “Rocky IV tem a sequência de treinamento mais impressionante de todos os tempos”, disse Martin. “Eu acho que assistir isso faz o garoto jovem, que vive em mim, dizer: ‘Wow – se você quer fazer algo, apenas levante a porra de uns troncos’”!

Martin gosta de estar em movimento, então ele sempre tira um tempo para fazer caminhada. Ele caminha bastante pela cidade de Los Angeles, tanto para se transportar quanto para recreação. “Sempre houve um fluxo de energia ansioso correndo por dentro dele”, disse Phil Harvey (seu melhor amigo e diretor de arte do Coldplay). O ator Simon Pegg, outro amigo de longa data, suspeita que o comportamento de Chris também seja uma forma de se esquivar dos paparazzi. “O truque dele é se mover rapidamente”, diz Pegg. “E o fato de ele ter pernas muito longas ajuda bastante”.

Quando olhamos abaixo do píer, avistamos turistas, ciclistas, patinadores e gaivotas. A essa altura Martin já está descalço e acaba pisando em uma pedra. Depois disso ele abaixa, pega a pedra e a atira para longe, na areia, com o objetivo de salvar alguém do mesmo destino. Martin suspira. “Eu realmente não gosto de falar sobre isso, pois faz com que eu soe como um ‘nob’”, diz ele. “Mas a verdade é que, dois dias antes do natal, fui voluntário em um lugar que visa ajudar pessoas sem teto. Eu estava ajudando a construir um canil para os cachorros e alguém deixou cair, acidentalmente, um grande painel de madeira nos meus pés.” No começo ele estava preocupado com uma possível fratura; logo ele percebeu que não estava quebrado, mas ainda sentia dor ao usar sapatos. Olhando pelo lado positivo, o que aconteceu foi uma ótima desculpa para passar o feriado de natal com Paltrow e seus dois filhos, Apple (11 anos) e Moses (9 anos).

“Isso não é novidade para a mídia, mas eu tive um divórcio maravilhoso”, diz Martin. “É um divórcio – mas é um divórcio estranho. Então eu estava com eles e foi simplesmente adorável. É divertido viver como uma pessoa musical pública e também fazer coisas em casa. ‘Vamos montar esse IO Hawk (brinquedo)- O que eu devo fazer com a chave de fenda a seguir? ’”. Eu falei para o Chris que estava impressionado por ele ter conseguido montar um IO Hawk. “Na verdade esse não foi um bom exemplo, porque eu nem toquei (no IO Hawk)”, Martin disse rindo. “Mas você entendeu o que eu quis dizer.”

Martin é conhecido como uma das pessoas mais encantadoras do mundo da música: ele é infalivelmente amável, generoso e tão atencioso que às vezes chega a ser cômico.

Ele não pensa duas vezes antes de colocar a mão em seu ombro, é brincalhão e irradia entusiasmo. “Ele sempre me irrita quando é retratado de maneira tão amável, como um ‘shoegazing’ (deriva do rock alternativo), porque ele é muito, muito bobo”, disse Pegg, que também contou que uma vez Martin foi até sua casa usando uma cueca levantada até o peitoral, no estilo ‘Urkel’. Espirituoso e auto depreciativo, ele pode ser humilde diante de uma falha: “É muito doce, mas às vezes preciso dizer algo tipo: ‘Chris, cale a boca e pare de se desculpar’”, diz Pegg. “Eu e a Gwyneth costumávamos ir assistir eles ao vivo, então Chris começava a tocar uma música e logo vinha dizer: ‘Desculpe por isso, nós temos que tocá-la’, então eu e Gwyneth nos olhávamos e falávamos: ‘Pelo amor de Deus, é claro que vocês devem tocá-la. Todo mundo na plateia quer escutar essa música!’”

Por outro lado, Martin tem sido muito famoso por mais de uma década e um observador cético poderia vê-lo como alguém esclarecido diante de sua reputação. Por exemplo, quando ele está concedendo uma entrevista em uma praia com muito vento, ele tem o cuidado de usar o seu iPhone, para gravar a entrevista, apenas para evitar que o gravador do jornalista não ‘funcione’ – mas ele faz o mesmo quando está em um restaurante onde não há tanto barulho de vento – Martin balançou a cabeça com um certo cinismo. Em outro momento, Chris deu 20 dólares para um artista que tocava na praia e quando eu, na brincadeira, perguntei se ele teria feito o mesmo, caso eu não estivesse lá, ele pareceu genuinamente chateado. “Sim,” ele diz sarcasticamente, “se você não estivesse aqui eu teria dado um soco no rosto do cara e ainda teria roubado a guitarra dele”.

Nós estávamos andando quando encontramos um cartão de crédito no chão. Alguém deve ter deixado isso cair. “Briana”, disse Martin lendo o nome na frente do cartão. “Eu acho que não tenho o número dela.” Ele tentou procurá-la no Twitter. “Que pena”, ele disse. “Ela nem mesmo tem uma conta no Twitter. O que nós vamos fazer?” Eu sugeri que a gente levasse o cartão e tentasse localizar a dona, online, durante o almoço. Martin pareceu não curtir muito a ideia. “Vamos ficar aqui por 10 minutos”, ele disse. “Se ela voltar, nós vamos fazer o dia dela! E, se não voltar, vamos seguir o seu plano”. Então nós jogamos o cartão de volta na grama e, para passar o tempo, Martin contou uma piada. “Você ouviu algo sobre o muçulmano que perdeu a carteira?”, ele disse. De repente eu me peguei preocupado com o muçulmano, mas também fiquei curioso para ver onde essa história iria dar. “Alguém achou a carteira e devolveu para ele. Então o Muçulmano ficou muito feliz e disse ‘Escute, deixe eu te fazer um favor e te alertar: não vá ao Glastonbury esse ano’. O outro cara disse: ‘Nossa, muito obrigado! Mas por quê? E o muçulmano disse: ‘Porque o Coldplay vai tocar!‘“

Em seguida, começamos a falar sobre a sua virada de ano novo. Martin disse que estava com algumas pessoas famosas, que ele preferiu não citar nomes. “Mas cerca de uma hora antes de meia-noite”, contou ele, “Eu estava me sentindo um pouco ansioso. Então alguém me disse que quando você está se sentindo ansioso, você deve escrever uma lista de tudo o que tem para agradecer. Então eu tentei seguir essa dica e foi incrível. Poetas antigos e budistas, por exemplo, diziam que você se torna mais feliz se consegue colocar seus desejos em palavras melhores. E, pela minha experiência, isso é verdade. Acho que quando eu me lembro de ser grato, tudo parece um pouco melhor”. Eu perguntei a ele o que estava em sua lista. “Um monte de coisas”, disse ele. “Em primeiro lugar, o simples fato de poder estar aqui. Mesmo que eu tivesse só isso, já seria motivo suficiente para fazer um ‘high five’ no espelho. Wow, então eu vou ter outra chance de fazer uma ‘lista de desejos’ hoje? Você está de brincadeira? Então o que eu disse continua no topo da lista. E o fato de eu ter duas crianças que eu amo e um emprego que eu amo. Eu estou a tempo suficiente trabalhando então eu acho que estou autorizado a ser grato por isso”

(“Chris está sempre falando o quanto é grato pelo o que ele tem, disse Pegg. “Gratidão é a palavra que ele mais fala no momento”).

20 minutos se passaram e nada da Briana (a dona do cartão de crédito) aparecer. “É hora de encarar os fatos”, disse Martin. “Ela não vai voltar. Você já leu ‘Waiting for Godot’? Isso é o que nós nos tornamos. Em algum momento, nós temos que almoçar”. Depois de aceitar a derrota, o plano de procurar a dona do cartão, durante o almoço, voltou. Nós já estávamos a cinco minutos do píer quando um rapaz de meia idade passou em uma bicicleta e Chris disse brincando: “Briana?”. “Sim?”. Nós olhamos ao redor e, um pouco atrás de nós, havia uma menina de vinte e poucos anos com um olhar de esperança. Martin ficou de boca aberta e a garota disse: “por acaso você achou o meu cartão de crédito?”. “Não é possível! Sério que você é a Briana? Nós acabamos de pesquisar seu nome no google!”, disse Chris. Então ele a entregou o cartão. “Muito obrigada”, ela disse. Se ela tinha alguma ideia que Chris Martin havia acabado de encontrar e de devolver o cartão dela, então não demonstrou.

“Nós realmente conseguimos, porra!” Martin disse, depois de comemorar batendo suas mãos com as minhas. Então ele se virou de novo para Briana, preocupado: “Você sabe que precisa tomar mais cuidado com isso, né?” “Eu sei”, ela disse timidamente. Martin frisou: “Você não tem ideia de quanto você nos deixou felizes. Você simplesmente transformou o nosso dia”. Então ele a abraçou . “Beleza, Briana. A gente se encontra por aí”. Ela o agradeceu novamente e foi embora. “Quais são as chances?” – Chris disse entusiasmado. Eu disse que nós dois parecíamos mais animados que ela. “Nós estávamos muito mais animados!”, ele disse. “Viu, cara – como você pode dizer que não existe magia no mundo? Está em todo lugar!”

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De volta ao hotel, nós fomos almoçar no pátio. “Você gosta de tacos de peixe?” Martin perguntou. “Eles têm os melhores tacos de peixe aqui”. Durante seu casamento com Paltrow, ele passou anos com os hábitos alimentares de um vegetariano, mas atualmente ele mudou um pouco o discurso: “se Rocky come, então eu também como”. Assim que nos sentamos a mesa, o gerente se aproximou e disse que, infelizmente, Martin não poderia sentar-se descalço. Chris foi ao carro correndo e voltou calçado. Na volta, ele percebeu que o ator Edward Norton estava na mesa ao lado. “Hey, cara, como você está?” Disse Martin, estendendo a mão. “Hey, cara!” Disse Norton. “Fabuloso. Eu surfei essa manhã.” “Sério? Onde?” “Logo ali na praia”. “E como foi?” Perguntou Martin e emendou: “Eu pensei em fazer isso algumas vezes, mas o vento me pareceu muito forte e irregular”. “Foi fantástico”, disse Norton. “Cara sortudo”, disse Chris. “A gente deveria sair qualquer hora dessas, se você quiser”, convidou Norton. “Claro, seria ótimo”. “Legal”. Então ele voltou para a nossa mesa e sorriu: “um de meus amigos surfistas”.

Martin estava brincando. Na verdade, ele e Norton não são grandes amigos. Mas eles se conhecem da maneira que a maioria das pessoas famosas conhece uns aos outros. Martin diz que, como uma criança inglesa, ele assistia filmes de Hollywood, como ‘Beverly Hills Cop’ e ‘Swingers’ e pensava: “Como você chega lá partindo da terra?” Ele disse. “Tudo que você precisa fazer é tocar alguns acordes mais curtos.”

Martin cresceu em ‘Whitestone’, Devon, local que seu pai, em tom de brincadeira, chama de “o dedo do pé da Inglaterra”. Phil Harvey, que conhece Chris desde que os dois tinham 13 anos, o descreve como “do tipo que ‘não combina com tudo’/é singular” e ainda é diplomático ao falar que o amigo é “bem conhecido, mas sem chegar a ser o Mr. Popular”. Sobre o passado, “ele era brincalhão e podia fazer as pessoas rirem”, diz Harvey, “mas ele também não podia evitar e acabava mostrando a sua vulnerabilidade. E eu acho que, certas vezes, isso o transformou num alvo para alguns idiotas.”

Chris Martin começou a buscar o caminho da música cedo, tocando em bandas covers adolescents como ‘Rock-in’ Honkies’ (Otis Redding, Motown) e ‘Bunga’ (Jane’s Addiction, grunge). “Eu me lembro de que uma vez tocamos ‘Been Caught Stealing'”, Martin conta, “e uma garota da escola se aproximou de mim, depois da apresentação, e disse: ‘você simplesmente arruinou uma de minhas músicas favoritas’”

Depois da escola, Chris foi para Londres e entrou na universidade. O plano era se especializar em história antiga, mas na verdade ele só estava lá pela música.

Foi lá que ele conheceu os caras que se tornariam o Coldplay que conhecemos hoje: o guitarrista Jonny Buckland, o baixista Guy Berryman e o baterista Will Champion.

“Chris é como um sol em um sistema solar”, diz Harvey. “Ele simplesmente consegue reunir as peças certas da rocha para agir em sua força gravitacional no momento certo”.

Pegg, que é padrinho da filha de Martin (e vice-versa), conheceu Chris em um show do Coldplay no ano de 2000, logo depois que o primeiro álbum da banda foi lançado. ”Nós estávamos num ‘afterparty’ e Chris disse: ‘você quer dar uma caminhada? ’”, Pegg lembra. “Então nós fomos caminhando para o ATM e ele estava tipo ‘pirando’ com o quanto a banda estava se tornando grande”. “Lembro-me de falar: ‘não se preocupe, cara – isso (essa jornada) será incrível’”. Na época eles estavam tocando para plateias abaixo de quatro dígitos. Harvey estava atuando como empresário da banda e quando o álbum ‘A Rush Of Blood to the Head’ (de 2001) explodiu, vendendo quase 20 milhões de cópias ao redor do mundo, ele ficou doente e teve que se ausentar por três anos. “E no momento em que eu fui embora, ele (Chris) se casou com Gwyneth e teve dois filhos”, Harvey conta. “Quando eu voltei, eu me lembro- principalmente- de ficar surpreso com a mudança do Chris, tanto fisicamente quando em relação à presença. Ele estava se comportando de maneira diferente, mas de um jeito bom. Ele simplesmente estava caminhando para o alto, estava mais confiante”.

No entanto, Martin estava lutando com a sua dificuldade em ocupar os primeiros lugares nas listas, promovidas por revistas de fofoca, entre os casais mais ‘poderosos’ do showbusiness. “Gwyneth já estava sob os holofotes da fama por mais tempo, então ela lidou muito melhor com esse assédio”, diz Pegg. “Acredito que, inicialmente, Chris achou tudo aquilo extremamente confuso. Era gratificante ter tantas pessoas interessadas e torcendo por eles – mas, ao mesmo tempo, profundamente perturbador o quanto alguns poderiam ferrar tudo os seguindo por aí”.

Atualmente, Martin parece sentir-se mais a vontade diante de seu posicionamento ‘rarefeito’ (em contraste com a turbulência da fama). O novo álbum do Coldplay conta com algumas participações, como a de sua amiga Beyoncé (que canta em uma música que tem vibe de boate e se chama ‘Hymn for the Weekend’) e até mesmo do Obama. A interpretação que o presidente fez de “Amazing Grace” (no funeral do Rev. Clementa C. Pinckney) foi usada como sample em uma canção chamada ‘Kaleidoscope’. Martin não quis me contar como o Coldplay conseguiu a liberação para usar o sample com a voz de Barack Obama. O máximo que consegui extrair dele é que um de seus amigos foi visitar a Casa Branca e ele pediu para que ele falasse com Obama de maneira bem convincente.

Felizmente, Champion é menos cauteloso: “ajuda muito se alguém em sua banda é amigo de Bono”

entregou o baterista. “Ele pode fazer qualquer coisa acontecer. ‘Você quer um unicórnio? Eu conheço um cara…’”.

Martin também convive com sua fama apoiando um pouco do peso dela em causas humanitárias como a ‘Oxfam’s Make Trade Fair‘ (“Eu acho que fizemos isso, não fizemos?” ele brinca) e, mais recentemente, a iniciativa para combater a pobreza ‘Global Citizen’. Ele diz não se importar com o fato de que os tipos de compromisso, em que ele se envolve, às vezes transformam a vida dele em fofocas. “Por dois por cento do dia eu sou uma celebridade. Na maior parte do tempo eu sou apenas um cara tentando fazer as coisas funcionarem”.

Nós nos levantamos para ir embora (do restaurante). Antes de partirmos, Martin escreveu algo no recibo da nota de seu almoço. “Hey, Ed”, ele disse se virando para Norton. “Esse é o meu e-mail, caso você queira surfar”. “Ah, ótimo! Vejo você em breve, cara”, disse Norton. “Cheers”, disse Chris que, em seguida, saiu para buscar seus filhos no colégio.

Dois dias depois, a cidade de Los Angeles estava inundada em vários locais e o El Niño despejava muita chuva durante 24 horas. Na estrada para o estúdio de Malibu, onde Martin gravou grande parte do “A Head Full Of Dreams”, encontravam-se árvores caídas, pedras e espaços cobertos por barro e tomados por névoa. É o tipo de clima que faria um inglês se trancar em casa. Contudo, Martin- como de costume- quis dar uma caminhada. “Não é tão ruim como parece”, ele disse colocando um gorro de lã e abotoando sua jaqueta. “O sol vai aparecer em poucos minutos e isso vai ser lindo”. Parecia impossível, mas, por incrível que pareça, ele estava certo.

Com o céu mais limpo, partimos em direção ao oceano. Martin, que vive a cerca de uma milha de distância, não passou muito tempo na vizinhança desde que mudou para o local, mas ele tinha lido em algum lugar que Bob Dylan morava por ali. “Para mim, ele (Dylan) é tipo um Papai Noel”, diz Martin. “Eu não quero vê-lo ou encontrá-lo, mas é bom saber que ele está no mundo”. Um Prius (carro) preto passa pelo local e Martin olha para ele atentamente. “Apenas verificando”, diz ele. “Às vezes aparecem uns paparazzi por aí”.

Martin se mudou para cá quando está passando por um momento de transição em sua vida; ele e Paltrow estavam passando por problemas por mais de um ano. “Nós tínhamos acabado de sair de uma grande turnê em estádios – a ‘Mylo Xyloto’ tour (2011)”, lembra Chris.

“Terminar uma grande turnê, como foi essa, provoca um vazio estranho no final de tudo. Você passa dois anos com as pessoas contando com você toda noite, muita energia direcionada até você e depois tudo acaba e você precisa encarar o que está rolando na sua vida pessoal. Então, várias coisas simplesmente… não estão mais lá”.

Ele se preserva e não fala muito sobre os capítulos que se seguiram, mas os amigos contam que ele passou por momentos bastante escuros. “Chris passou por um momento muito ‘sombrio’/depressivo”, diz Harvey. “Ele estava sentindo dor e lutando para conseguir enxergar a luz no final do túnel. Estávamos todos preocupados com ele – a banda, sua família”. Preocupados com o quê? “Hum … com a segurança dele? Quando alguém está muito, muito pra baixo e isolado, você, como amigo, pensa nas piores coisas, reproduz o pior cenário. Esse período não durou pra sempre, mas houve um tempo em que todos nós verificávamos regularmente como ele estava. Era apenas uma tentativa de mostrar que ele não estava sozinho”.”Quando o Chris se sente bem, ele se sente muito bem”, adiciona Buckland. “E quando ele se sente mal, ele se sente muito mal”.

Martin e Paltrow anunciaram a separação em março de 2014. Dois meses depois o Coldplay lançou seu sexto álbum, ‘Ghost Stories’ – uma crônica de fim de relacionamento inconfundível em que Martin canta sobre estar “quebrado por dentro”. As melhores músicas do Coldplay (‘Yellow’, ‘The Scientist’, ‘Viva La Vida’) sempre tiveram uma espécie de tom épico, um mix de ânimo e tragédia, mas ‘Ghost Stories’ foi cinza – muita nuvem e nada de arco-íris. A banda não se mexeu muito para promover o disco, eles fizeram poucos shows e não deram entrevistas. “Teria sido um pouco cru”, diz Martin. “Já existia uma relação com o grande público, porém o álbum era triste e relativamente íntimo. Era autoexplicativo”.

Martin acredita que existem duas formas de lidar com o fim de um casamento. “Você pode se posicionar de maneira muito agressiva e simplesmente culpar, culpar”, diz ele. “Ou você pode se colocar além da culpa e limpar os seus pedaços, se remontar”. O seu processo de reconstrução foi inspirado por duas obras literárias: ‘Man’s Search for Meaning’, de Viktor Frankl e ‘The Guest House’ – do poeta persa do século 13 Rumi. Sobre o último, Rumi compara a psique humana com uma espécie ‘bed-and-breakfast’, em que cada novo convidado- alegria, raiva, tristeza- deve ser acolhido e celebrado porque a junção de todos eles forma o que nós somos (é basicamente uma versão, com um pé no sufismo, de ‘Inside Out’). Martin conta que ele não passou muito tempo estudando Sufismo ou qualquer outra tradição oriental: “Eu já assisti ao filme do Kurt Russell ‘Big Trouble in Little China’ (‘Os aventureiros do bairro proibido’) – isso conta?”.

“Mas há um poema do Rumi que mudou tudo”, diz Chris. “Ele escreve que, mesmo quando você está infeliz, isso é bom para você. Então para alguém como eu – que estava vivendo entre desânimo e otimismo, muitas vezes ao dia – foi desafiador. Eu fiquei tipo ‘O quê?!’ Levei mais ou menos um ano para absorver essa ideia”.

“Um ano de depressão e tudo o que se espera disso. Eu ainda acordo meio pra baixo alguns dias. Mas agora eu sinto como se já tivesse as ferramentas necessárias para dar a volta por cima”

Enquanto isso, Martin já pensava em algo que refletiria a melhora do período sombrio por qual tinha passado e ele já sabia que o resultado disso seria o ‘A Head Full Of Dreams’ – um grande e otimista álbum pop, cheio de ritmos pra cima e cores. “É quase como se ele tivesse feito um mapa para tirar ele mesmo do buraco”, diz Harvey. “Eu acho que isso deu a ele uma base para aproveitar a vida novamente”.

Buckland diz que agora eles se sentem livres para serem mais otimistas e dançantes. “Já trabalhamos muito a melancolia que carregávamos dentro de nós mesmos”.

Para ajudar a supervisionar o álbum (e o encaminhar para essa direção mais otimista e dançante), Coldplay chamou a dupla de produtores norueguesa Stargate – que já foi responsável por trabalhar em hits de Beyoncé, Rihanna e Katy Perry. Eles se conheceram há alguns anos, quando Martin escreveu uma música intitulada ‘Hook Up’ – que ele esperava que Beyoncé gravasse. Então ele foi para o estúdio com Stargate e Beyoncé para tentar isso (Não deu certo: “Da maneira mais doce possível”, diz Martin. “Ela me disse: ‘Eu realmente gosto de você, mas isso é horrível’”).

Ainda assim, Martin gostou e seu deu bem com os produtores Stargate. Então, quando chegou a hora de gravar o disco ‘AHFOD’ , ele perguntou para os noruegueses e para os membros do Coldplay se eles poderiam trabalhar juntos. No início, “todo mundo estava muito cético – incluindo eu”, diz Martin (Jonny Buckland complementa: “Eu acho que quando falávamos sobre ritmo tudo ficava ainda mais cético”. De acordo com o baterista Will Champion, na verdade tudo aquilo funcionava mais como curiosidade, experimentação). Todos estavam conscientes do risco de se aproximar do que poderia ser chamado de ‘Poochie effect’ – “Hey, jovens! Nós ouvimos falar que vocês gostam de Avicii e Selena Gomez!”. No final, era tudo sobre encontrar um equilíbrio.

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“Gravamos algumas músicas realmente pop, pop, pop e, ao ouvir, a gente dizia: ‘isso é demais, nós fomos longe demais’”, diz Martin. “E então gravamos outras que tendiam demais para o lado oposto (do ‘pop, pop, pop’) – e a dupla Stargate ficava tipo: ‘Nem, não rola. Isso é um pouco miserável’”.

O álbum estreou na segunda posição (da Billboard estadunidense). “É muito cedo para dizer se é um sucesso, mas eu sei que eu realmente amo o disco”.

Papo vai e papo vem, acabamos chegando em Point Dume, uma ribanceira localizada sob o Pacífico. É praticamente a definição perfeita para um lugar com extrema ventania. “Olha só esse lugar épico, cara!” Martin diz, passando por cima de uma marca que indica o final da trilha. “Você tem que ter cuidado, não se aproxime muito da borda”. Martin se esquiva da beira do precipício, “eu quero te mostrar uma coisa que fizemos há uns dias enquanto estávamos treinando por aqui”. Lentamente e cautelosamente, ele ficou de quatro e posicionou os pés de forma que seus dedos ficaram bem próximos da borda. “Então você fica em forma de prancha (tipo reto como uma tábua), bem aqui, certo?” diz ele, levantando-se. “E se você olhar para trás” – de cabeça para baixo, então ele olha entre suas pernas e mira na direção do mar – “não vai ver o solo e, assim, vai sentir-se como se estivesse voando”. Tudo isso proporciona um pouco de mudança de perspectiva. “Experimente”, diz Martin. “Não é legal?” Eu fiz. E isso realmente é legal.

Na noite seguinte, encontrei Martin no ‘Pacific Palisades’ depois de ele deixar a filha Apple na aula de teatro. “A mãe deles está fora da cidade, então eu estou com o modo ‘pai patrulha’ ativado”. Ele dava a impressão de estar exausto. Martin passou a manhã acompanhando Moses em uma viagem de campo para a Missão de San Gabriel. “Foi hilário – seis adultos, três professores e 47 crianças de nove anos de idade”, disse ele. “Meus olhos estão cansados”. Acompanhando o filho, Chris se esqueceu de embalar o próprio almoço, então, na verdade, ele não almoçou. “Eu preciso dizer que tenho todo o respeito do mundo por professores. Eu lhes disse: ‘como vocês fazem isso’”?

“Vamos”, Martin chama. “É hora de tirar um tempinho para nossa caminhada diária”. Está ficando escuro e estamos andando em fila indiana no encostamento cheio de lama da Sunset Boulevard e usando os espaços entre os galhos das árvores para não sermos atingidos pelos carros. Eu começo a me questionar se as caminhadas não são um jeito de Martin se esquivar das perguntas assim como ele se esquiva dos paparazzi. Voltando ao período em que ele era casado, lembrei de uma vez que Paltrow contou que ela tinha um jeito de conversar com ele em que as chances de persuadi-lo eram maiores. Eu estou começando a entender o que ela quis dizer.

No caminho, encontramos uma Starbucks e Martin se sentou com um copo escrito “Chris” por fora e com ‘chai latte’ de soja por dentro. Eu perguntei se poderíamos falar sobre o divórcio dele. “Vá em frente”, disse ele. “Já faz um bom tempo”. Eu perguntei como ele acha que ele mudou desde a separação. “Você quer dizer o que mudou além de tudo o que a gente já vem falando?” Ele diz rindo. “Para mim, é difícil dizer. Mas se eu realmente tiver que fazer isso, eu diria que me sinto mais grato. E talvez um pouco mais calmo.”

Através do meu telefone, mostrei um vídeo de Louis C.K. (comediante) falando sobre divórcio. Em resumo, o vídeo aponta que você não deve sentir pena das pessoas que se divorciam porque as coisas têm que ficar muito ruins para que uma separação aconteça. Quando C.L. brinca com o fato de que você não deve dizer “eu sinto muito” para recém-divorciados, porque “você estaria fazendo com que esses se sintam mal por se sentirem muito felizes”, Martin solta uma risada alta e longa. “Eu acho que o que ele está tentando dizer é que tudo tem seu tempo”, diz Martin. “Mas ele coloca uma pitada de humor”.

Martin faz uma pausa. “É engraçado”, diz ele. “Eu não costumo pensar sobre essa palavra (divórcio) com frequência. Eu não vejo dessa maneira. Eu vejo isso mais como: você conhece alguém, vocês têm um tempo juntos e depois as coisas simplesmente se movem, passam”.

Pelo menos externamente, Martin e Paltrow estão com uma ótima relação pós-separação. Ela aparece no novo álbum do Coldplay fazendo back vocal na música ‘Everglow’. Chris explica que ele queria Gwyneth (nos vocais de apoio da música) porque queria mostrar que as coisas entre os dois, o que ele sempre falou, os amigos em comum que restaram etc… tudo foi e é “de fato real”.

“Essa conversa seria mais interessante há dois anos. Eu entendo que não falei muito sobre o assunto, mas eu só não quero ser desrespeitoso com o novo relacionamento de alguém. Eu vivi muitas coisas desde a separação”.

Por exemplo: Jennifer Lawrence. No ano passado, Martin e Lawrence foram- supostamente- flagrados em um encontro. Martin não topou falar sobre esse assunto ou qualquer outro que envolva supostos relacionamentos. Exceto: “se eu estiver em outro relacionamento – o que não estou confirmando ou negando- será com uma pessoa realmente maravilhosa, fantástica e incrível. Claro que isso é apenas especulação”, ele enfatizou. “Você não poderia colocar isso em um site de fofoca, eu estou contando apenas para você”.

Como um cara muito famoso, mas também como alguém que curte preservar sua vida privada, Martin está sempre no foco das atenções. Como cantor e compositor, é inevitável que algumas pessoas escutem suas músicas imaginando que as letras sejam pistas sobre sua vida amorosa. Letras como: “You make me feel like I’m alive again” (“Você me faz sentir como se eu estivesse vivo novamente”), da música ‘Adventure of a Lifetime’, estimularam rumores de que a composição seria sobre Lawrence.

Martin diz que não vai dissecar/explicar suas canções porque ele quer que elas sejam “o que alguém quer que elas signifiquem no momento em que as escutarem”

E continua: “mas provavelmente algumas especulações estão certas. Se há uma música sobre uma pessoa incrível fazendo você se sentir ótimo, então provavelmente você não está a milhões de milhas distante da verdade”.

Como se isso tudo não fosse suficiente, o novo álbum também inclui backing vocals da, de acordo com a imprensa, atual namorada de Martin – a atriz inglesa Annabelle Wallis. Ele, claro, não afirma nada sobre o relacionamento. “Só porque alguém canta no álbum do Coldplay não quer dizer que nós somos casados”, diz ele de maneira um pouco ríspida. O que é totalmente compreensível. Mas estou um pouco surpreso até mesmo por ele a ter colocado no álbum (já que não quer falar nada sobre). Ele não está simplesmente me induzindo a perguntar o que ele não quer responder?

Neste ponto, parece que Martin já atingiu o limite do que está disposto a falar sobre seus relacionamentos. “Bem, talvez eu tenha ferrado tudo”, diz Martin. “O que eu deveria ter feito? Nós deveríamos ter mudado todas as músicas?” Pedi desculpas e disse que eu simplesmente achava aquilo curioso. “Não, é legal, cara”, disse ele. “Eu também estou interessado nisso. Afinal, se sua vida é um pouco pública… mas você lança uma música muito pessoal… mas você não quer que a sua vida pessoal seja pública…” Ele ri. “Tipo: ‘Então o que você está fazendo aqui, meu filho?’”

Para um homem que passou 10 anos em um casamento que atraiu muita mídia, Martin fez um trabalho impressionante ao conseguir manter-se fora do radar de escândalos dos tabloides. ”Eu só estive em dois -ou dois e meio- relacionamentos”, diz ele. “E nunca foi uma escolha minha tornar algum deles público”.

Ele resumiu essa ideia melhor em uma entrevista que concedeu, em 2011, para Howard Stern. Ao ser questionado sobre o motivo de passar por tapetes vermelhos com o Coldplay, mas não fazer o mesmo com Paltrow, ele explicou:

“a nossa banda está vendendo alguma coisa… O meu relacionamento com Gwyneth não tem nada para vender”

Não há como não concordar que é um pensamento nobre. Mas, se você está à procura de privacidade, deve haver maneiras melhores de fazer isso do que namorar a atriz mais popular no país.

“Tudo isso faz parte um plano secreto para me convencer a entrar no Tinder?” Martin perguntou rindo. “Eu já percebi aonde você quer chegar. Mas isso seria negar a realidade de quem você conhece. Um monte de contadores saindo com outras pessoas que também entendem de finanças. E, além disso, você não pode escolher por quem você se apaixona. Esse é o ponto crucial, não é mesmo? Ele diz sorrindo. “Deixe-me deliciosamente citar Selena Gomez e dizer: ‘The heart wants what it wants’ (‘O coração quer o que ele quer’), meu irmão’”.

A aula de Apple está terminando, então precisamos voltar para que Martin possa pegá-la e levá-la para a outra aula, agora de dança. Entre as duas aulas, ainda nos sobra algum tempo. Então pegamos comida tailandesa em um restaurante saudável enquanto Apple faz seu dever de casa no iPad. Martin deixa claro que qualquer outro detalhe sobre ela está fora de pauta para a entrevista.

Mas ele provavelmente não vai se importar se eu disser que ele é completamente apaixonado pela filha.

Os dois filhos de Chris estão em idades em que começam a fazer perguntas sérias sobre o mundo. “Ontem, Moses me perguntou: ‘o que é o Holocausto? ’ De certa forma, eu me senti feliz por ele ainda não ter experiência com essa palavra, mas foi ruim ter que contar para ele”. Mas eles também estão e idades em que Chris pode fazer muitas coisas divertidas com ambos. Por exemplo, há duas noites ele levou Moses para o jogo dos LakersxWarriors. “Eu nunca tinha ido a um jogo dos Lakers. Meu filho ama Steph Curry e ele estava logo ali, isso (ver a felicidade de Moses) é o que eu chamo de sentir-se grato”. Jack Nicholson também estava lá e eles estavam separados apenas por dois bancos. Havia uma jovem moça entre eles. “Eu não sei se ela estava com Moses ou com Jack”, brinca Martin (brinca porque a garota era filha de Nicholson).

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Agora Martin está desenvolvendo um lado, da relação entre pai e filhos, bem gratificante, pois ele e as crianças começaram a fazer música juntos. Apple está aprendendo a tocar violão e ela e o irmão cantaram no álbum mais recente do Coldplay. Às vezes eles fazem projetos bobos em casa, como usar fones de ouvido para criar sua própria discoteca silenciosa ou até mesmo gravar a própria trilha sonora assustadora para um labirinto que construíram no Halloween. “Nós alteramos as vozes das crianças para elas soarem bem estranhas. Foi assustador!”

Ele está impressionado com a sua falta de abrangência musical quando se trata das músicas que os filhos conhecem. Os dois estão o transformando e o apresentando a coisas novas – como a música ‘Watch Me (Whip/Nae Nae)’, do Silentó. “Eu não tenho certeza se consigo o ‘whip’, mas sei que eu posso ‘nae nae’ com os melhores”.

Os filhos estão inspirando Martin a se esforçar para melhorar seu próprio som. “Parte de mim quer garantir que a banda seja boa para que meus filhos não passem por situações constrangedoras no colégio. E eu realmente falo sério sobre isso”

Na maior parte de sua existência, Coldplay tem sido uma banda ‘OK’ para se ridicularizar, encorajar piadinhas. Isso costuma deixar Martin muito chateado. “Em meados da década de 2000 eu já tinha uma certa idade e foi um período confuso pra mim. Eu ficava tipo:

‘por que a nossa banda às vezes vira piada?’

Até mesmo em dezembro, quando a NFL anunciou que a gente se apresentaria no intervalo do Super Bowl, apareceram várias piadinhas na internet em que as pessoas diziam que iriam ‘cochilar’ no intervalo”.

Apesar de chateado, Martin parece entender a zoeira. ”Nós somos um alvo fácil. Basta analisar algumas das coisas que estou te falando nessa entrevista. Qualquer um que diz: ‘Ei, por que nós apenas não podemos nos amar e nos dar bem… ’ Isso é um comportamento fácil de ser enxotado.

Ele diz que costumava ter pensamentos muito binários sobre a banda: “Eu sentia que ou a éramos amados por todos ou éramos odiados por todos”. Mas agora, “nós vamos continuar fazendo o que acreditamos.

Se você gosta do que fazemos: maravilhoso! Mas se você não curte, eu realmente não me importo. Há tantas outras coisas que você pode fazer. Você pode ter um PlayStation!”

Seus colegas de banda também notaram isso. “Agora, de certa maneira, a armadura dele é muito mais resistente”, diz Champion. ”Eu acho que ele seria o primeiro a admitir que ele trabalhou intensamente para conseguir vestir a armadura diante das críticas”.

Buckland concorda: “Hoje ele lida com as coisas ruins melhor do que nunca. Quando Chris era mais novo, ele ficava muito nervoso e de maneira muito intensa – mas eu acho que quando você passa por algumas coisas que deixam marcas, essas mesmas coisas o tornam melhor com pessoa”.

“Agora ele age tipo: ‘foda-se. Este é o lugar a qual eu pertenço’”, diz Harvey. “Eu acho que ao longo de 16 anos, Chris se preocupou com o que os outros iriam dizer e agora ele se libertou disso”.

Por agora, toda a sua energia ansiosa está direcionada para o Super Bowl, que acontece no domingo. “Neste momento, estou pensando nos 12 minutos e meio intensos que viverei nesse mês de fevereiro. Para mim, esse é o clímax de tudo!” Beyoncé e Bruno Mars irão se juntar ao Coldplay para o show do intervalo. O plano é deixá-los, sozinhos, no palco por cerca de quatro minutos. Assim, a banda toca sozinho durante o tempo que resta.

Ontem à noite, Martin recapitulou a parte do Coldplay (no show durante o intervalo do Super Bowl) com um dos convidados especiais da banda.

“E no fim da passagem de som eu escutei – de uma maneira surpreendente – ‘Oh! Vocês têm boas canções! ’ e eu pensei ‘Graças a Deus’”, disse Martin vibrando muito.

Bruce (Springsteen) estaria pronto para quatro horas (de show com hits) e nós estamos nos arrastando para atingir a marca de uns 10 minutos. Então diga o que quiser sobre o Coldplay, mas, depois de 15 anos, nós temos oito minutos e meio (para tocar no Super Bowl) e algumas pessoas concordam que isso seja ok”.

Fonte: Rolling Stone e News Coldplay (Scans)

Vitor Babilônia

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