Coldplay no Brasil [#4] – Shows de 2003

Lívia Morais
21 fev 2016

Em 2003, o Coldplay fez sua primeira passagem pelo Brasil. No mesmo ano, a banda havia conquistado os prêmios de “melhor disco de música alternativa” e “melhor performance de rock” com a música In My Place. Eram os primeiros passos da grandeza daqueles que, mais tarde, seriam intitulados por três vezes a “melhor banda da atualidade”.

Você esteve neste show?

Você esteve neste show?

 

Ou neste?

Ou neste?

Na época, a viabilização da vinda do grupo foi possível graças ao hoje extinto “Projeto Visa Sounds”, encabeçado pela megaempresa Visa e pela Corporação Interamericana de Entretenimento. As negociações permitiram duas apresentações sequenciais: uma em São Paulo no dia 03/09 e outra no Rio de Janeiro para o dia seguinte. A primeira aconteceu no extinto Via Funchal, cuja capacidade limitava-se a 6000 pessoas em pé. A segunda ocorreu no então denominado ATL Hall, hoje conhecido por Metropolitan. Inicialmente, o show na capital carioca havia sido determinado para o Jockey Club, mas motivos de força maior instigaram uma mudança nos planos. A capacidade de público no Rio de Janeiro era um pouco superior – 8500 pessoas puderam assistir ao grupo ao vivo. Dá para imaginar a dor de cabeça que esse número reduzido de ingressos causaria hoje?

Agenda da banda para a época dos shows

Agenda da banda para a época dos shows

O material disponível sobre as apresentações do Coldplay em 2003 no Brasil é escasso; os registros da passagem da banda por solo brasileiro ficaram comprometidos em razão da tecnologia pouco acessível da época. Câmeras digitais ainda eram artigos de extremo luxo e celulares não dispunham de recursos de gravação de imagens ou vídeos. Os poucos resquícios existentes pecam na qualidade do som, mas dão um indício do espetáculo que o Coldplay sempre foi. Confira vídeos de One I love e Politik.

Diferente do que experienciamos atualmente (ufa!), a venda de ingressos para os shows aconteceu a uma distância significativamente curta das próprias apresentações. No dia 17 de agosto, pouco mais de meros 15 dias para os shows, as entradas estavam sendo disponibilizadas via telefone e venda física, nos locais de show. Para os fãs que moravam longe das cidades agraciadas, esta quinzena de intervalo deve ter sido o caos para a compra de passagens e acerto de hospedagem. Obrigada por facilitar nossa vida hoje, Coldplay.

No mesmo dia 17, uma segunda-feira, os ingressos esgotaram-se em poucas horas: era um indício de que a banda seria recebida por fãs ansiosos. Os preços variavam proporcionalmente entre três posições: R$100,00 a pista, R$150,00 o mezanino e R$200,00 o camarote.

A reduzida capacidade de público era coerente com a proposta inicial da banda, mais intimista e melancólica. Não havia nada de uniformes; Chris, Jonny, Guy e Will trajavam roupas sóbrias e próximas a uma introspecção que dialogava com o caráter do álbum promovido em turnê e se portavam de modo mais tímido em palco. Com um repertório que se aproximava ao setlist do DVD Live 2003, a “A Rush of Blood to the Head Tour” encontrou no Brasil uma plateia ávida em cantar junto as canções. Nestes vídeos de Trouble e Yellow (abaixo), a empolgação do público é evidente.

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Setlist de São Paulo na Via Funchal

Setlist de São Paulo – Via Funchal

 

Setlist Rio de Janeiro - ATL Hall

Setlist Rio de Janeiro – ATL Hall

 

A banda iniciou as apresentações no Brasil com uma pontualidade muitíssimo afiada ao mandamento dos bons costumes britânico. E Chris Martin pareceu gostar do que ouvia: relatos de quem os assistiu destacam os risinhos inebriados do vocalista em razão das afiadas (e afinadas) plateias. Até então, o Coldplay havia vendido 60.000 cópias do álbum “A Rush of Blood to the Head” no país.

AAA - ACCESS ALL AREAS: nada mal um acesso irrestrito destes, hein?!

AAA – ACCESS ALL AREAS: nada mal um acesso irrestrito destes, não?!

Na época, a banda demonstrava forte compromisso com a campanha Make Trade Fair; Chris sempre carregava os escritos feitos à mão para dar visibilidade à causa. Não foi diferente nos próprios shows e nas fotos promocionais da passagem pelo Brasil.

coldplay no brasil 1

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Fã desde os primórdios da banda, Denise Umlauf foi uma das exclusivas 6000 pessoas que, na época, assistiram a banda ao vivo em São Paulo. Ela gentilmente nos cedeu um depoimento muito amável sobre sua experiência:

“Lembro de ouvir uma música em 2001, em uma estação de rádio qualquer, e o que me chamou a atenção não foi somente o piano. Foi a letra, a melodia, a voz… A música chamava Trouble, de uma banda até então não tão conhecida aqui chamada Coldplay. Descobri que eram eles que tocavam Yellow.

Só conhecia essas duas canções e em 2002, meu namorado (hoje, meu marido) me apresentou o álbum Parachutes e foi amor à primeira ouvida. Nunca tinha ouvido nada parecido e quando o segundo álbum foi lançado, fiquei mais fã ainda.

A notícia de que o Coldplay viria tocar em São Paulo, me deixou empolgada e não via a hora de ir comprar o ingresso. Paguei R$ 100,00 entrada inteira para a pista. Na época, era bem tranquilo de comprar ingressos. Não precisávamos dormir na fila, abrir o site 1 hora antes para conseguir um lugar na fila de compra… E nessa época, Coldplay ainda não lotava estádios aqui no Brasil.

E o grande dia chegou. 03 de Setembro de 2003 na Via Funchal, que pra mim sempre foi a melhor casa de shows de São Paulo.

Na fila, encontrávamos fãs, a turma que ouviu The Scientist na trilha da novela e pessoas que não faziam a menor ideia do que iriam assistir naquela noite. Talvez tenham comprado ingresso para conhecer um som novo.

Quando entramos no local, o coração acelerou e bateu uma ansiedade. As luzes finalmente se apagaram, uma gritaria tomou conta do Funchal e uma multidão se pôs a cantar.

Chris Martin logo se mostrou muito simpático e carismático. E uma cena que nunca vou esquecer: nos primeiros acordes de Trouble, todo mundo gritando de felicidade. E quando finalmente Chris começa a cantar, o Via Funchal TODO começa a cantar junto e Chris fica sem jeito e faz um sinal de reverência à platéia. Ele não estava acreditando no que via. Acho que o restante da banda também não esperava uma recepção tão calorosa da plateia.

Eu já tinha uma música favorita e nos primeiros acordes de Shiver, confesso que chorei um pouquinho. De emoção por estar ouvindo minha música favorita da minha banda favorita (pois é, já considerava favorita da vida), junto de uma pessoa amada.

O show foi perfeito, a banda era carismática e a cada música eu sentia vontade de chorar de alegria. Quando o show acabou, estava feliz e triste ao mesmo tempo. Sei lá quando os veria novamente. Matei um pouco da saudade desse show quando lançaram o DVD Live 2003.

Quase 13 anos depois, gostaria muito de repetir a dose. Ver Coldplay tocando em um espaço menor e com fãs cantando até perder a voz.

Obrigada Coldplay por fazer parte da minha vida e sempre lembrar do Brasil em suas turnês!”

Para finalizar, o Coldplay deixa aqui um recado para os fãs:

Coldplay dando o recado: até breve, Brasil

Até breve, Brasil!

 

 

 

Lívia Morais

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